Acabei de escalar a Laura pra procurar Bala Chita Amarela nas mega distribuidoras de Sorocaba, mas pela surpresa que identifiquei na sua voz, foi como se eu tivesse sugerido que ela procurasse Kriptonita pra mim nas farmácias. Sei não, mas pode ser que todo esse empenho dos ecologistas em proteger o mico leão dourado pode ter eclipsado a existência das Balas Chita, levando-as à extinção.
Digo isso não por nada, mas sou o primeiro da fila a descer a ripa no Chaves, por se tratar de algo trash. No entanto, fujo dos meus pendores ao pouco convencional, pois assim como a maioria das pessoas, engrosso as fileiras de quem acha "Warriors - Os Selvagens da Noite" um filmão! Sei que o filme frequenta tranquilamente a fronteira da Bizarrice com a Tosquidão, mas é só ameaçarem de passar num sábado perdido da Globo, dubladaço, que eu me arrisco a perder alguns minutos dispensáveis da minha vida.
Alguém haverá de analisar por que nutrimos um carinho todo especial por aberrações cinematográficas como Karate Kid, O Rapto do Garoto Dourado, O Último Dragão (Who´s the master?) e A Primeira Transa de Jonathan? Sei que outro dia a Laura acordou e me intimou a mudar de canal, pois não entendia o que levava alguém a assistir um filme com o Lula, Evandro Mesquita e Sérgio Malandro...
"Os Novos Los Hermanos"? Sei não, até mesmo por que os originais nem estão tão velhos assim; mas, de qualquer forma, fui lá cumprir o meu "dever de ofício" e comprei o CD do Gram, que ainda não sei o que dizer além de "parece muito Los Hermanos"! Resta saber se parece de um jeito legal (no sentido de bacana, não no sentido jurídico) ou se é mais como "Uns e Outros" se "parecia" com Legião Urbana.
Em todo o caso, parece que lançaram um DVD dos Stone Roses (de verdade, não um documentário sem música dos Strokes que uma esposa bem intencionada, pero incauta, confundiu), só precisam contar pro pessoal das lojas. 12 ou 13 anos? É mais ou menos a quantidade de anos que separa a primeira vez que ouvi Ian Brown e seus asseclas desse lançamento. Sim, eu ainda balanço de leve a cabeça com aquela introdução de baixo em "She bangs the drums"!
Por último, sou tão contra essa refilmagem de Febre de Bola quanto eu era contra uma que cogitaram fazer de "Quanto Mais Quente Melhor", com o Jim Carey (antes de se tornar um cara massa) no papel do Jack Lemon. Substituir o futebol por beisebol é como trocar uma Pale Ale por Malt 90!
Foi muito feliz a Mariana Tramontina na semana passada, quando trabalhou o findie inteiro e disse que precisaria avisar seu corpo que a semana começaria de novo, pois ele parecia não saber. Hoje é assim comigo, com a diferença que no sábado e domingo eu trabalhei muito mais do que costumo trabalhar durante a semana, ao menos fisicamente. Ficar em pé, fazendo pequenos deslocamentos e preocupado com o desempenho de todo um setor, das 7:30 às 18:00 é foda! Tá bom, Jonathan David, there are worse things in this this world, mas eu consigo imaginar Neston maneiras de aproveitar meu findie. E aí no próximo a Laura quem vai trabalhar e fico imaginando quando o mundo vai voltar prum fuso horário mais orotodoxo; enquanto isso não vem, percebo que possuo uma certa inadequação com a contemporaneidade enquanto autalização das coisas a nível de entretenimento quando um colega, depois de uma exótica jornada de trabalho como essa, logo depois de comermos uma pizza confraternizante, me convidou pra ir dançar um zúqui. Sabe quando a palavra bate no cérebro e ecoa? Zúqui? Me briefaram que era algo como uma lambada francesa e, mesmo que não houvessem milhões de circunstâncias impeditivas, imaginei minha performance numa pista de algo cuja definição mais precisa seja uma espécie de lambada francesa...
E parece que o Palmeiras perdeu e rolou um vapor estranhíssimo na Maratona, mas pra que eu erre nas minhas previsões ouro-madalhísticas, vale tudo, desde a irmãzinha do Edílson escorregar até o Vôlei feminino amarelomangar e o Bimba se prejudicar com helicópteros e tale coisas. Só sei que era uma questão de adequar o Bernardinho a uma equipe sem TPM, dia de cabelo ruim, discussões de relação e chiliques pra ele ter sucesso.
E a pergunta idiota, surrupiada do Meu Inimigo: Será que o Giba comemorou a vitória acendendo um Beckinho?
Antes de qualquer coisa, eu queria deixar bem claro que REACIONÁRIO É A PUTA QUE O PARIU!
Dito isso, eu queria acrescentar que GREVE DE CU É ROLA!
Vamos por partes, na medida do possível, né? Até mesmo porque é audacioso falar mal de greve num país cujo Chefe de Estado & Governo pautou sua carreira política dizendo pras pessoas que Greve é o mó barato. Mas no caso dos operários, pobrinhos, eu até compreendo a deles, mesmo não concordando, o que pouco ou nada importa.
Agora, o pessoal do Poder Judiciário vir com essa de greve? Num país miserável, altos índices negativos e tale coisa, acho meio imoral uma galera que ganha como a elite DA ELITE, entrar numas de reinvindicações, principalmente porque eles ficam anos ralando pra passar num concurso e ninguém se submete a algo assim se não for pra algo que você realmente queira muito, demais, desesperadamente! E aí quando você consegue, faz o quê? Greve, pois acha que ganha pouco. Se o salário é menor do que você merece, por que se esforçou TANTO pra entrar? Sem falar que sua única função é tirar a bunda da cadeira, dirigir-se ao balcão e dizer: "Tá concluso, Doutor".
Algumas coisas eu nunca vou conseguir entender, mas com ou sem greve no judiciário, chegou-se a um acordo com relação ao lançamento do Cassino Hotel e a data de lançamento está mantida. Agora é só uma questão de tentar manter o João bem longe da Mel, prá não cutucar feridas pseudo-cicatrizadas. Não que eu tenha algo a ver com isso, mas se me perguntarem - e só se me perguntarem -, vou dizer que acho que essa história de liminar e quejandos tem muito mais de foro íntimo que jurídico...
Depois da infinidade de nadas contidas nas Cem Escovadas, da surpresa positiva com o "Vida de Gato" e da inigualável genialidade de "Budapeste", volto a um terreno que conheço bem e gosto de frequentar, que é o dos livros que inserem o rock´n´roll dentro do contexto. O livro do Dapieve é sensacional, daqueles de fazer 50 minutos de ergométrica passarem voando, assim como roubar os preciosos minutos de uma noite de sono. "De cada Amor..." veio como uma grata surpresa e confirmou toda admiração que eu tenho pelo Dapieve desde que travei contato com sua escrita.
Sensação agradável também é aquela que você sente ao encontrar um Better Than Ezra usadão na Velvet, por um preço irrisório. Sim, é o CD que tem At The Stars!
Nada é tão legal quanto atender uma ligação que a Laura fez só pra dizer que resolveu enfim ler o "Clichê de Verão" e adorou! No início ela se recusou, depois bodeou por que disse que meus livros parecem diários, depois engrenou e me deu um elogio que eu nem imaginava que ainda ia receber... eu sempre sonhei em escrever com ela sempre chegando atrás de mim, dando palpites, inserindo e retirando frases, tomara que seja o início de algo assim.
Isso foi o que de bom aconteceu nesse dia maldito, pois os advogados do pai da Mel conseguiram, mesmo com a porra do judiciário de greve, uma liminar impedindo o lançamento do Cassino Hotel!!!!! Pedi licença no trabalho e passei a manhã toda tentando (e Deus, como tentei!) despachar com um juiz de plantão, mas parece que vai ser difícil. Sei que a Editora acionou seu corpo jurídico, mas eu achei que poderia usar o trunfo de ter sido estagiário em Goiânia do advogado contrário, mas esqueci que antes de tudo, ele é ADVOGADO. E o Judiciário de greve ainda ajuda bastante.... Hoje à noite eu e o Giba provavelmente vamos virar a noite tentando alguma coisa, assim como os advogados da editora, mas acho que a própria Mel resolveria essa história se levasse um papo com o pai.
O Rafael precisava MESMO falar que tinha comprado o livro do Dapieve? Eu achei que estava em pré-venda, só no final do mês, algo assim. Ainda teve a audácia de me mandar a transcrição do primeiro capítulo, simplesmente ambientado num showzinho aí que eu fui com a Laura em janeiro de 2001. Tudo bem que "DE CADA AMOR TU HERDARÁS SÓ O CINISMO" não atingiu o nível de Espera Obsessiva de Cassino Hotel, mas veja aí se a resenha não deixa água na boca:
"A madrugada quente do Rio, foi ponto de partida do sonho. O cenário um show histórico da banda de rock REM. Homem olhou menina. Menina olhou homem. Não poderia ser tão ruim assim, aliás parecia absolutamente sensacional, se o homem e a menina queriam, aparentemente, a mesma coisa. As primeiras semanas de um amor podem fazer qualquer um acreditar na existência de Deus, ou pelo menos ouvir Michel Stipe com aquela alegria besta, como se a voz do roqueiro distribuísse um pouco de centelha divina sobre a Terra.
Em seu romance de estréia, cujo título é inspirado na música O Mundo é um Moinho de Cartola, o jornalista Arthur Dapieve constrói uma melancólica história amor. Dino um publicitário de 46 anos, foi um garoto que amou Elvis e os Beatles e um adolescente que se forjou ouvindo Neil Young. Homem-feito, filhos na faculdade, vivia um casamento morno e sem musicalidade. Adelaide era linda, ruiva e livre. Talvez poucos homens no mundo pudessem resistir ao seu encanto, ainda mais quando o frescor da amada trazia à tona um pouco do rock'n'roll perdido.
Experiente e castigado pela vida, Dino tinha certeza que estaria imune a uma nova paixão. Mas decidiu ir ao show. Sozinho, cantou com Michel Stipe e encontrou Adelaide. Conquistar a jovem estagiária da agência de publicidade transformou-se em uma obsessão. Inebriado pela beleza de Adelaide, Dino esqueceu-se que nem tudo é o que parece, que o mundo é um moinho, e que em pouco tempo não seria mais o que é."
* Pra quem não sabe, o Arthur Dapieve é aquele careca engraçado que apresenta um programa no GNT com o Marcelo Madureira (do Casseta & Planeta) e escreveu uma bela biografia do Renato Russo.
Estão querendo acabar com meu único momento de dedicação realmente exclusiva à música, que é o trajeto que faço de fretado diariamente. Recebi um e-mail da coordenadora do fretado dizendo que o alto volume do discman está incomodando os passageiros (sim, veio escrito no plural, pode acreditar). Me revoltou o fato da pessoa que senta do meu lado não ter simplesmente mencionado o fato, ao invés de ir chorar pra tia, fazendo com que depois de 15 anos eu levasse uma advertência. Mas andei pensando no seguinte: eu já dormi algumas vezes no fretado, então preciso saber o segredo de como eu durmo lá, pois se eu roncar como ronco normalmente, não seriam as sobras que saem do meu headphone que incomodariam as pessoas. Pode ser também picuinha, coisa de gente mal amada, mal comida e que escuta todo o tipo de música, "o que tiver tocando está bom; dependendo do lugar, qualquer tipo de música é boa".
Ainda não defini o que vou fazer a respeito, principalmente porque meus dias nessa lida estão contados, com a mudança definitiva pra São Paulo. Um definitivo provisório, se é que me entende, pois vamos alugar um cafofinho que mal nos caberá até alguém resolver comprar minha casinha. Enquanto isso, mesmo que baixinho, vou ouvindo Chico Buarque e desentendendo lances como "Te perdôo por fazeres mil perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz (ou não se faz)... te perdôo por te trair".
Totalmente oportuna a intervenção da Neiva sobre bad comments e perda de pontos, ainda mais por que a Laura sempre que entra no blog fica procurando chifre em cabeça de cavalo. Sábado mesmo, eu fui buscá-la no aeroporto e em menos de 8 segundos percebeu que eu havia mandado lavar o carro, mas antes que viessem os parabéns pela proatividade higiênica, ela não conseguiu evitar um "O quê que cê andou aprontando, hein?"
Segundo o Giba, cabia um "enchi o carro de biscate, tinha pé no teto e tudo, precisei dar uma lavada, né?"
Mas em homenagem a tudo isso que torna a vida da gente uma rollercoaster que quase sempre vale o ingresso, vai aqui mais um plagiozinho do mestre dos mestres:
Mulheres (Luis Fernando Veríssimo)
M = Mulher
H = Homem (Entra em casa)
M - Oi!
H - Oi!
M - Trabalhou muito?
H - Sim.
M - Tá cansado?
H - Um pouco.
M- Toma um banho!
H - Vou sim... preciso....... (Banho.)
M- Ué... vai sair?
H - Vou dar uma volta.
M- Sozinho?
H - É... sozinho.
M- Vai aonde?
H - Por aí.
M- Sozinho?
H - É.
M- Certeza?
H - Sim.
M- Quer que eu vá com você?
H - Não... pode deixar... prefiro ir sozinho.
M- Vai sozinho andar pela cidade?
H- É.
M- De carro?
H - Sim.
M- Tem gasolina?
H - Sim... coloquei.
M- Vai demorar?
H - Não... coisa de uma hora.
M- Vai a algum lugar específico?
H - Não... só rodar por aí.
M- Não prefere ir a pé?
H - Não... vou de carro.
M- Traz um sorvete pra mim!
H - Trago... que sabor?
M - Manga.
H - Ok... na volta eu passo e compro.
M - Na volta?
H - Sim... senão derrete.
M - Passa lá, compra e deixa aqui.
H - Não... melhor não! Na volta... é rápido!
M - Ahhhhh!
H - Quando eu voltar eu tomo com você!
M - Mas você não gosta de manga!
H - Eu compro outro... de outro sabor.
M - Aí fica caro... traz de cupuaçu!
H - Eu não gosto também.
M - Traz de chocolate... nós dois gostamos.
H - Ok! Beijo... volto logo...
M - Ei!
H - O que?
M - Chocolate não... Flocos...
H - Não gosto de flocos!
M - Então traz de manga prá mim e o que quiser prá você.
H - Foi o que sugeri desde o começo!
M - Você está sendo irônico?
H - Não... tô não! Vou indo.
M - Vem aqui me dar um beijo de despedida!
H - Querida! Eu volto logo... depois.
M - Depois não... quero agora!
H - Tá bom! (Beijo.)
M - Vai com o seu ou com o meu carro?
H - Com o meu.
M - Vai com o meu... tem cd player... o seu não!
H - Não vou ouvir música... vou espairecer...
M - Tá precisando?
H - Não sei... vou ver quando sair!
M - Demora não!
H - É rápido... (Abre a porta de casa.)
M - Ei!
H - Que foi agora?
M - Nossa!!! Que grosso! Vai embora!
H - Calma... estou tentando sair e não consigo!
M - Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?
H - O que quer dizer?
M - Nada... nada não!
H - Vem cá... acha que estou te traindo?
M - Não... claro que não... mas sabe como é?
H - Como é o quê?
M - Homens!
H - Generalizando ou falando de mim?
M - Generalizando.
H - Então não é meu caso... sabe que eu não faria isso!
M - Tá bom... então vai.
H - Vou.
M - Ei!
H - Que foi, cacete?
M - Leva o celular, estúpido!
H - Prá quê? Prá você ficar me ligando?
M - Não... caso aconteça algo, estará com celular.
H - Não... pode deixar...
M - Olha... desculpa pela desconfiança... estou com saudade...só isso!
H - Ok meu amor... Desculpe-me se fui grosso. Tá.. eu te amo!
M - Eu também! - Posso futricar no seu celular?
H - Prá quê?
M - Sei lá! Joguinho!
H - Você quer meu celular prá jogar?
M - É.
H - Tem certeza?
M - Sim.
H - Liga o computador... lá tem um monte de joguinhos!
M - Não sei mexer naquela lata velha!
H - Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!
M - Tá.. ok... então leva o celular senão eu vou futricar.
H - Pode mexer então... não tem nada lá mesmo...
M - É?
H - É.
M - Então onde está?
H - O quê?
M - O que deveria estar no celular mas não está...
H - Como!?
M - Nada! Esquece!
H - Tá nervosa?
M - Não... tô não...
H - Então vou!
M - Ei!
H - Que ééééééé?
M - Não quero mais sorvete não!
H - Ah é?
M - É!
H - Então eu também não vou sair mais não!
M - Ah é?
H - É.
M - Oba! Vai ficar comigo?
H - Não vou não... cansei... vou dormir!
M - Prefere dormir do que ficar comigo?
H - Não... vou dormir, só isso!
M - Está nervoso?
H - Claro, porra!!!
M - Por que você não vai dar uma volta para espairecer?
E o show de sexta, do Barfly? Pra começo de conversa, tinha que ter muito mais gente. Inevitavelmente, me lembro daquele show no começo do 24 Hours Party People, com pouco mais de 10 pessoas. Lembro também de alguns shows em Goiânia que eu resolvi não ir, embora fosse a duas quadras de casa - Legião no ginásio da Católica, por exemplo.
Quem foi, curtiu. Eu adorei, do meu jeito exageradamente fanático com aquilo que gosto, independente do guitarrista ser meu brother e do batera ter sido amigo na infância e serem de Goiânia, tale coisa. A Laura ouviu e disse que não sabe dizer se parece Travis, Teenage, Oasis... só coisas que eu gosto muito e como eu disse da primeira vez que falei da banda, resume tudo aquilo que eu ando ouvindo nos últimos tempos.
Se você confia no que eu gosto de ouvir, faça um favor a você mesmo e gaste uns poucos reais no EP de estréia da Barfly, sei que no meu amigo Carlos, da SENSORIAL, você encontra e pode comprar pela internet.
O Hiran e a Hiranildinha estavam como sono ou alguma coisa que o valha, ao contrário dos parceiros Roger e Mary Jo, companheiraços desses shows que nos dão a nítida impressão de que precisamos disso pra continuarmos vivos.
Um abraço pra você, Carlão, a banda merece todo o sucesso do mundo, embora atualmente seja o exemplo mais bem sucedido de diletantismo que eu já testemunhei!
Agora passou um pouco a raiva e vendo as apresentações, vi que a irmãzinha do Edílson perdeu por muito pouco. A espanhola e a chinezinha também vacilaram e as romenas fizeram o lance Schumacher de sempre, entraram pra ganhar, pouco importando se com espetáculo ou não. A Daiane é uma espécie de Denílson, faz coisas bonitas e geniais, que levantam a platéia, mas que não produz nada em termos de resultado efetivo. Com um pouco mais de propriedade escreveu o Kako, mas eu ainda acho que quando você chega na condição de favorito, tem que agir como o loirão do salto triplo: "E aí, escumalha, quanto eu tenho que saltar mesmo? 17 e tra lá lá? Pronto, vão pulando aí e tenta pegá nóis, mano. Fica pra próxima, então? Brigado, dá o ouro aqui e não enche o saco".
Além do quê, isso de ginástica olímpica e Romênia me remete a um episódio muito desagradável, na inauguração do ginásio de Goiânia, quando rolou um campeonatinho de basquete e o jogo em questão era Brasil x Romênia. Como homenagem aos visitantes, numa época de auge da Nadja Comanecci e tal, fizeram uma apresentaçãozinha de ginástica olímpica com a gurizada local, uma coisa tosca, com gente pisando fora do tablado e tudo. E o comportamento do público? Uma beleeeeeeeza, vaias, palavrões e gentilezas de estilo. Eis que ao final, o banco da Romênia se levanta, bate palmas de pé cumprimenta os atletas e, de repente, o técnico vira pra trás e balança a cabeça negativamente, olhando o público...
Lembro do desconforto do meu pai e do Helinho e tenho certeza que esse momento está em algum lugar no Top 5 dos dois na categoria "Ocasião em que senti vergonha de ser de Goiânia".
Gosto de Olimpíadas. Adoro, na verdade, não tanto quanto meu pai, que aproveitando uma feliz conjunção de empregos mamatas, entrou no fuso de Seul em 88 e assistiu tudo o que foi possível numa era sem TV a cabo. Se bem que a TV a cabo às vezes usa 3 dos 4 canais pra passar a mesma coisa (e o remanescente passando reprise). Assisto pelo prazer de assistir, sem aquele brasileirismo escroto alimentado por equipes de jornalismo que são: a) Mal Informados; b) Mal Intencionados; c) Completamente idiotas ou d) Todas as Respostas Acima. Sério mesmo, minha decepção com o negão do salto triplo ontem poderia ter sido minimizada se tivessem me dado a real: "Bem amigos da Rede Globo, o loirão da Suécia salta todas acima de 17.50 e o negão precisa de um sopro divino pra conseguir chegar perto disso, então desencana e curte". Até um Russo que tropeçou no próprio calcanhar ganhou medalha, mas até aí, convenhamos: o Gregório é o quinto melhor do mundo naquilo que faz, um feito considerável.
Nesse findie, fiquei assistindo por assistir... atletismo é muito bonito, gosto de ver saltos e arremessos. Ciclismo Indoor também empolga, assim como os jogos de basquete masculino. Acho de uma injustiça atroz eu não ser convidado pra trabalhar num desses Sportv da vida!
Gosto muito de Judô, por ter sido o único esporte em que realmente levei a sério e obtive relativo êxito. Até quando perdia eu curtia a luta, fui muito feliz de Kimono nos tatames por aí afora. Ah, que saudade dos tempos em que eu tinha joelho... O Leandro foi bem, mas a variedade e versatilidade com que o Flávio lutou foi o grande momento nosso esse ano. Me irritou demais o Honorato perder daquele jeito, mas na luta anterior ele já tinha ganho "administrando". Provou do próprio veneno. A Ishi, com 97 anos de idade ainda vai tentar compreender como foi jogada com tanta facilidade em tão pouco tempo. Mas o altíssimo nível das lutas enche os olhos!
Gosto do Vôlei, ainda em respeito àqueles abnegados rapazes que foram humilhantemente massacrados pelos EUA em 84, mas deram um exemplo tão saudável que o resultado é esse aí que nós vemos. O Feminino ainda me inspira desconfiança e o pessoal da praia costuma esquecer as garrafas vazias em casa.
Basquete feminino? Legal, mas deveria ser ilegal a Paula e Hortência se aposentarem. O Masculino eu não gosto, ainda vai demorar muito tempo pra eu esquecer que o Oscar tratava a seleção como se fosse um timinho de bairro cujo objetivo era fazer com que ele batesse recordes sem maior importância. Esse ano nós não fomos, mas não me lembro de termos ido realmente alguma vez...
Não entendo nada desses barquinhos, mas sou meio fã do Scheidt. Nos Jogos passados, eu não entendi como ele não deu com o remo na lata do inglês que ficou bloqueando o vento, mas dessa vez ele sobrou! Da mesma idade que eu, lembro de quando ele tentou ganhar a Tríplice Coroa de Goiânia ainda nas categorias mirins, mas eu reinei soberano nas regatas do Córrego Botafogo, Meia-Ponte e Capim Puba.
E hoje é dia de ver se a irmãzinha do Edílson trouxe as garrafas vazias de Porto Alegre. Eu também não entendo aqueles saltos e movimentos, mas normalmente dou um salto na poltrona a cada vez que ela decola... tomara que ela não escorregue dessa vez!
Minha previsão, que tem 99,9% de chances de dar errado, é de 5 medalhas de Ouro.
Título do romance de estréia do Arthur Dapieve, segundo e-mail gentilmentente enviado pelo Rafael, carioca que me alimenta com as crônicas do Arthur, uma vez que eu nunca lembro o endereço correto. É um título do caralho e eu sei que é um verso daquela música do Agenor que o outro Agenor gravou e ficou legalzinha, mas eu simpatizei de cara e me senti levemente absolvido. É que no meu romance de estréia, que só existe na memória de poucos que leram (na da Mariana especialmente, que tem a audácia de me dizer que é meu melhor livro), também teve o título surrupiado de uma letra de música. "A Sombra de Um Sorriso que Eu Deixei..."
Mas nada como uma segunda-feira calorenta pra nos lembrar que o Mundo é um Moinho.
Conheço esse cara. Não me é estranho, de onde eu conheço? Mais velho que eu, definitivamente, mas meio parecido comigo - mais magro, bem mais magro. E de barba. E vem falar comigo?
- Fala Randall, tudo bem?
- Eu...?
- Sim, você me conhece. Quer dizer, eu te conheço, você ainda não.
- Não tem graça... - olhei um pouco e foi como se eu me olhasse no espelho. Susto! E o óbivo apareceu - Você é o Randall 40? Escrevi sobre meu encontro com o Randall 20 quando estava perto de fazer 30 anos, você é "eu" com 40 anos?
- A minha idade não importa, mas seu raciocínio procede. Eu sou mais ou menos você. Sou Homem. Sim, você deve estar pensando naquela cena final da peça do primo da Laura que recém assistiu e foi exatamente por saber que tal fato ainda está fresco na sua cabeça que eu escolhi essa ocasião pra aparecer. Eu sou o Homem. Você Adulto, apesar de detestar essa palavra e mesmo essa idéia, nem me venha com aquela música dos Walverdes, isso é inexorável! E não é tão ruim assim, você preferia estar morto?
- Você apareceu por alguma razão especial? Quer me dar um aviso ou algo que o valha?
- Queria te ver. E queria que você me visse.
- Você está magro!
- Sim...
- Como?
- O que você acha? Fechando a boca, fazendo um regime decente, indo ao médico, praticando exercícios, bastou querer! Entendeu?
- E parou de roncar?
- Uma coisa ta ligada a outra, foi natural.
- E não larga mais roupa pela casa?
- Ah, isso um dia ou outro acontece, mas olha aqui: gravata no puxador da geladeira, Randall?! Faça-me o favor, hein?
- O que mais?
- O que você quer saber? Só não respondo sobre pessoas estarem vivas ou mortas, saiba que muita gente que você gosta encontra-se numa idade provecta.
- Eu trabalho no mesmo lugar?
- Sim. E ainda acha que é o melhor lugar do mundo para se trabalhar.
- eu tenho filhos?
- Tem um. Não vou falar o sexo por que vai ser legal a expectativa; nem o nome, pois vai ser um momento importante pra vocês curtirem. Mas não vai ser nada estapafúrdio como Obi-Wan, Stuart Murdoch ou Luvanor...
- Eu nunca quis que meu filho chamasse Luvanor!
- Ainda... mas não subestime a sua capacidade de perder completamente a noção do ridículo, VOCÊ CANTOU PAIS E FILHOS NO DIA DO MEU CASAMENTO!!!!!
- A Laura até hoje...
- ATÉ HOJE!
- A Laura... eu e a Laura... a gente?..
- Sim... claro que sim! Em São Paulo, deu tudo certo o lance da mudança, apesar dos acidentes de percurso e tudo. Vocês vão viver momentos inesquecíveis, mas não vai ser fácil. Se você acha que ralou ao conquista-la quando vinha de Goiânia a Sorocaba de ônibus todo mês, ainda não viu o que terá que fazer pra conquista-la depois de casado... mas vale a pena! Vale muito a pena e você terá plena certeza disso! Basta querer, basta se esforçar, tem que estar disposto!!!!! Precisa parar com certas coisas, Randall. Parar com isso de comprar guitarra que não vai tocar, de pensar em livro que não vai escrever...
- Você sugere que eu pare de escrever?
- Ah, você ta escrevendo alguma coisa?
- Não, eu...
- É disso mesmo que eu estou falando! Você colocou o ponto final no Clichê em 01 de maio de 2003, de lá pra cá produziu o quê? Diz pra mim? Falta de tempo? Sem computador? Define o que você quer fazer, o que você quer ser, E FAÇA! Não fique se enganando com sonhos que nunca vão acontecer se você não contribuir ao menos com a sua parte.
- Os churrascos no Giba...
- Continuam acontecendo! É bonito ver meu filho brincando com o neto dele e acho que eu falei muito. Você continuará fazendo amigos em cada lugar que chega, mas precisa ser mais cuidadoso em mantê-los. Você precisa melhorar muito ainda... eu ainda preciso!
- Eu consegui comprar os 12 óculos?
- Você percebeu antes disso que era uma imensa bobagem. Mas tem uns 9...
- E o blog, você também acha uma bobagem?
- Não... faz bem pra você, deixa sua auto-estima melhorzinha. Ela nunca foi das melhores... é uma saudável egotripzinha.
- Acho que foi a primeira gíria que você falou! Você não usa mais gírias?
- Isso é algo que você deveria pensar a respeito...
- Eu tenho algum CD de jazz ou do Djavan em casa?
- Êêêêê... ta me estranhando?
- Essa barba...
- O que tem minha barba?
- A Laura não te azucrina por causa dela?
- Não. Eu fiz por merecer.
A Blockbuster e essas promoções de filmes pré-locados me enchem de alegria. Agora detenho o melhor de todos: Pulp Fiction, por meras 12 pilas. Em homenagem a esse fato apenas e tão somente importante a mim, posto o melhor diálogo de todos os tempos:
"- ...Enfim, o serviço é bem simples. O único problema é que eles podem estar armados.
- Armados? Como assim, armados? Armados com o quê?
- Mau hálito, gírias, um espanador de pó... armados com o quê? Com ARMAS!
- Mas você chegou dizendo que era um serviço simples, e de repente a coisa está parecendo um dia ruim na Bósnia!"
Sei que o diálogo não é de Pulp Fiction, e sim de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, que junto com Amor à Queima-Roupa formam a Trindade Suprema dos filmes de carnificina. Carnificina com história, ressalte-se. Snatch é mais limpinho e ainda não vi Cães de Aluguel. E daí, também não vi Trainspotting...
Assim vai ficar difícil... abro despretensiosamente uma "Veja" e quase não acredito no que leio: Bohemia sabor Pale Ale! Sem frescura ou metrossexualismo cervejeiro, mas a Pale Ale é o meu sabor favorito de cerveja, o único problema é que, mesmo a Baden Baden nacional custa a soma do quadrado dos catetos do olho da cara!
E aí eles me lançam uma Bohemia com tampinha igual a da Grolsh por R$ 3,50 no super mercado? Aaaaaaaahhhhhhhh! Queria dormir sonhando com um ligeiro engradado das danadas, uma providencial chegada numa loja de copos pra comprar os que tem a medida exata de uma Pint e esquecer um pouco da vida, com a Laura do meu lado e Jesus and Mary Chain no último volume!!!!
Dormi pouco depois das 8 e meia, assim que terminei o prefácio do Maurício, jantei um cachorro quente ordinário e não sonhei com absolutamente nada.
Tudo começou quando eu pedi pra Blue me ajudar a encontrar uma letra de música (uma daquelas que eu praticamente sei de cor, mas preciso ler pra ter certeza, sabe?) e ela me deu o link de um site superbacana, que além de me dar a letra, instalou uns dois programinhas unclefuckers aqui no computer, que tá lerdão e sofrendo uma varredura nazifascista pra detectar irregularidades. Uma das coisas legais que esse programinha faz é não permitir que abram pop ups, então estou sem ler meus comments e sem ter notícias olímpicas. Ano passado fiquei quase 5 meses sem abrir pop ups e precisava de esforços de reportagem via Paulo F pra ler meus comments. Mesmo assim, a Blue é a Blue e tá tudo certo. E a música... diz aí:
SOMEBODY (Depeche Mode)
"I want somebody to share
Share the rest of my life
Share my innermost thoughts
Know my intimate details
Someone who'll stand by my side
And give me support
And in return
She'll get my support
She will listen to me
When I want to speak
About the world we live in
And life in general
Though my views may be wrong
They may even be perverted
She'll hear me out
And won't easily be converted
To my way of thinking
In fact she'll often disagree
But at the end of it all
She will understand me
Aaaahhhhh....
I want somebody who cares
For me passionately
With every thought and
With every breath
Someone who'll help me see things
In a different light
All the things I detest
I will almost like
I don't want to be tied
To anyone's strings
I'm carefully trying to steer clear of
Those things
But when I'm asleep
I want somebody
Who will put their arms around me
And kiss me tenderly
Though things like this
Make me sick
In a case like this
I'll get away with it
Aaaahhhhh...."
Facínoras & Sacripantas que perderam a oportunidade de se reunir com uma galera do caralho, tomar umas e ouvir música boa, nessa sexta 20/08, há uma chance de redenção:
Show da Barfly no Portinari, que fica no Hotel Cambridge, Centrão, conforme flyer ao lado. Horário? Aquele mesmo de sempre. 15 pilas de consuma, tá dentro, né? O Luiz da Zero discoteca seu incrível set list na companhia do Jardel, que eu nunca vi discotecando, mas levo fé no seu refinadíssimo gosto musical.
Eu esperei muito por esse show, você vem comigo? Prometo pagar uma cerveja pra quem não me deixar sozinho.
Gosto muito de elogios sinceros, mesmo aqueles exageradíssimos. Lembro da "Tia" Nélia, à época apenas mãe da amiga de uma guria que eu namorava - mas que entrou para a história como o primeiro adulto a ler um livro meu -, que leu meu primeiro livrinho e ficou meio impressionada com o manuscrito escrito sem rascunho e sem pensar duas vezes, disse que Mozart também compunha assim, sem rascunhos.
Meu Deus, Mozart!
Teve uma outra ex-namoradinha que não era gostava de ler nada, pegou um livro meu, depois outro e outro; não tendo mais Duda Cizauskys (meu antigo pseudônimo, risadas proibidas) disponíveis, emprestei Feliz Ano Velho pra ela, que disse: "Nossa, ele escreve parecido com você..."
E agora nem é um elogio, mas uma felicidadezinha boba, onde me esbaldo depois de demorar um pouco pra pegar um lance em Budapeste, percebendo que os personagens (algumas ruas e praças também) tem todos a mesma origem: aquele inesquecível esquadrão húngaro que perdeu a Copa de 54, normalmente comparado com a Seleção Brasileira de 82, que foi de onde eu tirei os nomes dos personagens do Filho do Meio: Arthur (Zico), Serginho, Oscar, Júnior, Sócrates, Pedro (Pedrinho), Paulo Roberto (Falcão)...
O nó apareceu no final sim, Giba, preciso ler de novo. Mas Maíra, qual a metáfora?
Severino é o mais próximo que os Paralamas conseguiram chegar de produzir uma Obra-Prima. Sensacional, meu disco favorito disparadamente e a única forma em que acho concebível escutar Tom Zé (ou mesmo escutar uma música que ele compôs). Lembro de uma entrevista do Herbert à época do lançamento e com aquele jeitão pernóstico ao extremo, ele dizia que tocavam instrumentos pouco ortodoxos e essa é uma das minhas imitações que o Pescoço mais gosta que eu faça.
A crítica torceu o nariz e o público virou as costas. Eu comprei num desses balaios das Americanas por uns R$ 5,90. Réquiem do Pequeno, brilhantemente citado aqui pela Neiva, é uma das músicas que eu mais gosto no rock nacional (meio antecipava o que Los Hermanos viriam criar).
Mas como vendeu pra mim, pro Pescoço e pra mais uma meia dúzia, eles me aparecem com uma parceria de composição com o Carlito Marón e participação especial do Djavan (alguém precisa de sinais?). Na sequência, um disquinho bonitinho, que eu até gosto bastante, mas que tem a música mais nojenta deles: Loirinha Bom-Bril.
Que eu acho que meio que influenciou negativamente o Skank, donde eu tiro 5 músicas que eles poderiam desencanar:
1- Jackie Tequila
2- Garota Nacional
3- Pacato Cidadão
4- É Proibido Fumar
5- Zé Trindade
Há muito tempo atrás, numa cidade muito, muito distante, eu e meu primo comíamos num Chinês quando tocou meu celular:
- Alô? Fala, véi. Hummmmm... pérumpouquinho, eu sei, eu sei... LOUISE CARDOSO, certeza! Falou, abraço! - desliguei e pra tirar a cara de espanto do meu primo, esclareci - Um amigo meu de faculdade querendo saber quem tinha feito o papel da Leila Diniz num filme antigão aí...
Adoro esse tipo de situação! E agora mesmo, uma amiga me ligou de dentro da Nuvem Nove perguntando qual CD dos Pixies deveria comprar primeiro.
É, eu não sei cozinhar nem resolver problemas de congestionamento de trânsito com o poder da mente, mas tenho lá minhas utilidades...
O Kako escreveu melhor sobre o evento em si, a Maíra me matou de rir com seu testemunho do show, um pouco obliterado pela presença dos Paralamas e de pessoas que vão a qualquer aglomeração onde se paga R$ 15,00 para estar (no caso, o show foi obliterado, não o texto). Mas sabe aqueles tipos que são quase uma lenda, que vivem dizendo por aí que existem mas você nunca encontrou? Pois eu estive com um cara que disse que Los Hermanos tinha sim que tocar Anna Júlia, que era a única música deles que prestava e por aí afora. Tive que soltar um "mas você já ouviu outras músicas deles"? E devo dizer também que a minha boa vontade com o rapaz não é das maiores, pois é o mesmo que, conforme já escrevi aqui, um dia entrou na garagem do prédio do pai da Laura cantando (eu diria INTERPRETANDO) "Still loving you", aquele crime de lesa-roquenrol dos Scorpions. Anti-RobFlemingzando, o Ti acha o cara gente boa pra caralho e ele deve ser mesmo, mas sabe qual é? Ainda acho que o grau de civilidade e comportamento aceitável das pessoas num show tem a ver com o preço do ingresso, o que nos leva a uma conclusão terrível!
Podem dizer também que shows de rock são lugares pouco recomendáveis para pessoas com mais de 30 e só concordarei resignado ao final de impiedosa tortura, mesmo tendo que assistir a comportamentos degradantes e absoluto desrespeito ao direito alheio de se divertir. Me consola saber que no Teenage, Belle and Sebastian, REM e - principalmente - Coldplay eu pude assistir o show sem ter a sensação de que a qualquer momento a horda de Vizigodos iniciaria os saques e tomada de reféns...
Por via das dúvidas, a culpa é dos Paralamas. Quê que eles tinham que fazer show no mesmo dia do Los Hermanos? O show dos barbubos foi mais curto e houve quem dissesse que faltou tesão, não sei. Sei que o Camelo apareceu sem barba e faltou muita música, especialmente "De Onde Vem a Calma" e "Conversa de Botas Batidas". Mas enfim, terminado o show, era a hora e a vez da galera do bem se reunir na Casa Mais Divertida pra comer Picanha e tomar Brahma, mas quiseram ficar pra ver os Paralamas... tudo bem, Constituição Federal, Ir & Vir, Liberdade, etc, mas eu devo ter visto uns 30 shows deles, no esplendor da forma física e técnica, dos Óculos ao Severino e até o Acústico vermelhão. Por que eu iria num show assim meia boca? Reclamaram depois que o Herbert falou muito entre as músicas, mas por quê a surpresa? Se antes ele já falava, imagina agora que é exemplo de superação e luta e isso e aquilo?!
Foi muito legal no fim, mas era pra ter sido perfeito, do início ao fim! Veio gente das Cruzes e de Curitiba, não podia ter dado nada errado, nem as falhas de comunicação nem os casos fortuitos e de força maior. Eu fico com a impressão de que nunca consigo deixar marcas 100% positivas nas pessoas, sempre dou um jeito de cantar Pais e Filhos (e suas inúmeras variações, ninguém perde tantas oportunidades de ficar calado como eu). E depois, acaba ficando aquela sensação de "vazio" quando termina, na casa vazia, na cabeça cheia, no corpo doído... sozinho na neve de novo, a Laura foi pro Rio ontem de noite, só volta domingo.
"Veja bem meu bem..."
Mas se você quiser ler um texto realmente bacana sobre o findie em Manchester, vá no site do meu hóspede, aqui, Ó!
Boa Noite, Sorocaba! O show de hoje foi muito bacana e agora nós vamos tocar a última, que vai pro Randall, também conhecido como O Los Hermanos da literatura nacional:
"De onde vem a calma daquele cara ?
Ele não sabe ser melhor, viu? Como não entende de ser valente
ele não saber ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
Às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil
De onde vem o jeito tão sem defeito
que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso tão indeciso
Esta se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão
Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim."
"Existe até quem me ache legal, mas na verdade eu sou insuportável. Tenho hábitos e manias que certamente as pessoas só aguentam por educação, delicadeza ou amor.
Defendo teses estapafúrdias com fervor, considero qualquer coisa que eu goste a melhor do mundo, qualquer coisa que eu não goste a pior e procuro, a todo custo, fazer com que os outros tenham a mesma opinião. Sou uma espécie de acionista majoritário da verdade e da razão. Como se não bastasse, ouço música muito alto, acordo de madrugada para preparar sorvetes e acabo esquecendo a luz do quarto acesa ou produzindo ruídos incompatíveis com o horário. Tenho uma memória incrível, me lembro de absolutamente tudo, só que única e exclusivamente do que me interessa. Não carrego malas, detesto. Nem sei cortar as unhas sozinho.
Em época de Olimpíadas em países distantes, com grandes diferenças de fusos horários, sou medalha de ouro na categoria pior sujeito do mundo para uma mulher ter ao lado. Ponho o despertador pra tocar as três da manhã só pra não perder a transmissão de qualquer esporte, por mais desinteressante que seja, e, ainda por cima, exijo participação: "Olha só como arremessa dardo esse Esloveno!"
Evidentemente esses não são meus únicos defeitos. Tenho muitos outros, em diversas áreas. Alguns até Impublicáveis..."
Esse texto não é meu, óbvio! Apenas algumas manias minhas são compatíveis com a desse genial Corintiano que é o Washington Olivetto, definitivamente meu sócio! Conversando anteontem com o Rock´n´Roll, chegamos à conclusão que um sujeito genial como ele não pode ser um chato, com certeza bebe! O Kajuru é Hors Concour em matéria de falar merda, mas na entrevista dele na Playboy ele cunhou uma frase lapidar: "Eu não dou conta de conversar com sujeito que não bebe". Tem gente que sai pra balada e bebe água a noite inteira, mas aí estamos falando de uma sub-raça de pagodeiros, gente que mata os outros e chora assassinando um clássico da bossa nova na frente do Bush.
Giba, no esquenta ou no esfria dos Barbudos, qual o tratamento dispensado a quem pretende varar a noite sem ingerir Álcool?
Fato bem lembrado pelo André é o aniversário de 15 anos do melhor disco de todos os tempos - não segundo revistas estilosas do UK, mas segundo minha paupérrimo opinião - que a Laura diz que é o disco daquela minha camiseta horrorosa das laranjas.
Só para o caso de alguém perguntar, "She Bangs The Drums" é a minha favorita e estará sempre presente no repertório dos Anselmos.
E aqui vai uma homenagenzinha aos caras de um texto que eu roubei da "Bíblia" e postei no dia do meu casamento...
"Coloco prá tocarShe Bangs The Drums, dos Stone Roses, e todo mundo faz uma tentativa, por dever de consciência, embora somente os melhores dançarinos fossem capazes de tirar algo dali, e ninguém na sala poderia pretender ficar entre os melhores dançarinos, nem mesmo entre os medianos. Quando Laura ouve os acordes iniciais, ela gira nos calcanhares e e joga os polegares prá cima várias vezes, e eu começo a montar na minha cabeça uma fita para ela, algo que esteja cheio de coisas que ela já ouviu e coisas que ela vá tocar. Hoje à noite, pela primeira vez na vida, eu meio que vejo como é que dá prá fazer isso."
Bom, a galera de Pinda deu um "Pindura" no Meeting que ia rolar sábado em Manchester, mas aproveitando a pergunta da Mary Jo, na próxima sexta, dia 20, num hotel mal assombrado no centro de sampa vai rolar o tão aguardado (ao menos por mim) show da Barfly. Ti e Blue já aderiram e estampam o flyer em seus blogs, quero ver todos os sacripantas e facínoras por lá, hein? O único downside é que ou estar em carreira solo, a Lau vai traduzir-monitorar um curso no Rio.
Barfly dia 20 em sampa, com discotecagem do Luiz da Zero (não falo de futebol pelos próximos dias) e do nosso amigo Jardel, aquele que acha que Morrisey e Belle and Sebastian não estão com essa bola toda, não.
E por último, pena que os indies vão dar W.O. em Manchester, pois eu já estou na regressiva praquele momento em que o Camelo entra meio buarqueanamente tímido, saca sua guitarra ao mesmo tempo em que Sir Amarante empunha sua Verde, saem os primeiros acordes e o show é nosso, que respondemos: "Olha lá, quem vem do lado oposto vem sem gosto de viver..."
Se tivesse um companheiro disposto, eu até iria à Gaiola das Loucas hoje ver o Verdinho contra o Village People F C, estou com um feeling interessante pra essa partida. Tentei apostar de tudo com meus amigos Bâmbis, mas eles parecem não confiar tanto no time - ou andam temendo o Gigante da Serrinha -, vou acabar assistindo o jogo sozinho.
A motivação desse texto é um comentário do Beto num post abaixo, mas deixa eu fazer uma digressão e enfiar o pobre do Veríssimo aqui... tem um texto dele em que marido e mulher vão comemorar 20 anos de casado num restaurante que tinha o melhor bolinho de bacalhau que eles já tinham comido. Chegando lá, concluem que o bolinho não é como naquela época, nem é de bacalhau. A mulher diz que talvez nem naquela época fosse de bacalhau, mas o marido diz que eles comiam como se fosse e até reviravam os olhos!
As interpretações a partir daí são várias e eu até cito uma pizzazinha ordinária dum restaurante que tinha perto do Flamboyant, e a gente ia depois do sacrossanto cinema de domingo, que pra mim era a melhor pizza do mundo.
Também no futebol, a gente tem uma mania de idolatrar aqueles do passado. No churras do Padrin, a Neiva disse que hoje não existe no Goiás jogador igual ao Carlos Magno! E eu tentei me lembrar... ele era bom, mas não ganhou nada muito representativo, não me encantava tanto, machucava muito e jogou pouco tempo no Goiás, mas é constantemente lembrado, formando com Uidemar e Luvanor o "Goiás de Todos os Tempos" de muita gente com menos de 30. E a seleção de 82? Parei pra pensar e sabe a que conclusão cheguei? Que aquele time mágico, fenomenal, do Quadrado Perfeito de Falcão-Cerezo-Zico-Sócrates e os laterais lancinantes, fez 5 (APENAS 5) partidas! Uma sofrível que nos custou a eliminação; uma média, que nos garantiu uma vitória na bacia das almas contra a URSS; duas excelentes, contra Escócia e Nova Zelândia, e uma inesquecível, contra a Argentina. Mas ainda assim, foram só 5 partidas... e até hoje todo mundo fala naquele time como seu favorito em todos os tempos (até eu, se desse pra trocar o Chulapa pelo REInaldo e o Cerezo pelo Dunga ou alguém capaz de acertar um passe sem colocar em risco toda uma campanha de Copa do Mundo).
E o Beto citou, na sua relação de grandes esmeraldinos, o Fagundes. O que me lembrou um dia ali por 87/88, uma entresafra terrível de talentos, onde quem se sobressaía um pouco era o Valdo, falso ponta do Grêmio e titular absoluto da Seleção Brasileira. Era um Goiás x Ceres ou qualquer coisa que o valha, e o Fagundes, carinhosamente chamado por nós de Operário da Bola, fez uma bela jogada no meio campo que redundou em gol, nos tirando da modorra. O Helinho vira pra nós (eu e o Coroa) e diz: "O Valdo é só um Fagundes que nasceu em Porto Alegre, né?"
E era!
Hoje o Goiás é muito mais do que era naquela época, mas nós revirávamos os olhos com um chapéu do Wallace, uma arrancada do Formiga, um pênalti defendido pelo Eduardo, umas garrinchadas do Cacau, lançamentos do Péricles, passes precisos do Uidemar e cruzamentos perfeitos do Zé Teodoro...
Eu até ia publicar mais um e-mail chauvinista que recebi, cuja temática era algo como "Coisas que Você Nunca vai Ouvir de sua Mulher" e tinha no meio de frases toscas, umas geniais, como: "Nossa, como você está estressado, quer um boquete"? "Que peido incrível, você consegue peidar assim de novo"? Ou "Huuuum, esse seu bafo de cachaça às duas da manhã me deixa com um tesãããããão..."
Mas sejamos ao menos um pouco mais elevados no nível das citações e com o devido perdão pela repetição, vai mais uma do Buarque de Hungria, que entra fácil na categoria de coisas que enlouquece uma mulher (e não daquela maneira que existem duzentas e tantas outras segundo o livro):
"Mulher, você vai gostar
Tou levando uns amigos pra conversar
Eles vêm com uma fome que nem me contem
Eles vêm com uma sede de anteontem..."
É sério! Fico imaginando a cara da Laura se saio no sábado de manhã pra jogar futebol e volto perto da hora do almoço com uns amigos pra comer uma feijoadinha...
Sendo hoje 11 de Agosto, Dia do Adêvogado, eu queria dizer o seguinte: PINDURA é o caralho! Sou contra, acho isso algo abominável, provavelmente já escrevi ou disse algo a respeito, mas nunca é demais. Acho que uma boa questão na prova de ética no exame de ordem seria: "você alguma vez já participou da atrocidade chamada Dia do Pindura"?
Falando sério, a tradição restringia-se apenas aos alunos de Direito da USP e assim deveria permanecer, mas quanto mais Unibosta for a faculdade do sujeito, maior é o seu engajamento com o movimento hediondo do Pindura. Eu ia fazer a mesma analogia com trote em calouros (bixo aqui em São Paulo), mas nesse quesito, ninguém supera em termos de debilidade mental e fraqueza de caráter os estudantes de medicina (que no decorrer da vida, aprimoram essa insuperabilidade e a expandem).
Fora isso, parabéns aos meus colegas Giba, Flávia, Fátima, Cláudio Henrique, Carlos Alexandre, Samantha, Rafa, Fê, Hiran e todo o resto que eu possa eventualmente ter esquecido.
Eu mesmo não li, sei lá se movido por algum sentimento pseudo-indie de anti-hype, mas por inúmeras oportunidades o tal "Código Da Vinci" bateu à minha porta e eu fingi que não era comigo. Mas por alguma razão eu resolvi indicar pro meu pai, o sujeito mais ranheta, crítico e exigente que eu conheço - e me legou, dentre outras coisas bacanas ou não, esse lance de me sentir o acionista majoritário da verdade. Ao cumprimentar o coroa no Dia dos Pais, "bosta" e "desgraça" foram os adjetivos mais suaves que ouvi a respeito do livro, que meu pai qualificou mais picareta que o Paulo Coelho. Eu deveria ter desconfiado quando pessoas sem muito pendor literário apareceu com esse livro a tiracolo, como um sujeito que pedalou do meu lado outro dia: chegou com o "Código", mas leu duas "Caras" e uma "Veja" antes de abrir o livro por poucas pedaladas antes de dar o tempo dele.
Acaba que eu não vou ler o livro, ao invés disso vou finalizar o "Budapeste", que ontem nem me deixou perceber os 45 minutos de pedal, o Pagão do Politheama é foda! Esse eu estou lendo em desobediência ao coroa, que detestou o "Estorvo", mas vai ganhar o "Budapeste".
E assim que finalizar as desventuras magiares do Zsose Kosta, acho que vou de Alain de Botton, enquanto o "Cassino Hotel" não vem.
"Uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta"
Foi assim que iniciou meu primeiro texto realmente importante: a redação no vestibular que me aprovou, quando eu tirei 48 de 50 possíveis.
É essa gente que não sabe descrever o que sentiu quandou ouviu os primeiros acordes de Smells Like Teen Spirit pela primeira vez
Assim eu começo um prefácio que pretendo terminar hoje, da obra de um rapaz que chegou até mim na sexta e já no sábado finalizei. Não sei como o Autor vai se sentir quando ler meu humilde texto, mas uma das coisas das quais mais me orgulho de ter é o prefácio do "Além das Portas", gentilmente escrito por um dos meus escritores favoritos, um brother que me chama de The Scientist e eu chamo de The Man on The Moon.
E ele ainda acha, depois de TUDO, que precisa me agradecer...
A segunda amanhece fria, mas mesmo assim a vontade é de ir à praia, mais precisamente uma praia que fica ali perto da Rio Grande do Luiz Young. Te encontro lá!
Outro dia escrevi sobre o Ludov e muita gente questiona sobre eles serem ou não "tudo isso". Sem entrar no mérito, também acho interessante pessoas que dizem preferir a banda Ao Vivo do que em disco.
É mesmo?
Eu também prefiro Coldplay Ao Vivo. E Teenage, Violins, Los Hermanos, REM, Belle and Sebastian...
Um dia de trabalho exótico no sábado, interrompido por um prato de comida mexicana e duas "Sol" me possibilitaram entrar no site da banda e enfim ver os clipes.
De novo: Ludov poderia fazer a trilha sonora da minha vida!
Eu posso até dizer que tinha, um pouco por mal entendidos e um pouco por bobagens ditas aqui e alhures, mas nas duas vezes em que a encontrei pessoalmente ela foi queridíssima comigo. E agora que eu acabei de ler o "Vida de Gato", vejo que nunca mais terei problemas com ela, pois entendi como funcionam as coisas. Por alguma razão que só a audácia e a pretensão podem explicar, eu achava que rolava uma relação de escritor pra escritor com a Clarah. Mea culpa, mea maxima culpa. De leitor pra escritora acho que viveremos em paz.
Mas enfim, se você acha a Clarah isso ou aquilo e não suporta a pessoa dela, assista um especial do Multishow apresentado pela Domingas Person, com ela e um tal de Nazareno Alguma Coisa (ou Alguma Coisa Nazareno, não tenho certeza), um ser afetadíííííííssimo, também jovem e igualmente escritor. A Clarah, querendo ela ou não, é a nossa cara, e o Vida de Gato é um puta livro! Agora resta procurar o "Coisas na Estante" e negociar com a Paulinha uma devolução do "Máquina de Pinball" que eu tenho autografado.
Foi só fazer a barba que agora tou encanadaço com meu cabelo. A Laura fala em "mullets", mas em matéria de CABELO, ela é quem menos pode me irritar; aliás, eu é que a irrito, dizendo que ela vai prejudicar a sequência da minha Linhagem de Cabelo Bom.
Enfim, preciso cortar e isso é um fato! Tá sem corte, sem tipo, uma coisa meio "quero ser doidão mas minha mãe não deixa", sabe? Aí tem dois lances: não tem Helinho em sampa e isso significa ter que dar mil explicações sobre como quer o cabelo e ainda aguentar aquele papo que não dá liga. Imagina que você tem um brother que corta seu cabelo enquanto leva um papo do caralho por uns 40 minutos e ainda sai com um acréscimo de estima por si mesmo quando se olha no espelho. Agora imagina um corte tradicional, com um barbeiro semi-mano falando sobre o Timão, ou uma bichinha frenética saltitando ao seu redor, igualmente desprovida de assunto relevante (tendo oportunidade, peça para a Laura me imitar quando um barbeiro, motorista de táxi ou qualquer do povo me aborda querendo levar um papo "leva a lugar nenhum"). Meu pai, um cara lendariamente conhecido por levar em conta única e tão somente o primeiro item da relação custo/benefício, apenas duas vezes abriu o budget pra eu cortar com o Helinho, mas foram experiências inesquecíveis! Pode parecer papo de metrossexual, mas basta dizer que meu pai cortava cabelo ou no Sindicato dos Barbeiros ou no Senac, onde o corte é grátis, pois o pessoal lá tá aprendendo.
Saudades, implicâncias e metrices à parte, basta dizer que da última vez em que eu fui feliz estética-capilarmente falando por aqui, apareci com uma guitarra em casa. Guitarra essa que eu Nerudisticamente nunca toquei. Mas que meu cabelo naquele dia ficou afudê, isso ficou. Depois eu insisti com o mesmo carinha por mais de um ano, mas nunca ficou legal de novo.
É que os paradigmas (assim como a rotina) estão aí para serem quebrados; coisas estranhas podem sempre acontecer, como o show de sua banda preferida na sua cidade, sua esposa sair com sua guitarra pra trocar por uma melhor e até um cabelereiro do interior de São Paulo ter seu dia de Helinho!
O lance de chamar os barbudos de "Randall do Rock Nacional" já perdeu a graça? Pra mim, o homenageado, não. Só pra lembrar que dia 14 tem "Randall do Rock Nacional" em Sorocaba.
Na verdade, eu queria pegar carona na comparação generosíssima que o André fez e dizer que o Ludov é o "Luís Fernando Veríssimo do Rock Nacional". Você percebe que as musiquinhas deles são quase pequenas crônicas? Historinhas legais contadas (cantadas) por pessoas legais.
Vendo o sotaque da Vanessa (Cujo sorriso paga o show, segundo nosso amigo Paulo F), perguntei se ela era mineira e me parece que é de Brasília. Interessante, pois são poucos os oriundos de lá que conservam um sotaque honesto, desprovido daquela obsessão idiota em falar igual carioca (um pendor estranho esse, que merece ser mais profundamente analisado, eu diria).
Acho que o Goiás já tem direito de se sentir à vontade por frequentar essa zona dos que vão pra Libertadores. Sonhar com o título eu deixo com meu pai, que certamente está sonhando com isso. Lá pelos idos de 87, meu pai teve a pachorra de dizer que o Jorge Batata era o melhor lateral esquerdo do Brasil. Mediante olhares reprovadores por parte de mim e do Helinho, ele reconsiderou: "No aspecto defensivo..."
Seria interessante ver o verdinho pisando em Avellaneda, Defensores del Chaco, Monumental, La Bombonêra, Centenário... será que aí a Escumalha F C teria consciência que nada mais resta a fazer senão encerrar definitivamente as atividades?
Acho que o Santos no final das contas ganha, o Flamengo cai e o Corinthians embalou definitivamente, quem fez festa em cima, fez. Vai beliscar uma vaguinha pra Liberta, eu acho.
Sei que é sempre chato quando o Palmeiras joga contra o Goiás e fica essa sensação de emoções conflitantes.
Um dia ainda respondo à Soninha, ao José Geraldo Couto e a quem mais perguntar por que o Goiás é tão pródigo em artilheiros: pode parecer que temos um irresponsável pendor ofensivo, mas é um pouco além disso; eu acho que, na verdade, ninguém enfia na nossa cabeça a idéia que somos "time pequeno".
Keane, Ben Folds Five e Coldplay. Assim até o findie, que antecederá um evento há muito esperado. Los Hermanos, churras no Giba e bons amigos à mesa. Programa de sábado à noite? Pode chamar de céu, se quiser.
Francisco tem toda a razão, pois "tem dias que a gente se sente..."
Meu pai disse que o Mário Prata não consegue mais escrever e eu sempre discordei, mas na crônica dele da última Época, ele tirou todo o sentido de um verso fenomenal do Chico, que ensejou saudável dialética na ventania com o Giba; Ele escreveu "devolva o Neruda que você pegou e nem leu". Cadê a ironia? O Buarquismo maquiavélico? Isso é quase vingancinha boba de criança de 12 anos.
Agora veja: "Devolva o Nerurda que você me tomou. E nunca leu!"
Um Neruda você compra até na farmácia, edição de bolso por 10 pilas. Mas eu quero o Neruda que você nem teve a capacidade de ler. Esse Neruda!
A sensação acaba sendo de fim de férias, depois de 10 dias JoãoGilbertando na casa do meu brother Jedi-Predador, podendo dormir e acordar num horário mais humano (sério, às vezes quando eu acordo 20 prás 6 me sinto O próprio Otário da Humanidade) e realizar autênticas brainstorms de noite, buscando idéias e soluções para o cumprimento da esfíngica meta de 2004 - em alguns casos detectando em algumas pessoas certos hobbies bizarros que merecem ser analisados.
Aí são 11 Folhas de São Paulo empilhadas em meio a contas de Net, Telefone & Condomínio, a Gangue dos "Fisioterapeutas Pau no Cu" sem atar nem desatar sobre a situação da Laura na (ex) sociedade e uma desagradável sensação de "doing time" em Sorocaba. Queremos estar aqui em São Paulo, já decidimos por isso e só o que pedimos é que providências burocráticas não impeçam por tanto tempo nossa vida de caminhar pra onde a gente quer.
Aí eu chamo o meu amigo que me concedeu a JoãoGilbertice pra fazer aula de guitarra na hora do almoço e ele diz:
- Boa, Tio Randas! Boa idéia, topei! Só preciso comprar uma guitarra, vamos depois naquela loja do lado do Ibirapuera? Você tem idéia de quanto custa uma Gibson?
E na hora me vem à memória a cena do encontro de Wyatt Earp e Doc Holliday... por que essas idéias meio doidas envolvendo guitarra sempre precisam de um espírito-irmão (ou mesmo um bom maluco de alma) pra dar certo. Aliás, a própria vida sem malucos de alma a nos fazer companhia não faz muito sentido - ou não tem muita graça.
Esse texto é uma singela maneira de tentar te agradecer, brother, e que 2000 venha em 2005!
Você sente que está alguns passos longe da mais plena sanidade mental quando sonha que espancou o Mestre Yoda numa briga. não há linguagem figurada ou metáforas nisso, foi uma surra daquelas!
Estão filmando a história do Zezé di Camargo e Luciano, é sério. Um filme!
O engraçado nisso tudo é que se fossem filmar a história do pai da Mel X, provavelmente meu pai seria imortalizado na figura de um personagem. Provavelmente aquele cara mau, alto funcionário do banco que ficava na cola do pobre office boy, mandando ele parar com essa história de tocar sanfona e música caipira, que era melhor ele estudar, se dedicar ao trabalho e quem sabe algum dia ainda conseguisse ser Caixa!!!! Sei que meu pai fala que vivia dando esses conselhos pro rapaz mesmo, mas ele tinha tanto gosto pela noite que antes de tentar a sorte como cantor, ainda virou garçom e meu pai conseguiu que ele trabalhasse num restaurante legal, dum brother dele. E pouca gente sabe que o irmão da Mel chama Randall, por causa do meu pai...
Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick
Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre
outros.
Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo,
casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester.
Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado
e quer ser escritor quando crescer.
Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel.
Atualmente, tenta finalizar
seu quarto romance, Pizza Fria.
Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses
é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida
está sendo escrita pelo Nick Hornby.
Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as
variações permitidas em lei.