Ficou bonita essa edição de "Moby Dick"? Olha, o tamanho da letra é pro Pierre nem pensar em reclamar, vem com uns "extras" bacanas e pelo que dizem, a tradução tá pra lá de caprichada. Mas... sabe como é, esse lay out de Código de Processo Civil Comentado não pegou bem.
Graças a uma feliz conincidência de fatores, passei um bom tempo sem ver o Dodô jogar. Eu interpreto como a tal feliz coincidência o fato dele não jogar mais em time que eu torço, a outra parte da coincidência é só coincidência mesmo, dele não estar em campo nos jogos que eu assistia - ou as vezes até estar, mas por se tratar do Dodô, a gente nem nota.
E aí que de repente o Falamerdamaníaco oficial da imprensa brasileira, credenciado por ter sido um craque de bola e dos melhores caráteres que existem no país, aka Tostão, resolveu que o Dodô era um craque! Ok, o mesmo Tostão que também acha o Alexotan craque, o Alex que não ganha nem campeonato turco de pontos corridos, mas ontem eu vi o Dodô jogando de novo. E continua sendo o Dodô, aquela desgraça cujo nome deveria ter "c" no lugar do "d", Jogador Símbolo do rebaixamento do Palmeiras e que provavelmente conduzirá o Fluminense á eliminação rápida da Libertadores, que não é torneio pros Dodôs que o Morumbi produz de baciada.
Já imaginou uma dupla de ataque com Dodô e Dagoberto?
Mas ontem foi a primeira vez que eu vi o Adriano jogar alguma coisa (sem usar as mãos pra fazer gol). Foi bem, eu diria que do jeito que jogou ontem, seria uma excelente opção de banco pro Alex Mineiro, e valeu pela constrangedora cena do Roger tentando disputar no ombro com ele.
O pior é que o Santos deve passar pela boiada do México, o que garante aos bambis uma semi-final tranquila, o que significa que só vão parar no Boca do Maestro Riquelme. Ah, o Boca empatou em casa por 2 x 2, e aí o Atlas deve estar achando que fez um negocião, eu vi exatamente esse filme em 2000.
Semi Final tranquila pro Corinthians também, contra o Botafogo, time que já provou não ter as garrafas vazias pra vender. Porém, contra o Botafogo, o Corinthians ainda vai ter que jogar, tivesse o Atlético-MG passado, seria uma mera questão de formalidade, como costuma ocorrer quando o Galo encontra o Corinthians e o Flamengo pela frente. E a outra semi final da Copa do Brasil, hein? O Clássico 171, juntando o Campeão Brasileiro (sem jogar) de 87 contra o Time do Eurico! Tudo pode acontecer, no campo ou nos tribunais (principalmente nos tribunais), se e eu estivesse na "outra perna" da tabela, teria receio do campeonato não terminar esse ano - ou ser declarado algum campeão de forma estranha.
Ah, o Inter que foi eliminado ontem, mas ele era tão favorito que eu até achei que era o Cruzeiro...
Dessa vez veio de Goiânia o meu presente de aniversário adiantado, mas em muito boa hora, fazia tempo que eu não ficava feliz com uma notícia vinda de lá - e o Goiás contribuía bastante pra esse swell negativo.
"Não para, não para, não para!" - Quem inventa essas coisas na torcida do Corinthians? Sério, pois esse lance aí e o insuperável "aqui tem um bando de lôco" são coisas que já pertencem ao patrimônio folclórico-futebolístico do País, só espero que nenhum time tenha a idéia "genial" de copiar.
Bom, dos favoritos ao título no Campeonato Brasileiro, só dois venceram, coincidentemente os que tem menos títulos - sendo que o último título ganho pelo Inter foi no tempo em que as pessoas tinham que fazer redações na aula de Moral e Cívica dizendo que os generais eram o mó barato. Seguem favoritos, no entanto.
O São Paulo ainda pode se dar ao luxo de dizer que está mais preocupado com a Libertadores (e está mesmo, não seria só uma desculpinha), mas o Palmeiras perdeu porque jogou muito mal. Isso é foda, pois o Palmeiras não consegue seguir o exemplo dos bambis, de ganhar mesmo jogando mal - sem falar nas incontáveis vezes em que conseguimos perder jogando bem -, talvez por isso eu continue suspeitando que o São Paulo continue o mais favorito dos 4. Afinal de contas, ganharam o último brasileiro assim.
Será que daqui uns 10 anos estarão falando que esse time do Muricy jogava futebol arte?
Falando em Muricy, os times dele não tem meia dúzia de casco de baré-cola vazio pra vender, mas nos pontos corridos são complicados de bater. E hoje, contra todos os meus princípios, não vou torcer contra, tou me guardando pra quando a semi final chegar. Sim, eu acho que vão passar pelo Fluminense, um time que não conseguiu ganhar nem o Campeonato Carioca. E não, não consigo torcer contra o Sâo Paulo nesse jogo, sabendo que do lado de lá está o Fluminense, time de tantos e seguidos rebaixamentos no final dos Anos 90. Lembro que quando o Palmeiras caiu, deixei bem claro que se fizessem à moda das laranjeiras, eu deixaria de ser Palmeirense, mas ainda bem que voltamos como o Goiás, o Botafogo, o Grêmio, o Atlético-MG e tantos outros.
Não importa qual brasileiro chega na final da Liberta, se o Boca estiver lá a gente sabe quem ganha.
O Goiás, inclusive, segue firme na campanha rumo ao Bi-Campeonato. Da Série B...
O que fazer na improvável hipótese de ganhar uma grana absurdamente indecente, profana, obscena, em alguma loteria? Quem nunca se lançou a esse tipo de pensamento? Provavelmente um monte de gente, mas não gosto de pensar que tem gente que já... "passou essa fase", prefiro pensar nas coisas que eu faria, e normalmente escolho coisas que eu faria no dia seguinte em que dinheiro deixasse de ser um problema.
E a idéia que me surgiu essa semana foi a de ter um Selo Literário, e eu já tenho até a idéia dos 4 títulos inicias:
- Mamãe Não Voltou do Supermercado - Mário Bortolotto
- Corações de Aluguel - Márcio Américo
- Alguém Vai Se Machucar Hoje À Noite - Thales de Menezes
- O Dia de Santa Bárbara - Paulo de Tharso
E essas minhas viagens ganham corpo, pois eu penso até no nome do Selo: "Pure Pulp". Eu tenho um raso conhecimento do que chamam de Pulp Fiction, mas acho que esses 4 títulos acima se enquadram bem no que eu entendo ser esse gênero literário, e gostaria muito de começar alguma coisa a partir dessas obras. Isso aí, bastante David Goodis, o próprio "Pulp" do Bukowski, esse é um tipo de literatura que anda me encantando cada vez mais. Isso quando eu não estou lendo livros do Nick Hornby sobre adolescentes, claro.
Mas não sei porque, me deu saudade de uma coleção de banca que o meu pai tinha, acho que chamava "Mistério", tinha a lombada amarela e umas historinhas bacanas, foi mais ou menos a minha iniciação literária, podemos concordar que não foi das melhores... ando pensando no meu coroa e quando fui em Goiânia, ele reclamou que eu não levei nenhum livro pra ele, tava com um do John O'Farrell que ele leu e me disse "Não chega nem aos pés do Nick Hornby". Meu pai leu "Febre de Bola" e "Um Grande Garoto", tenho certeza que falou isso só pra me agradar. Ele não quer ler Paul Auster, preconceito besta. Mas gostou de "Pergunte ao Pó", quis saber onde eu descobri "esse doido" e perguntou se ele tinha mais livros. Tou propenso a mandar os outros 4 que eu tenho aqui, não imaginei que um dia ainda "aplicaria" meu pai. Só não entendo porque ele achou o Fante doido. Meu pai detesta o Kerouac, mas nunca leu. Me foge a compreensão. Ele disse que o meu último livro é bom, disse que eu evoluí como escritor, ele pegou pra reler outro dia e ficou feliz de constatar algumas coisas. "Algumas coisas" é tão vago, mas eu nem fico pensando muito nisso, pois ele, ainda parecendo falar sobre meu livro, diz "mas o melhor narrador do século 20 é o Faulkner, você nunca leu nada do Faulkner, né seu bosta?". Faz 8 anos que eu fui embora de Goiânia e poderia ter lido alguma coisa do Faulkner nesse meio-tempo, mas esse bosta aqui continua sem nunca ter lido nada dele.
Os atuais escritores que meu pai mais gosta são Arturo Perez-Reverte e John Dunning. Queria muito que ele lesse tudo do Dennis Lehane, mas sinceramente eu não sei se ele vai gostar. Em compensação, o Dunning lançou um livro novo e a Cultura pode levar pra ele o livro que eu não levei.
Eu ando pensando nas madrugadas que eu não varei conversando sobre literatura com o meu pai.
- Sabe quem eu descobri que foi o Thomas Crown na primeira versão?
- Quem?
- Chuta.
- Não faço a menor idéia.
- Quem é o ator mais MASSA?
- Jack Nicholson?
- Ator massa, Lau, macho!
- Steve McQueen?
- Steve McQueen!!!!! - Sou muito mais o Pierce Brosnan.
- Tá louca? Pirou? Não tem nem comparação com o Steve McQueen!
- Eu não vou entrar nessa discussão, Randall, pode pegar mal pra você se alguém ver...
- Por que você pegou esse filme, Randall?
- Eu tava curioso, tinha gostado muito do livro, você também gostou.
- Que livro?
- "Até o Dia que o Cão Morreu", você leu na praia, lembra?
- Daquele seu amigo?
Aqui eu preciso só esclarecer que dizer que eu sou amigo do Daniel Galera seria um exagero tão grande quanto dizer que eu nunca tive nenhum contato com ele, pois uma vez mandei um e-mail elogiando certa parte da tradução de "Pornô", e ele respondeu, enfim, não sei porque a Laura acha que eu sou amigo dele, mas o sentido do lance enquanto coisa era mais ou menos esse, até que ela perguntou:
- Você tem certeza que o filme é baseado no livro?
Aí é que tá! Porque é difícil ter essa certeza, e o exemplo terrível que veio à minha cabeça foi "Nina", que dizem que foi baseado no "Crime e Castigo", quando na verdade existe uma forçação de barra pra enfiar o Dostoievsky no filme a todo custo. No "Cão Sem Dono" a forçação é menor, mas ao final não parecia um filme sobre aquele livro que eu li.
E aí eu penso no que o Mário anda dizendo sobre o que rolou no roteiro do carinha a partir de "Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet", até que um sujeito falou que "se ele vendeu os direitos autorais, não tem direito de reclamar", e esse tipo de gente que elabora raciocínios a partir da premissa que dinheiro resolve tudo me derruba o astral fodidamente, e a gente pensa que tá falando de arte, saca? Porra, o cara que vai ao cinema assistir o filme porque conhece o texto original tem todo o direito de reclamar se achar o roteiro uma bosta, IMAGINA O CARA QUE ESCREVEU!!!!
O Cruzeiro, favorito ao título, venceu, como todo favorito deve fazer em início de campeonato, mesmo contra o favorito ao rebaixamento na terra em que o Reitor da Faculdade de Medicina explica porque eles tocam berimbau. O time é horroroso, mas ainda assim, segue favorito!
Outro favorito é o Goiás, e confirmou seu favoritismo na estréia ao perder pro Náutico e iniciar a caminhada ruma à Série B 2009, vamos fazer com o Vila Nova um clássico de âmbito nacional, pois nem mesmo o campeonato goiano esses times conseguem ganhar mais.
Estréia boa foi a do São Paulo, perdeu em casa pro Grêmio, e eu fico me perguntando se fiquei louco ou se todo mundo costumava dizer que bola na pequena área é do goleiro. Porque nesse gol do Grêmio, o cara cabeceou MUITO na pequena área, a um passo do Proposta! Eu sempre defendi a teoria de que o Rogério era como um médico que tinha um hospital com outros sócios e, por fazer excelentes planilhas de excel, todo mundo considerava-o um excelente médico. Eis que começam a questionar suas qualidades como goleiro, justo quando parou de fazer planilhas de excel, quer dizer, gols de falta.
E o Palmeiras, amanhã? Acho que a gente ganha, e não queria que a gente contratasse esse carinha do Coritiba, sabe? Primeiro, porque sigo a teoria do meu pai: um cara que chama Keirrison, se fosse bom, alguém já tinha colocado um apelido no juvenil. E outra, isso de contratar revelação do Coritiba remete ao Alexotan e a propósito, nem campeonato turco de ponto corrido, Alex? Tá foda, hein?
Eu tava assistindo ao primeiro tempo do Corinthians na Série B e descobri que bom ator mesmo é o Thiago Pinheiro, irmão do Gabriel, pois vem convencendo a gente que é argentino e vem se virando bem como atacante no Timão, altos gols de cabeça...
- Vou começar a ler o Nick Hornby.
- Você ainda não começou?
- Não, tava lendo "Alguém Vai Se Machucar Hoje à Noite", livro do Thales de Menezes de 1991, que eu tenho vontade de ler desde que li no "Guttemberg Blues" a respeito.
- E é bom?
- Bom pra caralho, preciso agradecer ao Bac.
- Por que agradecer? Ele não vende livros, não é esse o trabalho dele?
- Ah, é que é um livro dificílimo de achar e... não dá pra explicar, mas quando você termina um livro assim, dá vontade de...
- Ligar pro autor e conversar com ele, Holden Caufield em "O Apanhador no Campo de Centeio", referência utilizada pela milionésima vez!
- Não... na verdade eu nem tava pensando nisso. Só quero agradecer ao Bac, mesmo, ele e a Rô, esse livro foi muito legal pra minha vida, só isso, eu deixo o Holden em paz e fica tudo certo.
- Saquei. Mas você é esquisito.
O Duda tá melhor, ainda bem, mas eu não. Ao contrário, piorei bastante, parece que Levaram a sério o lance de que eu preferiria estar 3 vezes pior desde que ele estivesse bem. Fair enough, porém, tem o lado ruim que é não poder chegar perto dele, e aí fico aqui pelos quartos onde ele não está, olhando de longe ele voltando à pilha e os olhinhos já sem vestígio de gripe ou febre - eu descobri que existe um "olho de febre", inconfundível!
Eu tava lendo a Bravo. Acho que foi a primeira vez que comprei essa revista, pois o Mário escreveu no blog dele que tinha uma crítica de "Tape", um texto do Mirisola e um do Domingos Oliveira sobre o Woody Allen. "Opa, preciso comprar essa revista", mas estou tentando descobrir porque bode eu não a comprava. Talvez sejam capas como essa do Ney Matogrosso, e eu nem tenho nada contra o Ney Matogrosso, pelo contrário, sem falar que a reportagem com ele também é bacana, enfim, acho que arrumei mais uma despesa pra mim. Ah, tem uma resenha boa sobre "Slam", o livro novo do Nich Hornby que eu já tenho, e volto a falar do Nick porque fiquei pensando no que o Michel Laub escreveu sobre ele no Estadão... tenho um certo bode quando descubro que o cara está escrevendo sobre algo que não curte. Não que eu ache que uma pessoa precise ser fã de alguém pra escrever sobre o seu trabalho, imagino que talvez seja até melhor que não seja o caso, mas quando se parte de uma antipatia, fica complicado e, na minha modesta opinião, perde o sentido.
"Randall, você é o nosso funcionário aqui na revista, escreve sobre gastronomia, preciso de um texto sobre a dobradinha do boteco zausky nadalson". Eu detesto dobradinha. Ainda que pareça insólito, com a dobradinha eles conseguiram inventar algo que eu simplesmente não consigo comer. Como eu posso dizer que a dobradinha é boa, ruim, meia boca ou qualquer coisa que o valha, se pra mim, é algo literalmente intragável? Aí eu penso na vida pra levar e nos reais que estão pra entrar, converso com dois ou três apreciadores da dobradinha do Zausky, descubro que ele já foi muito melhor, que tinha uma dobradinha chamada "Alta Fidelidade" que aparentemente é insuperável, mas que o chef anda perdendo a mão, as últimas dobradinhas são a prova disso, descreve de forma pormenorizada quais são os ingredientes da dobradinha, acentua a parte do cheiro e diz que estão lançando uma nova que segue a linha ladeira abaixo, ou seja, a menos que você seja um dobradinha-aholic convicto e inveterado, terminará de ler a resenha disposto a nunca experimentar uma dobradinha na vida! E quem ganha com isso?
Faz muito tempo que não passo um sábado em casa, nem me lembro quando foi a última vez, e devo dizer que estava sentindo muita falta, mesmo que pelos motivos apresentados e com isso vou deixar de dar os parabéns e um abraço (e dois livros usados) no meu arqui-bróder, contador e futuro cúmplice Fefas, que faz 47 anos amanhã mas comemora hoje em seu Solar Mancuniano, de onde promete me ligar Kakeando (nossa gíria pra quando estamos fazendo alguma coisa muito afudê e ligamos pro Kako avisando o cardápio etílico-gastronômico) em companhia do Neto e do Giba.
Fefas, quebra um galho pra mim? Você sabe da minha implicância com certos embustes esportivos, como Telê Santana, Ayrton Sexta Marcha, Rogério Ceni e o Oscar Schmidt, em quem andei pensando. Sabe aquele papo dele de que nunca aceitou convite pra NBA porque se aceitasse teria que abandonar a Seleção Brasileira? Eu nunca acreditei nesse papo, gostaria de ver a proposta que foi feita (não vale a proposta com fax da empresa do Rogério Ceni), mas pra matar no ninho a conversa fiada, surgiu uma dúvida: era proibido o cara da NBA disputar campeonatos da FIFA do basquete, ou os caras da NBA que tinham mais o que fazer? Sabe por que? É que eu me lembro que o Rolando era do Portland e jogava na Seleção Brasileira. Sim, estou esperando você terminar as gargalhadas ao lembrar que o Portland contratou o Rolando, deve ser o mesmo empresário do Doni, mas sacou?
O próximo embuste será revelado a partir do seguinte tema: TELÊ SANTANA INVENTOU O VOLANTE DE CONTENÇÃO!
Eu acabei de assistir "Cão Sem Dono" e provavelmente falarei dele depois, por enquanto eu só fiquei assustado com a Tainá Muller, fazia tempo que uma mulher não me assustava assim num filme. Acho que a Sharon Stone descendo do carro em "Cassino" e a Nicole Kidman no trapézio em "Moulain Rouge" sejam referências próximas ao que eu estou querendo dizer com assustador.
Os palpites do Fefas pro Brasileirão estão muito melhores, mais embasados e tale coisa, afinal de contas, ele é jornalista e eu sou apenas um fanático. Mesmo assim, "invejei" ele e mando aqui os meus:
O Cruzeiro é o favorito! Isso é indiscutível, ninguém é tão favorito quanto o Cruzeiro, seja qual for o campeonato, eles sempre acham que não é possível que possa existir no mundo alguém melhor que eles. O Cruzeiro resume o que há de pior no mineiro, daquele tipo que exige provas concretas e argumentos irrefutáveis se alguém ousar insinuar que Minsgerais não tem praia. Não sei como eles ainda não "anexaram" Guarapari.
O Atlético, por outro lado, não vai chegar a lugar nenhum, mesmo se for favorito. Porque sempre vai ter uma conspiração, eles lembram com mais carinho do jogo estranho contra o Flamengo no Serra Dourada, do que do seu monotítulo, no já longínquo 1971.
Nenhum time carioca vai ser campeão, de hoje ao armagedom, nunca mais! Eu até acho que o Botafogo e o Fluminense nunca teriam sido campeões brasileiros, mas me faltam argumentos pra impugnar o título legítimo do Flu em 84, apesar de entender que eles não tinham o direito de tirar o campeonato do Corinthians da Democracia. O Flamengo teve sua época com o Zico e o Vasco pode voltar a ganhar alguma coisa, nunca se sabe do que os Euricos que lá habitam são capazes. Sem euricagem, pode esquecer.
Do Rio Grande do Sul, vejo o Inter com alguma força, mas o Grêmio anda meio esquisito demais pro meu gosto, tá mais pro time que revelou o Joga Bonito Gaúcho do que o que nos brindou com Danrlei de Deus, Hugo de Leon, Renato Gaucho e Felipão. (Assim como o Fefas, faço um parêntese: acho o Ronaldinho Gaúcho uma enorme fraude! Se não fossem os comerciais da Nike e o Winning Eleven, com uma baita quebrada de galho do Felipão na Copa de 2002, ele seria um Araújo piorado)
O Vitória podia cair, e o Sport lhe fazer companhia, a não ser que, num gesto de magnânima dignidade, diga que não aceita nunca mais a conversa de Campeão Brasileiro de 87, que levem a Taça de Bolinhas pra Gávea e fim de papo, o time campeão daquele ano jogava com Zé Carlos (Copa de 90), Jorginho (Copas de 90 e 94), Leandro (Copa de 82), Edinho (Copas de 78, 82 e 86) e Leonardo (viado); Andrade (Copa de 90), Aílton (um operário) e Zico (O Zico); Renato Gaúcho (Copa de 90), Bebeto (Copa de 90, 94 e sabe Deus por que Copa de 98) e Zinho (Copa de 94). Qual outro time na história reuniu uma constelação dessa magnitude? Os outros dois candidatos ao rebaixamento são o Ipatinga (o São Caetano de Minas), e ao que tudo indica, o Goiás. Eu achava que eles estavam no caminho certo da Série B, mas mandaram o Caio Jr embora, então eu penso que se mandarem também o Harley, os objetivos sejam outros.
Falando em Série B, acho que o Corinthians sobe, mas vai ser uma pedreira. Me lembro com arrepios de 2003, e acho que o Palmeiras subiu porque deu muita sorte por ter surgido o Vágner Love e o Edmilson, além do Diego Souza e do Lucio terem jogado como nunca mais jogaram.
Os times do Paraná e Santa Catarina são café com leite, vão fazer figuração - se conseguirem ir muito bem, talvez uma coadjuvância, no máximo.
Faltou alguém? Sim, os dois candidatos ao títulos, nós e eles. O time do meu coração e o time que mais odeio provavelmente vão brigar de foice até o final, e eu queria muito acreditar nisso, mas não sei se o título do Paulista basta pra que eu volte a acreditar no Palmeiras, então vai ser o pragmatismo "Você SA" dos Bambis até que se prove em contrário, nessa toada Emerson Fitipaldi de conduzir o carro até o fim porque os outros vão quebrar. Seria bom que não quebrassem tanto, mas...
A Laura ficou gripadérrima na terça, uma daquelas de cair na cama e não conseguir levantar nem pra dar uma voadora com trava de alumínio na cara do Rogério Ceni. Na quarta de noite foi a minha vez, passei uma quinta-feira dos diabos e, quando cheguei em casa, era o Duda quem estava gripadinho e com febre. Eu não podia chegar perto dele, e ficava ouvindo suas reclamações, acabei descobrindo que não existe nada mais dolorido que isso. Ou deve existir, mas não quero descobrir.
Pois descobri também o quanto esse tipo de situação deixa a gente burro, pois precisei ir à farmácia comprar um inalador e a mulher começou a me mostrar modelos, inclusive um ultrassônico que, apesar desse nome, não faz barulho e esse era o diferencial que justificava custar mais. Sei que a sensatez deveria ter feito com que eu pedisse pra mina ligar os dois pra eu sacar de quanto barulho estávamos falando, mas mandei ver no ultrassônico mesmo, e me lembrei do Nick Hornby descrevendo a cena de quando o Arsenal ganhou o título que decretou o fim da fila: "Saí com os braços abertos imitando um avião, entrei na primeira loja de conveniência que vi pela frente e fui miseravelmente roubado ao pagar um preço absurdo por uma garrafa de champanhe vagabunda, pois o vendedor percebeu que a luz da inteliência não brilhava em meus olhos".
A pediatra fala com uma calma irritante que "é só uma febrinha" depois de informar que não tem infecção na garganta nem no ouvido, mas deixa a espada de dâmocles no lugar de sempre ao falar que a gente precisa esperar até domingo pra febrinha baixar, senão tem que levá-lo de novo pro hospital.
Domingo é dia das mães, o primeiro da Laura, e tenho certeza que o Duda vai nos presentear com um milhão de sorrisos banguelas e seus barulhinhos lindos, com a temperatura em 36 graus, de preferência.
Dá pra ir de São Paulo pra Sorocaba pela Castelo Branco e pela Raposo Tavares. Não discuto com aqueles que vão de carro e preferem ir pela Raposo, apesar de ser mais longe, mais congestionado e mais perigoso, pois pela Raposo não tem pedágio e economizar 18 reais por dia faz uma baita diferença.
Mas tem ônibus que vai pra Sorocaba pela Castelo ou pela Raposo. Continua sendo mais longe, mais congestionado e mais perigoso ir pela Raposo, mas aqui, é mais caro. De novo, não vou discutir com o cara que vai descer em Cotia, São Roque ou algum lugar "no caminho", me impressiona é o cara que chega na Barra Funda, se dirige ao guichê da Cometa sabendo que vai descer só em Sorocaba e pede uma passagem PELA RAPOSO. Mais caro, mais longe, mais congestionado e mais perigoso.
Me surpreendo, mas não deveria, pois convivo com um monte de gente que na hora de tomar algumas decisões na vida, escolhe ir pela Raposo...
Sei lá se você lembra dessa raça de cachorro, levemente prognata, chegado numa rosnada, de cara chata e peludo, normalmente fedido e que quase sempre pertencia à vó de alguém ou à amiga da vó de alguém. Lembrou? O que terá acontecido com eles, que não os vejo mais?
A Laura acha que hoje em dia as pessoas preferem ter Poodles e Yorkshires, ok, é uma teoria, quer dizer então que o Pequinês, digamos, saiu de moda? Ainda assim, onde foram parar os Pequineses obsoletos? Eu nunca mais vi um Pequinês...
Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick
Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre
outros.
Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo,
casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester.
Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado
e quer ser escritor quando crescer.
Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel.
Atualmente, tenta finalizar
seu quarto romance, Pizza Fria.
Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses
é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida
está sendo escrita pelo Nick Hornby.
Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as
variações permitidas em lei.