Sexta-feira, Outubro 29, 2004

Um brother meu vai dar (tem gente aqui na empresa que prefere "ministrar") um curso em Goiânia e queria umas dicas da cidade para criar "rapport" com os alunos; eu falei algumas coisas e avisei que quando ele saísse pra happy hour ou algo do gênero, que não ficasse assustado com a quantidade de mulheres que saíam sozinhas e se instalavam em mesas só de mulheres, uma quantidade tentadoramente absurda. A pergunta que ele me fez desencadeou o verdadeiro CAOS dialético entre as pessoas que estavam nas proximidades:

- Mas essa mulherada sai pra dar ou não?
- Todas as mulheres saem pra dar!
- Que absurdo, Randall!!!!!! (quase todas em uníssono)
- O quê? Saem mesmo... pode ser que não dêem necessariamente naquele dia, mas já prospectam pra dar dali uns dias. Ou vai me dizer que vocês perdem o maior tempo se arrumando e maquiando sem pensar em dar?
- Alguém amordace o Randall, por favor?
- Ele tá errado! Mulher não sai pensando em dar, quem sai pensando em dar é viado. Mulher sai pra qualificar qual homem vai lhe proporcionar mais vantagens depois que ela der pra ele.
- Tem a ver, tem a ver...
- Vocês tem sérios problemas pra resolver, meninos, alguém já disse isso?
- Mas viado pode sair pra comer, também.
- Não, viado é só o que dá.
- ???????????
- É sim, ué. Viado é quem dá a bunda, o que come é no máximo um homossexual ativo, ou...
- Tão te ensinando tudo errado, hein bicha? - nosso amigo gay - Mas abre seu coração, vai, qual é a sua dúvida?
- Não, é... bom, no Sul a gente chama de viado aquela bichinha que grita e dá chilique... é o cara que dá a bunda, né?
- Veja bem...

A balbúrdia se instalou completamente, ao que o meu amigo do papo inicial veio até a minha mesa e quase em tom de sussurro falou:
- Então, Randall, a mulherada de Goiânia, dá pra gente voltar a falar?

postado por: Randall Ferreira Neto 6:03 PM Comments:

Torero na Folha de sexta! Não falando de futebol, mas com a afudescente notícia de que o seu filme, enfim, está à disposição do público. Imagino como ele deve estar se sentindo, pois há um ano e meio, mais ou menos, fomos até Sorocaba para ele inaugurar o "Torerão", meu Estádio de Botão. Ele estava com uma cópia em VHS não finalizada do filme no carro, e me perguntou:

- Randall, o que você acha mais legal: "Como Fazer Um Filme de Amor" ou "Receita Para Um Filme de Amor"?

Votei no primeiro, o outro me parecia coisa de "manual", não parecia atrativo. Foi um dia legal, aquele... invejei sua capacidade de poder se dar ao luxo de não ter celular, expliquei porque o Goiás não vendia o Araújo, perdi feio todas as partidas disputadas, ouvi dicas de literatura e sobre o ofício de escrever, fui repreendido por ter interrompido a história da Flávia quando ele estava simpatizando com ela, descobri que não sou o único que narra e comenta jogos de botão e fomos convidados - mais em primeira mão impossível - para ver o filme dele.

Uma pena que dias assim não se repetem sempre, mas você vai acreditar em mim se eu disser que PRECISA assistir "Como Fazer Um Filme de Amor", né?

postado por: Randall Ferreira Neto 5:39 PM Comments:

Ainda não decidi completamente, mas é grande a possibilidade de reeditar os velhos tempos de Território Brasileiro e início de FunHouse, quando eu ia sozinho a esses lugares. Quer dizer, chegava sozinho, pois logo já conseguia trocar uma idéia bacana com algum frequentador, coisa fácil num ambiente onde o rock predomina. E assim como um primo da Laura falou que encarna determinados personagens para cada situação (O Histérico, O Desesperado, O Blasé, O Chantagista), eu meio que encarno um personagem quando chego sozinho nesses picos, pois não pode ser algo tipo "Estou sozinho por falta de amigos", e sim uma coisa meio "30 Anos, me basto, esplendor da forma física (no Reino dos Hutts, talvez), meu Adidas rasgado é style ignorante, fodam-se, caguei". Dali 5 minutos me transformo no ser mais sociável e cervejável do mundo - só é uma pena que ali no Tom Brasil não vai dar pra trocar uma idéia com a banda depois...

Bom, quem quiser ver O Randall do Rock Nacional logo mais, mail me, call me, smooke sinalize me, brain waves me, whatever me.

postado por: Randall Ferreira Neto 11:23 AM Comments:


Quinta-feira, Outubro 28, 2004

ICQueando com uma amiga, perguntei se ela ia no show do Los Hermanos e ela falou que não, pois ia no Doors.

Tipo.......................The Doors Cover? Nãããããão, The Doors mesmo!

Meu amigo Júnior, presença constante e não-comentante do blog, costuma dizer que não se deve dar idéia pra bêbado. Ele fala dum jeito engraçado, tipo: "não dá idééééééia".

Então o pianista bunda e o guitarrista prego resolvem trocar os eletrodomésticos da casa, montar um home teathre mais bacana, trocar o carro, o caralho, sei lá, só sei que o batera se agarrou nuns resquícios de caráter e não abraçou essa de "reviverem o The Doors", com um carinha aí do metal farofa, que vai tocar aqui em São Paulo. Fala sério, né? O Doors era o Jim Morrison, ponto! Querem ganhar dinheiro? Tenham um mínimo de dignidade, pois isso é vilipêndio cadáver - que, aliás, deve estar provocando um auê maiores numa cova do Pére Lachaise.

Já pensou o efeito disso? Bryan, Roger e John chamam tipo, o George Michael e reeditam o Queen? Ou pior, Meu Deus, se o Dado (guitarristaço virtuoso) e o Bonfá (mega baterista revolucionário) chamam alguém como Tony Platão, Paulinho Moska, Édson Cordeiro ou Zélia Duncan e, enfim, terei uma chance de ver um show da Legião Urbana?

Não dá idéééééééia...

postado por: Randall Ferreira Neto 5:39 PM Comments:

Poucas e Brahmas ontem, em excelente companhia e joguinho do Santos passando (tentarei passar ao largo do tenebroso acidente com o Serginho, por não ter absolutamente nada a dizer, senão lamentar profundamente), eu diria que foi uma bela quarta-feira! Junta-se uma galera sui generis e de repente, estamos falando de tudo, inclusive de Deus e quejandos. se você é daquele que sai gritando BLASFÊMIA por qualquer coisa, vai me condenar a fogo eterno e outras baboseiras, mas conforme a entonação e abordagem dada ao fato, pode render horas de papo agradável.

Não me esqueço de um episódio do South Park, por exemplo, quando um deles estava fodido no hospital e o padre, à guisa de conforto ao doente, contou a história de Jó, de como ele era bacana com Deus e Ele o protegia tale coisa. Um dia o capeta falou que queria ver se Jó continuaria tão "Deus é 10!" se não tivesse mais as proteções, aí Deus entrou na dele e Jó se fodeu de verde e amarelo, mas nunca perdeu sua fé. Qual a interpretação do menininho do desenho? "Deus é uma pessoa Maldosíssima, pois permitiu que fossem feitas coisas horríveis a uma pessoa bondosa e correta, que lhe era extremamente fiel, por causa de uma simples apostinha com o diabo".

Outro lance que discutimos muito foi a última noite de Jesus. Imagine que os Apóstolos são aqueles caras que andavam com ele e VIRAM ele curar doente, ressuscitar morto, fazer cego enxergar, surdo escutar, Sãopaulino virar homem, todas as espécies possíveis de milagres. E, quando Jesus os reúne e diz que eles terão que ir de casa em casa dizendo coisas bacanas e fofinhas às pessoas, que Deus é o mó barato e seguir o que ele falou "num deve ser ruim não", ao invés de prestar atenção no que o cara tá falando, resolvem tentar decidir quem é o melhor ali e quem seria o sucessor de Jesus... na boa, era ou não a hora de sentar e chorar? Ou de olhar pra cima e falar: "Olha, Coroa, me desculpa, mas com essa galera não rola; manda outro que deu pra mim".

E assim como essas, outras histórias ganharam abordagens e interpretações próprias, mas às vezes concordo com meu amigo Jedi sobre nossos diálogos de seriado, pois tenho certeza que se o Kevin Smith nos seguisse por uns dias, teria material suficiente pra pelo menos mais um filme. Ou vocês esquecem que ele arrumou assunto pra cento e poucos minutos de "O Balconista"?

postado por: Randall Ferreira Neto 11:25 AM Comments:


Quarta-feira, Outubro 27, 2004

Não sou mau-humorado como o Álvaro Pereira Jr., ou talvez seja, mas por não ser nada perto do que ELE é, me contenho. Sei lá, pode ter a ver com a teoria que eu e uns colegas da faculdade tínhamos de que gente feia tinha obrigação de ser legal, whatever. Aqui no trabalho às vezes me chamam de "Zerotonina", uma brincadeira com a enzima que provoca bom humor com a quantidade que eu tenho dela, pois dizem que quando eu não gosto de algo, qualifico normalmente como "O resíduo nitroso do nada amalgamado a coisa alguma", mas ainda não tenho assim, uma opinião formada sobre o Dave Mathews. Seria algo como "depende"; depende das circunstâncias, da companhia, se está de dia ou de noite, num sofá ou numa sacada, enfim, não é algo absoluto. Pode ser legal, mas também pode ser inócuo e eu posso dizer que já cheguei a gostar bastante, mas tem coisas que nunca voltam, como determinados alinhamentos de astros, o Zico, os Smiths...

Por isso não sei o que dizer dele no DVD - Tributo ao Lennon, mas o prêmio "Gordinha no Ponto Certo" vai para a Nathalie Merchant. Com o devido perdão por todo o conjunto de sua obra e respeito, sou um rapaz ciumento de certas coisas pra ver o que o Lou Reed fez com "Jealous Guy". O prêmio "Oncêvai Com Esse Cabelo" vai pra Nelly Furtado, que dividiu Instant Karma com um Zé Ninguém, assim como eu daria vários prêmios "Who Cares" pra alguns subnitratos do pó de merda que apareceram lá, inclusive um tal Marc Anthony que tinha a maior pinta de sertanejo.

O definitivo prêmio "Óculos Afudê que Eu Gostaria de Ter Igual Só Mudaria a Cor" vai pro Sean Lennon, e na hora em que ele, o Rufus e o Moby cantaram "Across The Universe" eu senti que era o momento de apagar a luz e não pensar em absolutamente nada...

"Words are flying out like
endless rain into a paper cup
They slither while they pass
They slip away across the universe
Pools of sorrow waves of joy
are drifting thorough my open mind
Possessing and caressing me

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world

Images of broken light which
dance before me like a million eyes
That call me on and on across the universe
Thoughts meander like a
restless wind inside a letter box
they tumble blindly as
they make their way across the universe

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world

Sounds of laughter shades of life
are ringing through my open ears
exciting and inviting me
Limitless undying love which
shines around me like a million suns
It calls me on and on across the universe

Jai guru deva om
Nothing's gonna change my world
Jai guru deva
Jai guru deva"

postado por: Randall Ferreira Neto 11:42 AM Comments:

Achei assaz coincidente ter recebido o livro do Ethan Hawke (recomendado pelo Paulo F e o Rafael) no mesmo dia em que li no jornal sobre a continuação de "Antes do Amanhecer", pois eu sempre pensei nessa possibilidade - aliás, como minha pretensão não tem limites nem bom senso, me permitia criar continuações para aquela situação -, assim como vivo imaginando como estaria o mesmo Etahn e a Winona em "Caindo na Real", mesmo não sendo capaz de perdoá-la por não ter ficado com o Ben Stiller. Já disse aqui, né? Que me vejo como o Ben Stiller, mas queria por tudo ser o Ethan Hawke... gozado é ver como o Ethan Wawke está sempre presente em filmes que foram muito marcantes pra minha influência literária (outros são "Grandes Esperanças" e "Sociedade dos Poetas Mortos"), ou melhor, na minha inspiração, pois saio desses filmes louco pra contar histórias assim. Falando nisso, o que será que acontece depois que o Pip e a Estella dão-se as mãos naquele por-do-sol no Paraíso Perduto?

Vamos ver "Antes do Pôr-do-Sol", né? Nesse filme, o Ethan é um escritor de sucesso... depois, vou ver o que ele tem a dizer no "Quarta-feira de Cinzas", já achando, por simpatizar com o rapaz, que poderia bem virar um filme.

postado por: Randall Ferreira Neto 10:42 AM Comments:


Terça-feira, Outubro 26, 2004

Lendo o blog do meu Inimigo Monoglota no tópico Ditadura/Anistia/Crueldades, não pude deixar de pensar que em Goiânia existe um sujeito que construiu todo o seu arcabouço bla-bla-blático na política em torno de um irmão mais novo que teria sumido nos porões da Ditadura. Segundo meu pai (que com a mesma segurança que o Giraya diz ter visto a fita do pleiba de Goiânia dando a bunda, fala na cara desse "Irmão Sofredor" que ele dedurou Deus e todo mundo em troca de um emprego bosta na Caixego - já falou uma vez na minha frente, que eu vi, meu Pai às vezes sai de casa e deixa o bom senso no armário), se um dia esse rapaz aparecesse vivo, o irmão o mataria, enterraria e chamaria a imprensa pra mostrar a descoberta da ossada.

postado por: Randall Ferreira Neto 6:49 PM Comments:

Eu tou legal, obrigado por perguntar, mas já estive melhor. Por me acusarem de escatológico, diria que preciso de um "intestino" novo, sabendo que a vontade é de falar outra coisa. Desde sempre eu dizia que não me interessava casar com uma pessoa do mesmo segmento de atividade que eu, e isso comprova quando a Laura explica direitinho o processo de digestão, incluindo a razão pela qual o cu arde ardorosamente depois de intensa diarréia.

"Amelie Poulain" é legalzinho, ou melhor, bonitinho. Não entendi o porquê do Fascínio, mas é bacana. Uma espécie assim de Ludov cinematográfico, sabe? Não sei se você acompanhou a minha linha de raciocínio, até porquê eu me comporto em relação ao Ludov uns 4,8 graus abaixo de como o Fábio se relaciona com o Amelie Poulain (segundo a escala Zauskson), mas frequentemente ouço pessoas perguntando o que tanto eu vejo na banda, que só é "bonitinha".

"Como se Fosse A Primeira Vez" é jóia, adoro a Drew Barrimore! E o Adam Sandler também, principalmente por que eu posso irritar a Laura dizendo que ele parece o vocalista do Coldplay.

Mr. Andy Kauffmann, confirme presença sua e de nosso amigo Baiano amanhã na rrrrresidência, que a Laura precisa de tempo para elaborar o menu. Já decidimos entre penne ou fusili...

E Los Hermanos sexta-feira, alguém? Alguém sabe como posso convencer a Laura a assistir o show pela quarta vez nesse ano?

postado por: Randall Ferreira Neto 11:50 AM Comments:


Sexta-feira, Outubro 22, 2004

Reconheço que tenho expectativas elevadas com relação a algumas coisas, a Laura mesmo diz que se eu tivesse uma locadora de vídeo, meus funcionários seriam, no mínimo, primeiranistas de Cinema na USP. É que eu odeio entrar num lugar e o cara que está ali pra me vender o que eu quero, pedir algo prosaico como "o novo do Travis", por exemplo, e o cara fazer uma cara de quem acabou de ver um barbudo de turbante perguntar se ele tem plutônio.

Na loja simpaticíssima de um brother, eu tenho a regalia de fazer meu pedido, receber no trampo e fazer o depósito "quando der", isso é maravilhoso! Mas outro dia liguei na loja pra confirmar o depósito e resolvi perguntar se eles tinham "Tattoo You", ao que o rapaz perguntou se era uma banda... acho que vou creditar o lapso à minha pronúncia sofrível, melhor assim.

postado por: Randall Ferreira Neto 3:16 PM Comments:

Então tá, Tróia. Assistimos ontem e, deixando de lado algumas imprecisões gravíssimas e até mesmo irritantes, o filme vale como entretenimentozinho-blockbuster. Me deixa meio puto a maneira excessivamente velada com que abordam a relação do Aquiles com Pátroclo, afinal de contas, somos todos adultos e nem precisamos ter tido um professor bacana de História pra saber qual era a dos Gregos, certo? Ou você acha que o assassinato de um "primo" despertaria como despertou aquela fúria no Aquiles?

Falando nisso, na boa, se sou eu o Heitor, depois de ter matado o bofe do Aquiles, fazendo com que ele viesse gritando na muralha da minha casa, berrando e babando de raiva, com toda a fama sanguinária que o precedia, lutar não seria uma opção válida para o momento. De duas uma: ou eu falava "arqueiros" e baixava a mão como autorização para vará-lo a flechadas; ou então diria que não estava num dia legal, que mandasse dizer que eu não estava. E que se os arqueiros quisessem treinar tiro ao alvo, que ficassem a vontade.

postado por: Randall Ferreira Neto 11:57 AM Comments:


Quinta-feira, Outubro 21, 2004

Eu peguei uma coisa logo ali e fiz isso aqui em 5 minutos, como se já estivesse pronto:

Felipe bem que poderia ter usado ao menos um dos milhões de clichês do vasto repertório masculino quando trata-se de terminar um relacionamento, mas existem razões em que a verdade precisa aparecer. Felipe ainda não havia se deparado com uma dessas situações e seria muito cruel de sua parte dizer que conheceu outra pessoa e vislumbrava um futuro mais legal com ela. LEGAL, atentem. Não foi dito um futuro melhor, ou um futuro mais próspero, apenas um futuro mais legal, namorando a guitarrista de uma banda de rock-caótico ou qualquer coisa que o valha - lembrou-se que a Marcela odiava essa expressão - que conhecera quase por acidente numa locadora de filmes.

Ambos pegaram "Amor à Queima-Roupa", um em vídeo, outro em DVD. Se encontraram no caixa e não puderam deixar de notar a coincidência. Ele puxou assunto, conversaram rapidamente e ela não resistiu, contou que havia escolhido esse filme depois dele ter pêgo o seu na prateleira, com o intuito de criar alguma espécie de "situação". Conseguiu. E ele não resistiu, convidou-a para um café e saiu com um flyer para o show da banda dela logo mais. Foi ao show sentindo-se Rob Fleming indo encontrar Marie La Salle e saiu sentindo-se Ben Affleck em "Chasing Amy", depois que a guitarrista não pode dar-lhe a devida atenção por estar às voltas com uma ex-namorada furiosa.

Ela se chama Joana, odeia o nome e se diz simplesmente Jo (com pronúncia saxã, se é que me entende). Ficou com Felipe uns dias depois do primeiro show da banda que ele assistiu e depois disso, ele nunca mais se imaginou entrando na casa da Marcela para assistir alguns capítulos da novela com os pais dela enquanto a "namorada" se arrumava. Passou a ouvir Kinks, Buzzcocks e Grateful Dead com mais intensidade, e depois de dois sábados longe dos acordes ensandecidos da guitarra de Jo, ele chegou pra Marcela e disse, com algumas letras a mais ou a menos: "Má, eu não te amo mais".

E chegou no show da banda de Jo a tempo de ouvir uma versão punk-eletrônico-caótico de "Like a Prayer"...

Você seria capaz de fazer alguma coisa com o que leu?

postado por: Randall Ferreira Neto 5:49 PM Comments:

Algumas pessoas, equivocadamente me tomam por um cara culto. Digo de cara que estou longe disso, mais justo seria dizer que tenho uma cultura geral/inútil bastante vasta (em alguns assuntos específicos, vasta e impressionantemente precisa, reconheço), mas pode ser uma questão do rei caolho em terra de cego.

Sei que a empresa volta e meia faz doações e ajuda entidades carentes, existe uma verve filantrópica bem forte no dono. Aí, pinta um convite pra ir ver um Balé Whatever Who Cares no Teatro Municipal e o escolhido para desempenhar a Noblesse Oblige é quem? O Degas aqui, o "culto", mas isso está longe de ser assim, uma crueldade, até por que tenho certeza que a Laura vai curtir e seria uma oportunidade bacana de conhecer o teatro que dizem que é afudê.

- Laura, tem um balé aí pra gente ir no Municipal, rola?
- Você?
- É; um evento beneficente aí que a empresa colabora, uma oportunidade bacana de conhecer o Municipal, você conhece?
- Hum-hum, claro. Eu dancei lá em 95.
- Ah tá...

postado por: Randall Ferreira Neto 1:57 PM Comments:

Ando achando que vou ter uma filha, me bateu assim, uma convicção, sabe? E nada no mundo vai convencer a Laura que a minha filha precisa se chamar Joana, e já de cara ganhar o apelido de Joaninha. As razões são de foro íntimo e personalíssimo e (estou falando sério) eventuais gracinhas serão tomadas como ofensa grave. Mas ao abordar esse assunto com a Laura me deixa muito sensível e aí eu me lembro da casa da minha bisavó Joana, mesmo sem conseguir explicar pra ela o quanto representavam alguns sábados ali pra mim. A casa tinha alpendre, alguém aí lembra o que é alpendre? A Tati servia um prosaico sanduíche de bolacha maizena com goiabada que era uma delícia, mas se hoje eu tentar fazer um igual, vai dar um nó na garganta... a galera ficava ali no alpendre o sábado inteiro falando da vida dos ôto, e pouco a pouco chegavam os filhos, netos, agregados, chegados... cafézinho, papo furado, tchau. Isso no tempo em que as casas tinham alpendre e o conceito de família fazia algum sentido. Mas acho que não consigo falar mais a respeito pra ver se consigo segurar a vontade de chorar, pois se esticar a prosa, vou acabar falando nas festas de São João (dia do aniversário dela e ocasião para reunir TODA a família) e aí fodeu.

Aí a Laura nega Joaninha, mas não oferece nada como opção, parece que tem uma objeção específica e fundamentada a cada nome (é nome de gente feia; só conheço narigudo que se chama assim; nome de puta; é o nome do carinha que deu maconha pro meu irmão; nome de velho; etc...). No final, rejeitou de Joaquin a Théo, e concordamos que não tem nada a ver essa modinha de dar nome de apóstolo. Ainda vejo chance em Thiago, pois só conheço Thiagos geniais, meio malucos e gente boas pra caralho, o que ela concorda, mas...

Ao final, ficamos com Caio e Marina no que depender dela, mas antes que perguntem, ela não está grávida, nem pretendemos (ao menos eu jurei parar de ficar maleteando ela com isso).

postado por: Randall Ferreira Neto 10:37 AM Comments:


Quarta-feira, Outubro 20, 2004

O Veríssimo faz um lance legal com as palavras, de atribuir-lhes o significado que ele acha que elas tem, mas agora me fogem todos os exemplos, acho que o Kako Balalo lembra de alguns. O que me ocorre agora é apenas o "Olhar de Soslaio", que me parece, necessariamente, uma coisa ruim, uma espécie de olhar que traz desprezo junto. Aquele olhar disfarçado pra uma menina na balada pode ser considerado de soslaio? Eu acho que não, quando muito pode ser de esguelha - ou, conforme aprendi em Sorocaba, de fianco, ou de farfoio.

Lembro de ter ido almoçar com a minha mãe quando meu irmão ainda morava com ela e ele ficou o almoço inteiro dizendo o que a gente ia fazer depois que comesse, vivendo aquele raro momento do irmão mais velho ir visitar-lhe. Eu era muito mau. Ainda sou, mas em dose bem menor. Mas naquele dia, inventei compromissos bobos e falei que precisava acelerar logo depois do almoço. Meu irmão segurou legal o choro e desceu. Quando eu passei pela portaria, ele estava indo e voltando com ofrça no balanço do palyground, de cabeça baixa. Falei "tchau" pra ele umas 3 vezes, mas o máximo que ganhei foi um emburrado e contundente Olhar de Soslaio, que me lembro até hoje e penso como teria sido mais fácil ficar brincando com ele umas horinhas.

Outro exemplo eu recebo todas as quartas feiras, desde que me mudei pra cá, pois saio depois da Laura, que vai ao Mestrado. Mal ela sai e o Djorous se instala no meio das minhas pernas, dando uns suspiros. Eu levanto, coloco roupa, e quando vou sair, ele está num puff da sala, de costas para a porta. Normalmente, ele fica super arisco quando eu meto a chave na porta, mas nesses dias, eu até arrisco falar "tchau" pra ele, que no máximo, vira levemente a cabeça e me lança um Olhar de Soslaio...

postado por: Randall Ferreira Neto 3:23 PM Comments:

Sabe uma coisa triste? Li na Folha que a Yoko vai fazer um exposição com os trabalhos do Lennon, em homenagem aos 64 anos dele. Na hora não caiu a ficha, pois essas homenagens acontecem em números redondos (terminados em 0 ou 5), e as únicas coisas que 64 me remetiam era ao ano do maldito Golpe e a idade do meu vô quando morreu. Mas de repente as coisas fizeram sentido, e aí sim eu fiquei triste de verdade...

When I´m 64

"When I get older losing my hair,
Many years from now.
Will you still be sending me a Valentine.
Birthday greetings bottle of wine.
If I'd been out till quarter to three.
Would you lock the door.
Will you still need me, will you still feed me,
When i'm sixty-four.

You'll be older too,
And if you say the word,
I could stay with you.
I could be handy, mending a fuse
When your lights ha ve gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday morning go for a ride,
Doing the garden, digging the weeds,
Who could ask for more.
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four.

Every summer we can rent a cottage,
In the Isle of Wight, if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your knee
Vera Chuck&Dave
Send me a postcard, drop me a line,
Stating point of view
Indicate precisely what you mean to say
Your's sincerely wasting away
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me
When I'm sixty-four"

postado por: Randall Ferreira Neto 9:48 AM Comments:


Terça-feira, Outubro 19, 2004

Não tivesse sido publicada na Veja, eu teria adorado uma matéria sobre Cuba que saiu na semana passada. Qual o problema com a Veja? Sei lá, mas não é uma revista que goza da devida credibilidade para eu jogar na cara do meu pai que Cuba hoje tá pior do que estava com o Batista e, naquilo em que tem méritos notórios, como educação e saúde, apresenta a mesma evolução de outros países mais pobrinhos, que nem por isso precisaram duma sanguinária ditadura para tal. Eu juro que não entendo esse fascínio todo com Cuba, Fidel e Asseclas, parece que tem uma galera igual à mãe do carinha de "Adeus, Lênin", meu pai incluso.

Mas pra mim, a vingança final nem foi a queda do Muro, mas aquela camiseta Cavalera com a foto do Che sendo vendida por 70 pilas.

Mas acho que certo mesmo estava o Humberto Gessinger, ao juntar Fidel e Pinochet no mesmo verso.

postado por: Randall Ferreira Neto 5:55 PM Comments:

Eu me casei com a garota mais AFUDÊ do mundo... sei que dei uma mudada na musiquinha dos Wonkas, mas foi bacana ouvir algo assim ontem, quando enfim resolvi ouvir os gaúchos & gaúchas em público. Legal o disco, fico pensando em quem eu gostaria que ouvisse isso, assim como mandei o Ludov pra minha prima láááááá no Planalto Central e ela gostou. Mandei o Cassino Hotel pra ela também, e todo mundo na minha família está meio assustado com o lance da Cibele, uma violenta coincidência com uma história notória lá em casa, cujo protagonista foi meu coroa. Acho do caralho manter esse vínculo.

E ontem, depois de muito tempo desleixado, retomei o Tony Parsons, mas acabei travando feio numa parte: Pai e Mãe separados visitam o colégio do Pat e vêem que ele tem dificuldade de concentração, vive levantando da cadeira querendo ajudar os outros ao redor. Conclusão do Pai? o guri se sente menos querido em virtude da separação dos pais, e como talvez não se sinta amado por eles, vive fazendo um esforço colossal pra que todo mundo a sua volta o ame. Filosofia barata de boteco, pode ser, mas aí você para pra pensar... e meio que descobre de onde vem aquela estranha convicção de que nunca vai se separar.

postado por: Randall Ferreira Neto 1:40 PM Comments:


Segunda-feira, Outubro 18, 2004

Tem dias que você se pega extremamente cinemão, hollywoodianíssimo até o talo, tecendo loas aos 2 primeiros Duros de Matar e jurando que não existe filme de ação mais bacana que A Outra Face. Que o encontro de atores mais feliz foi o do Sean Connery e o Harrison Ford como pai e filho em Indiana Jones - e sim, nunca mais fizeram filmes como Indiana Jones!

Se você é capaz de se deliciar com esses filmes e ter discussões a respeito, mesmo curtindo Lars VonTrier, Amelie Poulain e assemelhados, vai adorar (como eu adorei) Van Helsing, filmaço que serviu como adiantador de horas do meu findie que começou afudê, com grandes amigos em casa, vinho e penne ao funghi (feito pela Laura, cada dia mais gourmet); mas terminou meio chato, tipo domingo... é tão ruim passar por situações de stress no domingo, que eu compreendo inteiramente pessoas notoriamente conhecidas por não admitir receber ligações desagradáveis no domingo. A ordem natural de todas as coisas parece ter ido pras cucuias quando quem abomina essas ligações passa a fazê-las - e quando o stress se instala, ainda diz que odeia essas ligações aborrecedoras em pleno domingo!

Mas Van Helsing é um filme legal pra assistir num sábado à toa...

postado por: Randall Ferreira Neto 1:27 PM Comments:

Eu já disse isso aqui de várias maneiras, mas vou dizer de novo: Eu não gosto do Romário. Romário enquanto pessoa, ou Romário a nível de jogador? Romário, simplesmente. Não gosto. Ganhou sozinho a Copa de 94? Há controvérsias, pois subestima-se muito o papel da defesa e do Bebeto, sem falar que na final ele foi marcado pelo Baresi recém-operado do joelho. "Ah, precisamos dele pra nos classificar, no último jogo!" Lembram-se do Luizão, contra a Venezuela? Mesma coisa.

Não existe nada de positivo que possa ser aproveitado do Romário como exemplo às gerações futuras, é aquele amálgama de tudo o que não presta no brasileiro, com uma pitada de vocação para desempenhar uma função esportiva, aliada á sorte de ter tido um olho e meio numa época de cegos. Deveria ter parado aos 32, como prometera quando fomos Tetra. Assim eu não teria que vê-lo fazendo sinal de "chiu" no Parque Antártica em 2000...

Li sobre o Kobe Bryant na Folha e fizeram um link dele com o Oscar, pela característica "fominha" dos dois, mas vejo o 8 do Lakers e me lembro sempre do Romário, aquele jeito de andar com a cabeça pendendo pra trás, um meio sorriso no rosto, desdém profundo por adversários e companheiros de time, além de um desprezo por toda e qualquer autoridade ou fonte de disciplina.

Enfim, concordo com o Mauro Betting que esse é o pior brasileiro da história, mas ver o Romário saindo de campo vaiado pela própria torcida vale alguma coisa.

E nada mais ridículo que essa comparação entre o Romário e o Zico, digam o que quiserem.

postado por: Randall Ferreira Neto 12:16 PM Comments:


Sexta-feira, Outubro 15, 2004

Se eu estivivesse num mood mais ácido, diria que o novo do R.E.M. é uma espécie de "Automatic For The People" broxado, mas não é o caso, sério. É um disco legal, abaixo da média "a nível" de R.E.M. e acima da média "enquanto" o resto que anda sendo feito por aí por bandas decanas. Ontem dei início a uma pequena organização dos CDs enquanto a Laura dava sequência na nossa salutar rotina de jantar em casa, comidinha feita em casa, tale coisa. Novidade pra mim, maravilha das maravilhas! Apesar da enorme expectativa, abdiquei de ouvir o Wonkavision, mesmo sabendo que sem fretado diminuem os momentos de auto-exílio nos meus Headphones - perdas aceitáveis, totalmente. É que não sei qual exatamente vai ser a reação da Laura, então deixarei pro Headphone mesmo, e sem fretado, que é melhor ainda. E enquanto arrumava os discos, fiz uma seleção no mínimo inusitada enquanto a janta não vinha:

Eleanor Rigby
When I´m 64
Mulheres de Atenas
At The Stars
Rent
Love Vigilantes

E pra confirmar a tese que o passado não perdoa, comentei com a Laura que um colega de serviço adora Oswaldo Montenegro e citou várias músicas, mas por nada no mundo eu me lembrava do comecinho de "Estrelas":

- Ah, pega aquelas fitas que cê me gravava no início do namoro e vê...

Permaneci em silêncio na maior parte do tempo em que Mr. Jack Nicholson dava seu showzaço em "Alguém Tem Que Ceder". Duas coisas sobre o filme:1-Tenho um tesão maiores pela Diane Keaton since Annie Hall 2- Não consigo achar credibilidade no Keanu Reaves (nem no Rodrigo Santoro) fazendo papel de homem, principalmente por que, segundo meu brother, quem quebrou as tacinhas foi o outro cara.

postado por: Randall Ferreira Neto 4:20 PM Comments:


Quinta-feira, Outubro 14, 2004

Tava chovendo e mesmo assim eu vim a pé. Não que eu queira empregar algo de heróico ou excessivamente altruístico nesse ato, mas depois de um ano e meio acordando a Laura às 6 horas pra me levar até a Marginal pra pegar o fretado, eu acho que ainda estou em débito com ela. Imagina só, que relacionamento resiste a você olhar todos os dias pro banco do lado e dar de cara com o sujeito que te faz levantar da cama num horário quase indecente?! Chuvinha de molhar bobo, como meu avô dizia, e com a recompensa de ouvir a Lau dizer pelo telefone "Ah, mas por que você não me acordou pra te levar?" O que eu quero dizer é o seguinte: aproveite para conquistar e se fazer apaixonante antes do casamento; depois, é só uma questão de minimizar os momentos desapaixonantes, pois antes da oficialização, ninguém te conta que você vai acordar num domingo de manhã e ver aquela pessoa que acelerava suas sístoles e diástoles passando hipolglós entre as coxas assadas, uma visão nada privilegiada! Tem a louça na pia, a cueca suja, o chilique por uma gotinha de xixi na privada... mas você luta pra manter aquilo, pra manter a cabeça no lugar quando as cobranças excedem e a vergonha na cara quando elas procedem.

É como aquele jogo em que você se depara ganhando de 2 x 0 de um time muito mais forte que o seu, e passa o resto do jogo segurando o resultado, fechadinho na defesa e dando seus pulos quando vem os carrinhos por trás. Sim, de vez em quando você encaixa um contra-ataque e é alegria na arquibancada, geral e numerada de novo, mas saiba que esses momentos serão cada dia mais raros.

Mesmo assim, quem nunca exultou de alegria ao ver seu time ganhar no sufoco de outro que você jamais imaginou que teria competência de vencer? E com chuva fica melhor ainda!

postado por: Randall Ferreira Neto 11:07 AM Comments:


Quarta-feira, Outubro 13, 2004

Nunca imaginei como um dia de feriado absolutamente ocioso pudesse ser tão produtivo! Sim, pois eu considero produção o ato de conseguir ler o jornal inteiro sem interrupções, vencer algumas páginas de "Marido & Mulher" e ver dois filmes em DVD que há muito despertavam minha curiosidade: "Aos Treze" e "Driblando o Destino". Filminhos, principalmente o segundo, mas ambos, coincidentemente, tratam da história de duas gurias, amizades, influências e pequenos conflitos. Um é inocente, quase inócuo. O outro irrita, mete o dedo em feridas. Fico com o do futebol, mas o das drogas ajuda a reforçar minha teoria de que, adolescente que repete de ano, ou cai de boca nas drogas, pode creditar 100% da culpa aos pais, pois é preciso uma quase obsessão pelo mais absoluto relaxo na criação para deixar certas coisas atingirem níveis irreversíveis como esses.

Aí de noite, a chave de ouro: fomos no Kinoplex do Itaim com um amigo Jedi assistir Kill Bill Vol. 2. Não há palavras pra descrever o filme além das inúmeras que foram gastas no jantar e, desculpe, meu sanduíche de fraldinha coberta com queijo Ementhal e chimi churri tava ruim não, viu? A semana meio que começa na quarta com futebolzinho na TV, e pra quem estava com saudades, aqui vai uma Top 5, com os 5 melhores diálogos do Tarantino:

1- Aquele sobre "Like a Virgin", em Cães de Aluguel;
2- O diálogo insano do John Travolta e o Eric Stoltz sobre como trazer a Uma Thurman de volta da Overdose ("eu tenho que furar três vezes?????");
3- O do Samuel L. Jackson com os carinhas que pisaram na bola com o Negrão ("Desculpe-me - POW - eu não estava prestando atenção. Fale-me das boas intenções" e "What? What? Você só fala what? De onde você é, de Whatland? - TIRO NO OMBRO - Vamos lá, fala what de novo, fala? Eu te desafio a falar What, quero ver você falar mais um What!")
4- A do Dennis Hopper falando pro Christopher Wlaken em "Amor à Queima Roupa" sobre a ascendência dos negros na genealogia da raça siciliana (tudo bem que o filme é do Tony Scott, mas o roteiro é do Tarantino e ESSE diálogo é Tarantino puro!)
5- Em Kill Bill, quando o Bill fala o lance do Superman e do alter ego, quero honestidade se alguém já tinha pensado nisso.

postado por: Randall Ferreira Neto 10:17 AM Comments:


Segunda-feira, Outubro 11, 2004

Eu até tentei passar direto sem mencionar a efeméride relativa a 11 de outubro, mas nunca é um dia normal.

Pelo que me lembro, o Fred chegou em casa e pegou "À Leste do Éden" pra ler e não me lembro bem quando ele pega "O Encontro Marcado", acho que é pra dar ao Rogério, não estou bem certo. Eu queria ter uns 100 exemplares desse livro, pra presentear quem nunca o leu ou precisa de um empurrâozinho pra aprender a gostar de ler.

Obrigado, Mestre Fernando Sabino! Obrigado por ter deixado o Eduardo Marciano entre nós...

postado por: Randall Ferreira Neto 5:43 PM Comments:

Eu não sei dizer por que gosto tanto dessa música, sério! Sim, pois algumas são óbvias e você identifica de cara o que te chamou a atenção, como "Futuros Amantes", por exemplo. Meu pai gosta dele ter inserido "escafandristas" numa letra de música, eu já gosto da idéia que ele teve pra falar dos escafandristas.

Sei que era sábado, nem lembrávamos que o Brasil estava jogando, a embriaguez manifestava-se amigavelmente e, por mais que o papo estivesse cabeça ou bio-psico-social, ficamos em silêncio ouvindo...

"Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas, obcenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinhos
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não tem gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovem viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas serenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas"


Com a volta da normalidade após um domingo de recuperação pós-ventania, o que me resta é essa vontade de ter o disco do Wonkavision e o novo do R.E.M. Não sei o R.E.M., mas o Wonkavision todo mundo falou que eu vou gostar!

E dia 29, só pra eu estrear a facilidade logística de morar em São Paulo, tem Los Hermanos no Tom Brasil. Antes disso tem um monte de coisa que eu quero fazer, foi só voltar a receber a Folha em São Paulo que preciso de babador pra ler o Guia de final de semana...

postado por: Randall Ferreira Neto 10:52 AM Comments:


Sexta-feira, Outubro 08, 2004

Graças ao Orkut eu tive a oportunidade de "rever" grandes figuras do passado, um passado bem remoto e extremamente agradável. O Robertinho era assim uma espécie de Giba (também Corinthiano, que diabo esse time tem?) da época, na casa dele as baladas eram bem mais divertidas, e lembro de ter dormido umas 15 pessoas em algumas noites. Viajamos juntos pra Alcobaça-BA, pois à época eu e o filho dele éramos melhores amigos, e lá eu aprendi a jogar WAR e ouvir Chico Buarque.

O legal nas festas da casa do Robertinho era que eu escutava os papos daqueles caras e não acreditava como eles podiam saber tanto sobre qualquer coisa, e ainda finalizavam os assuntos às gargalhadas! Livros, filmes, guerras, política, revolução de 64, Fidel & Che, futebol, a vida dos outros, todo mundo tinha várias e elaboradas e inteligentes opiniões a respeito, eu queria muito ser como aqueles caras quando crescesse e os enchia de perguntas o tempo todo, e elas eram invariavelmente respondidas com muita gentileza.

Graças à minha memória, passei a tarde toda aqui lembrando daquela época boa e feliz... éramos felizes, convivíamos com nossos pais! Lembro do dia em que meu pai me apresentou a atual esposa num churrasco na casa dele e, quando ela me perguntou o que eu ia ser quando crescer, não tive dúvidas:
- Comunista!

Aos que me pegaram rindo do nada aqui no escritório, me desculpem, mas não consigo esquecer de um dia em que meu pai e o Robertinho discutiram num jogo de truco e ele, à guisa de encerrar a discussão, fuzilou o coroa:
- Filhote da UDN!!!!

Piada interna, interníssima, mas disso meu pai não poderia escapar, ele era filho de um dos principais nomes da UDN em Goiás.

Robertinho, Sueli, Andrei e Tatiana, hoje me deu vontade de sair quebrando bidês! Thanx, ainda que tardio!

postado por: Randall Ferreira Neto 3:58 PM Comments:


Quinta-feira, Outubro 07, 2004

Plágio? Acho que sim, na real acepção da palavra, inclusive. Não é segredo que eu sempre quis ser entrevistado, a Kilt e a Blue até tentaram, sem levar adiante. Mas é que eu achei a entrevista com o André na Paralelos tão bacana, que resolvi roubá-la e adaptá-la, algum problema?

Básicas

Quantos anos você tem?

Eu tenho 31 anos. Mas algo deve estar errado porque sempre dizem que pareço um jovem de 20 e poucos anos. (Sim, responderia exatamente a mesma coisa que o André)

Qual é a sua formação?
Fiz um ano de Faculdade de História, apaixonante. Mas me formei em Direito, na Católica, em 97.

Onde nasceu?
Nasci em São José do Rio Preto - SP, mas nunca morei lá. Fui direto pra Goiânia, onde morei até os 27.

Onde mora?
Atualmente moro em São Paulo, depois de um ano e meio morando em Sorocaba.

De onde vêm as linhas

Conta um pouco sobre sua trajetória na escrita.
O Grande Culpado é o Marcelo Rubens Paiva, com seu "Feliz Ano Velho". Foi lendo esse livro que, pela primeira vez me deu vontade de escrever. Mas foi lendo o livro do Ruy Castro sobre Bossa Nova que me veio a idéia definitiva, e escrevi um livrinho de memórias tendo o Rock Nacional como pano de fundo. Isso foi no final de 93 e tanto esse, quanto o livro seguinte ("A Sombra de Um Sorriso que Eu Deixei...", minha bombástica estréia na ficção), se perderam entre os leitores que pegavam emprestado, pois eram todos manuscritos. Entre 94 e 95 eu escrevi "O Filho do Meio", o livro qu eeu mais gosto e que pode ser considerado meu primeiro livro de verdade.

O que lhe inspira na hora de escrever?
O cotidiano... histórias que acontecem comigo e ao meu redor, ou que eu gostaria que tivessem acontecido comigo. Ouvir música sozinho também costuma trazer idéias à minha cabeça, aliás, momentos de total solidão são os melhores pra pintar alguma coisa que pode virar história.

Você tem uma rotina de criação? É uma coisa planejada, tem horário,...?
Não, mas deveria. O trabalho me consome muito tempo e energia, além do quê, minha rotina antiga de morar numa cidade e trabalhar noutra me esgotava, literalmente. Tenho muita coisa já fervilhando na cabeça que não sai por falta de tempo e oportunidade.

Sua escrita é intuitiva? Ou você segue um roteiro (começo/meio/fim), já sabendo que rumos a história vai tomar?
Só começo a escrever quando a história está totalmente definida na minha cabeça, o que não impede que seja modificada na hora de ir pro papel.

Letras cifradas

Vi que você tem relação forte com a música... como funcionam os sons + as letras nos seus textos?
Não sei como funciona isso, nunca tinha parado pra pensar, mas... por exemplo: em cada cena que escrevo, eu imagino isso num filme e fico tentando definir qual música serviria melhor, e aí fica mais fácil. Eu raciocino cinematograficamente, minhas influências vêm mais daí do que dos livros.

Você tem banda?
Tenho uma banda inédita, The Anselmos, que realiza shows maravilhosos dentro da minha cabeça.

Quem são suas inspirações musicais?
Sou muito conservador quanto a inspirações... sempre vai ser Smiths, New Order, Stone Roses, Belle and Sebastian... ando numa fase meio nacional, tentando encaixar Los Hermanos, Ludov e Chico Buarque no meu universo.

O que ouvia enquanto escrevia os seus livros?
Eu não consigo ouvir música enquanto escrevo.

.com.br
Você colaborou para que sites?

O André publicou um texto meu na TXT e eu tinha uma coluna de futebol no site da Revista Zero, mas tive que parar por falta de tempo.

Quando surgiu o Febre Alta?
Em setembro de 2002. Eu lia alguns blogs bacanas, como o Spectorama, o Seu Umbigo e o Alta Fidelidade, me deu vontade de ter o meu próprio, mas nunca imaginei que alguém, além dos conhecidos, iria lê-lo. O curioso é que os conhecidos não deram muita importância, e fiz grandes amigos através dele.

O que você lê na internet?
Blogs, principalmente. Em torno de 10, mais ou menos. Leio e-mails, mas alguma força sobrenatural me impede de responder a todos. O Orkut também é uma coisa legal, mas me falta paciência.

Além das Portas

Quando foi lançado?

Em dezembro de 2002. Fiz uma produção independente, gastei a maior grana e lancei em Campinas, São Paulo, Goiânia e Sorocaba, graças a um montão de gente que deu a maior força.

Em quanto tempo foi escrito?
6 anos. Poderia ter sido em menos tempo, mas me faltava tempo e disposição para escrevê-lo.

Qual foi sua maior dificuldade ao escrevê-lo?
A falta de tempo. Rolou a mudança de Goiânia pra São Paulo nesse meio tempo, também.

Como surgiu o nome do livro?
De uma metáfora que o personagem principal faz em uma de suas aulas. Sou péssimo em títulos.

Além das Portas é definido como pop, até mesmo por você. Muitos vêem este rótulo como algo negativo. O que você pensa sobre essa postura diante do que é pop? De onde vem a carga pejorativa?
Da caretice, eu acho... um excesso de purismo por parte de pequenos segmentos que tem uma certa dificuldade em lidar com a contemporaneidade. Esperam pelo novo Rubem Fonseca, o novo Fernando Sabino, mas torcem o nariz para um livro do Chico Buarque. Pop é contemporâneo, atual, imediato. Lembro de algo semelhante por parte do Caetano Veloso e seus asseclas quando surgiu o Rock Nacional, ou revoltinhas de humoristas naftalinas com o TV Pirata.

Há muito de você nos seus personagens? Há muito do seu cotidiano em suas histórias?
Sim, claro. Não necessariamente no personagem principal, mas é quase uma extensão do meu universo, de uma maneira que atraia a atenção de alguém.

Devaneando

Que música poderia ser um conto seu?
As músicas do Ludov são pequenas crônicas, mas acho que "De onde vem a calma" daria pra escrever algo.

Que conto seu daria um filme?
Tudo o que eu escrevo eu acho que daria um filme. Sou mais influenciado pelo John Hughes do que por qualquer outro escritor. Quando eu assisti Houve Uma Vez Dois Verões, bateu a maior vontade do mundo de ter escrito aquilo.

Que frase considera o maior clichê?
Aqui se faz, aqui se paga

Gerúndios

O que você está lendo? E ouvindo?

"Marido e Mulher", do Tony Parsons. Estou ouvindo muito Chico Buarque e Los Hermanos, além de algumas novidades que ainda não cansei, como Keane, The Thrills (não tão novidade assim) e Franz Ferdinand. E Belle and Sebastian, Sempre.

Você acompanha novos talentos da literatura por blogs, sites...?
Sempre, sempre. E alguns deles trombam em mim, "me descobrem" também.

Fale um pouco sobre os próximos lançamentos.
Uma coisa muito afudê aconteceu comigo: um grupo de faculdade vai publicar meu Clichê de Verão como trabalho de conclusão de curso e, ainda esse ano, um amigo meu, numas de editor independente, vai lançá-lo também, em formatinho de bolso.

Há mais projetos em andamento?
Sempre há. Estou escrevendo outro livro, que seria a conclusão de uma trilogia - que perdeu a segunda parte -, tenho um roteiro de cinema na cabeça sonhos, quase todos do mundo.

postado por: Randall Ferreira Neto 5:26 PM Comments:

Não sei você, mas eu não consigo vislumbrar outra empresa onde um dos sócios chega e, do nada (mas do naaaaaaada mesmo), te presenteia com uma garrafa de vinho tinto Rioja, reserva especial... e o outro sócio pega a garrafa, saca um guia de vinhos e diz que é uma garrafa excelente, mas que pela safra, o ideal seria guardá-lo por dois anos, aí seria um vinho quase perfeito!

Só que temos pela frente um friozinho temporão, com direito a chuvinha...

A Laura inventa um macarrãozinho prosaico com o que sobrou de ontem e pode virar molho, entramos numas de inauguração oficial do apartamento enquanto eu abro o vinho, me sentindo totalmente recém-casado. Substituo o Low-Life do New Order por um Very Best of Lou Reed and Velvet Underground e experimento, al dente, minha primeira porção de Vida Adulta!

postado por: Randall Ferreira Neto 9:37 AM Comments:


Quarta-feira, Outubro 06, 2004

Pequenos diálogos ocorridos no último findie, uns com participação ostensiva do Tio Randas, outras apenas na coadjuvância... sei que pra quem não esteve lá não vai ter muita graça, mas um dia vou reler isso aqui e rir como se o momento estivesse acontecendo de novo.

I

- Você tá viajando, Randall, não existe isso de amizade entre homem e mulher, é besteira!
- É perfeitamente possível, eu mesmo tenho várias amigas.
- E nunca rolou nada?
- Pra amizade ser perfeita, não pode haver álcool nem astrologia.
- ??????
- Sim, por que se os dois amigos beberem e os astros se alinharem, é como diz na minha terra sobre aquele lance da água de morro abaixo.
- Às vezes eu gostaria que o Randall compartilhasse com todo mundo essas coisas que se passam na cabeça dele.

II

- Tudo bem que eu ronco pra caralho, mas ficar encarnando com isso depois da quadragésima quinta vez perde a graça.
- Concordo... mas é que depois da quadragésima segunda, a graça passa a ser ver você puto.

III

- Pessoal, esse casaco aqui é de alguém?
- Claro que sim, ou você acha que ele caiu do céu?
- De alguém que está aqui no ônibus?
- Ah, não sei dizer...

postado por: Randall Ferreira Neto 3:13 PM Comments:

O que são as expectativas, né? Ontem a Laura passou a tarde na cozinha esmerando-se em fazer algo como um "Bolo de Macarrão" segundo um livro de receitas, que no final das contas revelou-se apenas e tão somente um Macarrão. Verdade seja dita, era um espaguete afudê, que com o vinho argentino trazido pelo primo da Laura e as interessantíssimas conversas naturalmente surgidas ali, resultaram numa noite mais que agradável. Falando em conversas, espantou-me pouco o fato de que o Gerald Thomas gosta que suas namoradas caguem nele, ou caguem durante a transa para rolarem juntos na bosta e outras variantes dessa modalidade exótica de sexo escatológico... difícil foi aceitar a realidade que Fernanda Torres, Giulia Gam e Bete Coelho (A BETE COELHO!) cagavam nele!

Estou sonhando com as sobrinhas do Bolo de Macarrão, mas não será surpresa se a Laura tiver finalizado-o, pois ontem, quando perguntei pelas cocadinhas baianas, ela disse que comeu todas, para o meu bem, pois eu não estou podendo com doce. Essas atitudes magnânimas quase me fazem chorar... Sabe de uma coisa? Acho que vou almoçar em casa!

postado por: Randall Ferreira Neto 11:56 AM Comments:


Terça-feira, Outubro 05, 2004

Existem vários tipos de preguiça. Eu, por exemplo, tenho preguiça de responder perguntas a respeito da publicação dos meus livros. Mercado editorial extremamente cruel, panelinhas hermeticamente fechadas, blá-blá-blá... tudo isso até pode existir, mas não me ouvirão dizer tais coisas, pois entendo que tira o mérito daqueles que conseguem ser publicados. Pode ser que não seja a minha hora, ou simplesmente não seja a minha...

Aí vem meu amigo Paulo F e diz que seu trabalho de conclusão de curso será a publicação do meu "Clichê de Verão". Legal, né? Mas não para aí! Ele vai montar um esqueminha de editoração independente em formatos simplesinhos, portanto, a missão dos meus livros (serem lidos) será enfim cumprida! Escrevo isso depois de ler o prefácio Tri-Afudê que o Iugoslavo Pop Daniel Aurélio escreveu pra mim. A vontade é de publicar o prefácio aqui, mas vou deixar para quando o livro for lançado, o que deve ocorrer entre final de outubro/começo de novembro. O que eu vou postar é o início do meu novo livro, pois agora que vislumbrei chances de um número maior de pessoas ler meus livros, a reação natural é a inspiração bater na porta de novo... aí a gente abre e deixa ela entrar...

Uma Outra Primavera (título provisório)

Começo ou não a história dizendo que "A Vida Tem Dessas Coisas"? De cara me vem à cabeça que esse é o título de uma música do Ritchie e tenho lá minhas reservas quanto a tentar prender sua atenção usando uma frase que remete a um obscuro artista dos anos 80, cuja música de maior sucesso foi gravada por uma Dupla Sertaneja. Porém, outro dia eu li um conto do Veríssimo que começa com "a vida tem dessas coisas" e então me sinto tranquilo.

A vida tem dessas coisas...

Quem me mandou acordar no meio da tarde do sábado e vir da sala pro banheiro, vendo minha mulher dormindo na cama. Entronei-me com uma "Mafalda" nas mãos e mais uma vez cometi a indelicadeza de deixar a porta entreaberta, ou seja, logo ouviria palavras desagradáveis da minha mulher contra o cheirinho. Antes disso, o telefone dela tocou:

- Alôhummmmm... oi?... tudo, e você?... também tou... só na quinta-feira... fico todo o final de semana com você sim, esse é que não deu, tenho ficado muito afastada de casa... você é uma delícia!

Minha mulher estava conversando com o amante pelo telefone! Ou então levando algum tipo de papo que me fazia pensar que ela estava falando com o amante pelo telefone! Me deu vontade de cagar o troço mais fedido de todos os tempos, mas aquela conversinha melosa precisava ser urgentemente interrompida, antes que algum apelidinho ridículo aparecesse. Sem cumprir meu papel ali, enfiei a mão no botão da descarga e abri a porta, vendo uma estátua de cal na minha frente.

- Que porra é essa?

Ela demorou um tempo pra reaprender o processo de empreender sinapses, e o resultado precisaria de aperfeiçoamento:

- Olha, eu não vou perder meu tempo nem subestimar sua inteligência dizendo que não é o que você está pensando, eu te respeito muito pra isso, mas... é que...

- Muito tocante da sua parte o lance da consideração, mas dá pra você me explicar que porra é essa? Quem é o cara, há quanto tempo você me sacaneia, de onde ele apareceu? Respostas objetivas, nada muito metafísico como "o que te levou a isso" ou "onde foi que eu errei"? Vai, fala!

- É uma coisa estranha, Daniel... ele é meu Orientador no Doutorado...

- Que coisa inédita, Nalu! Acho que vou me vingar de você indo comer minha secretária... você não poderia ter me poupado ao menos esse clichê horroroso?

- Daniel, a gente precisa conversar...

- Vá te fudê! - Nunca havia gritado com ela na vida. Nunca tinha gritado perto dela. Não me recordo da última vez que gritei e pra não deixar aberto o canal da ira, resolvi sair.

- Aonde você vai, Daniel?
- Sair.
- Espairecer?
- Espairecer a puta que te pariu! Vou sair pra não fazer merda... entenda como quiser.
- Leva o celular?

Levei a carteira com um pouco de dinheiro, cartões e talão de cheque. Levei a roupa do corpo. Pouca roupa, no caso: jeans, camiseta e tênis. Pensei de cara em "Trocando em Miúdos", música que eu sempre considerei a melhor de todas pra retratar o final de um relacionamento. Meu xodó era o verso de devolver o Neruda, mas na minha atual situação seria impossível fugir do final: "Levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade. E a leve impressão de que já vou tarde..."

Mas no momento em que comecei a andar sem a menor noção de rumo, talvez influenciado pelo filme recém assistido - e por uma acalorada discussão com um grupo de amigos sobre a beleza dos amores que não dão certo -, comecei a ouvir dentro da minha cabeça aquela maravilhosa introdução de bateria de "Just Like Honey"!

Só não precisava chover. Chuvinha fina, chata. Um táxi passava como que por milagre e eu entrei:

- Pra rodoviária, por favor?
- Tá bom. Vai viajar pra onde?
- São Paulo.
- Não quer ir de táxi? Faço R$150,00.
- 100 pilas, em cheque.
- Cemlão e o pedágio, amigo, pode ser?
- Toca. - Pensei alguns segundinhos e completei - Mas sem papo, tudo bem? Eu... tou muito mal, morreu meu tio favorito, tou indo pro velório dele.
- Morte é complicado. Morreu de quê?

Pelo retrovisor ele viu a cara que eu fiz tentando reiterar o pedido de abstinência verbal, pois entendeu minha instrução visual e não falou mais nada. Eu queria ter um discman e meus CDs pra encurtar o caminho, mas resolvi encarar minha situação como algo tão desgracento, que não me seria permitido desejar pequenos luxos. Cheguei a amaldiçoar a infeliz vontade de cagar que me acordou e fez com que eu ouvisse o que ouvi!

- Aonde vai ser o velório amigão?
Velório? Acordei dentro de um carro na região de Alphaville, com um motorista de táxi me perguntando onde era um velório.

- Pinheiros ou Tietê?
- Pinheiros. Avenida Paulista, por favor. Pode ser naquele Íbis da Bela Cintra. - Puxei pela memória quanto eu deveria ter no banco, adicionei os limites do cartão e do cheque especial e vislumbrei uma soma interessante - Você conhece algum flat melhorzinho ali na região?
- Deixa comigo.

Há menos de duas horas atrás eu estava deitado no tapete da minha sala, assistindo algum jogo de futebol horrível, e minhas únicas preocupações giravam em torno do resultado da partida, ou métodos mais eficazes de minimizar aquele calor. Agora dependo de um motorista de táxi para ter uma acomodação agradável. Escolhi São Paulo e a Paulista por uma única razão: A Menina do Cachecol. Você vai saber um pouco mais a respeito dela, mas vai demorar, pois antes eu preciso falar de mim...

postado por: Randall Ferreira Neto 10:13 AM Comments:


Segunda-feira, Outubro 04, 2004

De profundo mau gosto isso do blog ficar desprovido de comentários, mas vou tentar fingir que nada está acontecendo...

Eu só queria dizer que a minha amiga me fez chorar com um e-mail hoje, justamente numa hora em que eu olho pra foto tirada no arvorismo e me acho extremamente repugnante de tão gordo. É uma boa hora pra começar grandes mudanças, ainda mais quando uma pessoa mais que querida diz que te acha do caralho e isso meio que mexe com o eixo da vida dela.

Enquanto isso, ela vai vivendo a vida que eu deveria viver se tivesse cojones...

Thanx!

postado por: Randall Ferreira Neto 7:47 PM Comments:

Indescritível o final de semana, sem falar que o Kako e o Fefas nem poderão me alugar, pois não houveram "palestras motivacionais". Houveram Jogos estranhos e divertidos, nos quais minha equipe alcançou um honroso último lugar, teve um lance muito louco chamado Verticália e Rafting, bastante adrenalina e natureza na veia. Eu não sou um cara muito natural, mas curti bastante. A Laura perguntou se vale a pena voltar, e eu realmente não sei dizer, pois acredito que muito do sucesso desse passeio ocorreu em razão da turma: 144 pessoas de todos os lugarres do Brasil. Bah, oxente, uai, meu e merrrrrrrrrmããããão se misturavam entre tirolesas, quedas d´água e festinhas, onde íamos só no bagaço, ainda que o som não tivesse muito a ver comigo, que não tenho essa verve Black Music ou eletrônica. Uma despedida lacrimosa após ver o vídeo do Encontro e já dormi na minha nova residência. A Laura fez toda a mudança na minha ausência e a casa ficou com uma aura de "Lar de Recém Casados" que me agradou bastante. É tudo minúsculo e racionado, a TV de 29 polegadas não cabe no móvel da sala, meus CDs e livros amontoam-se caoticamente, as poltronas supersônicas ficaram para trás, mas sabe? Por mais linda e aconchegante que seja nossa Casa 20, esse apêzinho vem com trilha sonora:

"Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave o que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um p'ro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor"

postado por: Randall Ferreira Neto 4:34 PM Comments:




Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre outros.

Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo, casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester. Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado e quer ser escritor quando crescer.

Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel. Atualmente, tenta finalizar seu quarto romance, Pizza Fria.

Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida está sendo escrita pelo Nick Hornby.

Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as variações permitidas em lei.










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