Terça-feira, Novembro 30, 2004

Como eu já tinha lido o livro do Dapieve sobre BRock, a parte do "Quem Tem Um Sonho Não Dança" centrada em música ficou meio repetitiva, mas vale muito a pena quando o foco é teatro, cinema, literatura e televisão, assim como ganhou minha solene ignorada ao abordar artes plásticas, fotografias, grafite... o legal do livro como um todo, que não consegue (o que já era previsível) escapar da supeficialidade, é que consegue mostrar que existiu uma COISA nos anos 80, pode chamar de Movimento, se quiser. Sei que a Década não merecia terminar com a eleição do Fernando Affonso pra presidente, podia ter deixado como última recordação o "Verão da Lata", né?

Sei que o livro termina bem, num último parágrafo, um lance parafraseante do Cazuza (acho que o maior símbolo daquela geração): "Vem comigo. No caminho eu explico. Vem comigo. Pode ser divertido".

Mas aí eu quase não dormi de tão fascinado que fiquei com o continho curto do Mário Bortolotto na Antologia Bêbada! Fascinado e puto por ter ficado tanto tempo sem ter conhecimento dessa prosa que pega na veia como um voleio de direita em que você tira os dois pés do chão e manda a bola no ângulo! Passei pro do Reinaldo Moraes (aí fico puto por que não se encontra o Abacaxi nem nos mais elaborados Sebos da cidade) e continuei me sentindo bem com o que lia, sorrisão no rosto, esperança de sei lá o quê, alegria e quase-felicidade!

Eu fui na Mercearia São Pedro uma única vez e não conseguiria fazer um conto para o lugar, no máximo relatar o que ocorreu no caminho, mais precisamente na saída do show do Ludov, enquanto o pessoal decidia pra onde ir e eu conversava com o Paulo F... do nada, um dos carinhas que estava com os Wonkas me pergunta:
- Você sabe onde fica a Rodésia?
Mas não tive dúvidas:
- É o atual Zimbabwe, não é?

Ficaram me olhando como se eu estivesse doido, e eu fiquei com uma cara de quem, obviamente, não sabia que um dos bares mais afudê de Sampa fica na Rua Rodésia...

postado por: Randall Ferreira Neto 1:35 PM Comments:

E os comentários resolvem dar pau justamente no momento em que milhares de pessoas devem estar tentando, exaustivamente, expressar seu F.D.R... então, a proposta continua valendo até sexta, mas você pode (talvez deva, se guiado pelo bom senso que faltou ao autor aqui) desencanar do lance de "dar".

Mas as manifestações carinhosas e de mó-baratismo continuam sendo muitíssimo ben vindas! Bom mesmo seria chegar logo o sábado, quando eu imagino que colocarei minhas patas imundas sobre os livros das meninas que capitaneiam o Paulo F...

postado por: Randall Ferreira Neto 8:26 AM Comments:


Sexta-feira, Novembro 26, 2004

O COEFICIENTE DE F.D.R.

A Mariana já gritou por um e deu os motivos: lia os rascunhões! Motivo justo, relevante - aliado ao fato de ser minha prima-quase irmãzinha e, quando quer, uma das pessoas mais formidáveis do mundo. O Daniel fez o prefácio e acreditem, ficou do caralho! Também merece. E as pessoas que me deram uma super-força no lançamento do Além das Portas, como a Fátima (que abriria mão do seu exemplar em nome do filho, claro)? Merecem!

Mas são 4 livros!

E se eu desse um pra Mariana, um pro Daniel, um pro Ti e Blue? Sobraria um ainda, mas seria justa a escolha? Talvez, mas seria menos divertido do que a idéia que me ocorreu exatamente agora: dar os livros para aquelas pessoas que, através da caixa de comments, apresentassem o maior potencial de F.D.R., que nada mais é do que a quantificação da capacidade de ser Fã Do Randall.

Isso pode ser expressado através de comentários amáveis, sinceros e recheados de palavras onde a pessoa diz como sou legal, gente boa, afudê do caralho e fofinho - é, fofinho conta pontos. Outra dica: o F.D.R. pode ser potencializado se houver, por parte de quem escreve, uma recôndita vontade de (ressalvado o fato de que eu sou casado, gordo e feio), digamos, dar pra mim, pois como disse John Lennon: tudo é sexo!. Se você for homem, pode abrir seu coração, aqui o ambiente é free de preconceitos (o que não significa, sob hipótese nenhuma, que eu vá te comer, nem gostaria que isso abrisse link pra discussão alguma, tá?). E pode até parecer extrema pretensão, mas a Paulinha um dia me disse por e-mail que em determinada noite, sabe-se lá por quê, durante 5 minutos ela me achou extremamente comível. Foram só 5 minutos, segundo ela, mas frisou a palavra "extremamente".

Então, vai lá! Me convença através do seu F.D.R. que merece um livro meu.

Se bem que eu acho que meu livro não tá com esse valor todo não...

A caixa de comments receberá propostas até a próxima sexta, os 3 maiores coeficientes de F.D.R. ganharão um Clichê de Verão - Edição Especial.

postado por: Randall Ferreira Neto 4:29 PM Comments:

Dia 10 de Dezembro é um dia legal...

De um modo absoluto, eu diria, pois em 10 de dezembro de 2002, eu estava exatamente na véspera do Lançamento oficial do "Além das Portas" em Campinas, no Daktari, quando eu conheci um monte de gente bacana. Mas no dia 10, eu era um cara que se achava escritor, com 250 livros numa caixa prontos pra serem vendidos enquanto a Suíte Number Five fazia um show Afudê.

No 10 de dezembro de 2004 vai ser diferente, pois acho que ali vai acontecer a solene cerimônia de confirmação de um escritor. De tanto falarem mal da crueldade abominável do Mercado Editorial aqui e alhures, consegui minha vitória particular exatamente na contramão do mercado, senão vejamos:

Existe faculdade de Produção Editorial, vocês sabiam? Nem eu. Mas uma turma desse curso resolveu, à guisa de trabalho de conclusão ou algo nesse vetorial, publicar o meu querido Clichê de Verão. Será uma espécie de simulacro do meu sonho, mas daí surgiu algo que pode ser bem maior, se bem que agora quero falar só desse evento, onde imagino que vou acabar me emocionando, sabe? É o meu livrinho, tendo sido escolhido por gente que leu e resolveu que, por algum motivo, valeria a pena publicar. Seja pra vender ou pra passar de ano, se formar... vai ser meu livro ali, cumprindo um papel!

Serão feitas 5 cópias pra mim, edição caprichadinha, capa descolada, orelha, prefácio afudê do Daniel Aurélio, mini-CD encartado com a trilha sonora do livro e uma vida inteira pra agradecer ao Paulo F (de foda) e equipe por esse momento que está pra vir!

Mas aí vem um problema... são 4 livros. Sim, eu disse 5, mas um é meu, vai pra Estante do Ego direto, então sobram 4. Não que eu tenha milhares de leitores, mas eles são mais do que 4 e vai ser foda saber o que fazer com eles. Deveria dar pros brothers? Sei não... por exemplo, o Giba é brother de cagar de porta aberta, mas não me parece o tipo que se rasga na navalha por um livro meu, como também imagino que seja o Pescoço, o Best Friend Ever. Sorteio? Rifa? Sugestões?

Dá vontade de fazer como um amigo meu do Rio: "Você quer que eu te dê um livro, é? São só 4, mas mesmo assim eu tenho que te dar um? Sei... me convence disso?!"

postado por: Randall Ferreira Neto 10:12 AM Comments:


Quinta-feira, Novembro 25, 2004

400 pessoas na fila do Burger King! Por um sanduíche de hamburguer... tudo bem que quando abriram o Mc Donald´s em Goiânia foi o mesmo inferno e eu não via a hora de comer um Quarterão com Queijo e Milk Shake de baunilha, mas com a idade a gente vai ficando mais ranheta. É óbvio que quando a situação voltar às condições normais de temperatura e pressão eu possa alternar entre um Big Mac e um Whopper - apesar de que meu favorito mesmo é o double cheesburger -, o que me lembra de quando o Rob pensa na sua tese com mais de 300 itens que diferenciam o Big Mac do Whopper, depois da Laura dizer que música é tudo igual e discutir o que eles discutiam era tão bobo quanto discutir sobre o Mc Donalds e o Burger King.

E o único benefício dessa conversa foi que eu consegui descobrir o que é o "T.G.I." do Friday´s...

postado por: Randall Ferreira Neto 3:59 PM Comments:

Em 25 de novembro de 2002, eu tinha mil coisas me perturbando, como o casamento por vir e TODAS as consequências dele, o Returno de Saturno em seu auge, aprontando todas nos meu 29 anos, prestações de uma imprescindível guitarra, uma situação profissional caótica e a tentativa Brancaleone de lançar um livro! Precisava vir tudo junto? Quer dizer, os 30 anos e o casamento eram inevitáveis e, por assim dizer, necessários, mas profissão em xeque (mea culpa, mea semi-maxima culpa), guitarra e livro davam pra esperar, certo? Bom, há controvérsias, mas a Laura não estaria errada em pensar assim.

25 anos nesses 25 Novembros pra Lau e eu já me conformei com a casa dos 30, minha vida profissional é uma das melhores coisas que já me aconteceram e a vida, de um modo geral, está bem melhor! É... ainda penso em trocar a quase virgem guitarra e tem outro livro aí pra sair em 10 de dezembro, mas se as situações não se tornaram as melhores possíveis, pelo menos os estragos vão sendo minimizados.

Eu posso te dar um parabéns, um beijo e um abraço forte de manhã e um singelo presente... quando na verdade eu queria te dar tudo o que você merece, mas nem o que depende só de mim eu consigo...

Aí, agora você já pode cantar a música do Belchior, com sangue e sonho e América do Sul! Mas sei, que assim falando pensas, que esse desespero é moda...

Parabéns, meu amor!

"And after all, it was written in the stars..."

postado por: Randall Ferreira Neto 10:40 AM Comments:


Quarta-feira, Novembro 24, 2004

Um dos meus maiores talentos recônditos é mudar a letra de algumas músicas sem prejudicar a métrica ou a melodia, como no dia em que saí do banheiro cantando "Bastidores" a la Cauby, substituindo o "cantei" pela atividade exercida ali dentro.

Esse foi só um dos exemplos, na verdade o lance é muito mais uma questão de insights, como outro dia em que a música do Wonkavision não saía da minha cabeça e foi necessário alterar a letra:

"VOU TE FALA-A-AR O MAIO-OR VAI TE FUDÊ DO MUNDO!"

É assim. Bonito, né?

postado por: Randall Ferreira Neto 1:15 PM Comments:

Fiz uma lista de aniversário e deu super certo, por que não fazer a mesma coisa usando o Natal como pano de fundo? Agora não vou abusar do bolso dos meus amigos e parentes, mas mesmo assim tenho uma listinha:

- Notinha na coluna do Lucio sem chance de erro de que o Travis, o Keane e o Franz Ferdinand virão fazer show no Brasil
- Que eu consiga ir com o padrinho no O´Malleys tomar umas Newcastle Brown Ale.
- Que alguém pague uma passagem de ida e volta pro Helinho vir aqui em sampa cortar meu cabelo de um jeito que eu fique satisfeito (e aproveite pra ir no O´Malleys tomar umas Newcastle Brown Ale).
- Que eu receba, na minha meia pendurada na lareira um pack com 6 Newcastle Brown Ale.
- O Complemento, a toque de caixa, das 10 temporadas de Friends.
- Uma maneira, qualquer maneira, de convencer a Laura que a mesa de botão fica muito mais bacana na sala do que a mesa de jantar.
- Inspiração e tempo necessários pra finalizar meu livro.
- Conjunção de fatores e conspiração universal para que minha viagem a Floripa seja possível.
- E, já que reabriu a temporada de pedidos, um favorável alinhamento de astros não seria má idéia...

postado por: Randall Ferreira Neto 12:23 PM Comments:


Terça-feira, Novembro 23, 2004

Ainda acho que deria haver uma limitação severa de ambientes que podem ser frequentados por crianças, e não consigo pensar assim, de cara, em algum lugar "censura livre". Mas vamos nos restringir aos restaurantes; se um pai é incapaz de conter as tentativas de seus filhos demonstrarem quão alto e agudo podem gritar em seus insuportáveis chiliques, eles não merecem sentar-se à mesa com pessoas inocentes que só desejam fazer uma refeição e levar um papo sem maiores interrupções.

Hoje, no almoço, fui veementemente censurado por ter batido palmas quando um pai levou sua filha pra fora do restaurante após ela berrar insistentemente umas 17 oitavas acima do tolerável (mesmo que um dos repressores uma vez ameaçou um ataque de pelanca quando uma mulher acendeu um cigarro na mesa próxima à nossa, mas tudo bem). Desejaram estar comigo e bater palmas no dia em que eu passar pela mesma situação... eu acho que as diabólicas crianças em idade incomodante ainda não inventaram nada que seja imune a surra, berros, cara de psicopata, corda e mordaça, portanto, acho que estou preparado para a paternidade.

Tolerância não é o meu forte; coerência nas opiniões também não. Outro dia me perguntaram por que eu sou tão blasé com relação a The Doors, Pink Floyd e Led Zeppelin; respondi que não curtia essa pagação de pau com bandas que já eram, acabaram, deram seu recado e tchau, deixaram de existir, passou o tempo... tive que ouvir um "Esse é o Randall, grande fã dos Beatles, Stone Roses, Smiths e Nirvana!"

postado por: Randall Ferreira Neto 12:46 PM Comments:


Segunda-feira, Novembro 22, 2004

Sexta série. Tenho quase certeza que começa na sexta série, só sei que de repente você se pega olhando pra ela por mais tempo que o normal, escreve o nome dela no seu caderno, contempla aquela foto ridícula de vocês dois dançando quadrilha dois anos antes e pensa nela durante todo o trajeto de ida e volta à escola. Isso é o começo de tudo. E depois ocorrem inúmeras variações de um mesmo tema, mas o fato é que mesmo aos 32 anos, você ainda se pega olhando pra uma foto no seu computador, aguarda palpitante um e-mail e se sente invadido por aquela postura tatibitate a cada vez que pega o telefone para ligar pra ela. Você tem 34 anos e vive uma relação estável, não deveria estar se sentindo palpitante ou tatibitate, essa é a verdade.

Mas, se a verdade é assim tão absoluta, por que diabos aquela menina apareceu na fila do show do Coldplay há quase um ano atrás, usando um cachecol como poucas pessoas sabem usar? Sim, pois é preciso muito style pra se usar um cachecol. Eu diria que deveriam exigir Carteira de Habilitação para pendurar esse adorno no pescoço, de tão ridículo que fica em determinadas pessoas. Eu mesmo, fico parecendo um ser desleixado e friorento, sem o menor pendor para a combinação de acessórios. Só que ela usava seu cachecol colorido com total desenvoltura, e isso, aliado ao fato de achar que já a conhecia de algum lugar, me fez olhá-la por mais tempo que o habitual. Ela notou. Sorriu. E antes mesmo que eu sorrisse de volta, ela saiu da fila e veio falar comigo:
- Oi. Tá sozinho?
- Mais ou menos. Tou esperando uns amigos.
- Eles vão demorar? Você pode entrar com a gente, estamos quase chegando.
Ela apontou um pessoal aparentemente aglutinado e eu reconheci a ex-namorada do guitarrista da minha banda, onde a gente tocou no aniversário. E, obviamente, de onde eu conhecia aquela guria do cachecol.

Isso é uma quebra de promessa, pois disse que falaria um pouco de mim antes de falar nela, mas achei justo dizer ao menos o por que de me referir a ela simplesmente como "a menina do cachecol". Está explicado agora? Eu não entrei com ela, nos encontramos de novo dentro do Via Funchal antes do show começar, nos encaramos de forma levemente acintosa ao som de "Yellow" e eu acabei pagando uma cerveja pra ela ao final, enquanto dávamos um jeito de prolongar o "que quer que seja" que estivesse acontecendo ali:
- Você mora aqui, então?
- Moro... faço faculdade de Jornalismo na Cásper. Você ainda volta hoje pra Sorocaba?
- Volto. Só esperar o trem começar a funcionar e fazer algumas baldeações até a Barra Funda.
- Nossa! E você vai ficar esperando até abrir? Nesse frio?
- É...
- Vou deixar meu cachecol e meu gorro com você, assim pelo menos você não morre de frio.
- Não precisa... é... seu gorro é rosa e... das meninas superpoderosas...
- Ah, que preconceituoso! Ao menos o cachecol, ele é coloridinho sim, mas... - ela enrolou o cachecol no meu pescoço e o cheiro me fez esquecer todos os meus conceitos e princípios acerca desse adereço - se um dia a gente se encontrar de novo, você me devolve.
- Não seria mais fácil você me dar seu telefone ou endereço, aí eu devolvo mais rapidamente?
- Seria mais fácil - ela me deu um beijinho no rosto daqueles que no meu início de adolescência costumava dizer que "bateu na trave" -, mas não seria tão legal.
Nem me preocupei em como explicaria em casa a presença de um cachecol colorido e cheiroso no meu pescoço na volta do show, nem tampouco me importei com as curtições dos meus amigos na estação, enquanto o trem não vinha. Tempos depois eu assisti "Serendipity" (com o John Cusak) e toda aquela história de coincidências e cachecóis me fez tirar as costas da poltrona e soltar um quase sussurrado "puta que o pariu", que provocou perguntas por parte da minha mulher:
- Nada não, Nalu. Puta cena bacana, né?
- Bacana seria se realmente existissem esses encontros cheios de sequências cinematográficas. Mas você adora filminhos água-com-açúcar, né?
- Adoro...

E também adorava situações cinematográficas, mesmo que ela não acreditasse que elas eram possíveis.


Sim, é o segundo capítulo do meu livro que está sendo escrito, ainda sem título definido, aguardando sugestões e provisoriamente chamado "Não Caem do Céu, Daniel".

Não pretendo ir postando aqui, é apenas para registrar minha imensa felicidade com a chegada do meu cachecol do Arsenal comprado em Highbury pela minha mãe... que se dane o que eu ou o personagem disse sobre cachecol e style, esse eu vou usar de qualquer jeito!

postado por: Randall Ferreira Neto 4:32 PM Comments:

Se os dias fossem discos, o meu seria o Azul da Legião Urbana... ainda bem que existem e-mails como o do Alex Quadros nesses dias em que você pensa em modificar uma das músicas mais lindas daquele álbum...

Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV, sei que existe alguma coisa incomodando, você, meu amor, cuidado na estrada; e quando você voltar...

Nessa hora vem a vontade de interferir e mandar o último verso daquela música do silêncio em casa e do prato só na mesa...

Mas quando tudo está perdido, sempre existe uma luz; quando tudo está perdido, sempre existe um caminho.

E saiba que te amo!

postado por: Randall Ferreira Neto 9:58 AM Comments:


Sexta-feira, Novembro 19, 2004

Eu quero muito tocar guitarra. Tenho uma vontade de aprender que não cabe na genialidade do Pepeu Gomes e do Robertinho do Recife juntos, mas parece que o Universo conspira contra. Eu fui procurar um professor em Sorocaba e ele chamava Chico ou Dito; esse não é um nome Rock n Roll. Aí fiquei nesse trança de fretado pra lá e pra cá, grana curtíssima e tal: guitarra guardada. Foi só colocar a guitarra como objeto de decoração, com uns adesivinhos do Arsenal e do Ludov, que eu senti uma necessidade de tocar. Um dia fui visitar uma escola na hora do almoço, mas tinha uns 3 livros de cifras do Beto Guedes na mesinha da recepção, o que eu interpretei como um presságio para me manter distante dali. Ontem eu tava voltando pra casa ontem e vi uma escola de música, entrei todo feliz pra ver qual era e custa 150 pilas por mês pra fazer uma aula por semana. 150! Um curso de Astrologia que duas pessoas aqui no escritório fazem custa 80, quase metade do preço e olha só a complexidade: Os Astros! Se bem que na concepção da Laura, existe muito mais complexidade na minha falta de ritmo e plena inaptidão pra "bater palma no 8" do que em toda a vastidão das Galáxias.

Bira, acho que era Bira o nome do professor de Sorocaba, mas ele levava jeito de quem ia me ensinar uma levada assim do Zé Ramalho/Oswaldo Montenegro...

E eu tenho o cartão do cara daqui de São Paulo pra provar que ele se chama Sherlock.

Sherlock Gomes.

É ou não é uma conspiração?

postado por: Randall Ferreira Neto 1:11 PM Comments:


Quinta-feira, Novembro 18, 2004

Será que dava pra lançarem o 31 Songs logo?

Seria o livro perfeito para eu ler enquanto escrevo, pois não estou com tesão de ler nada do que tenho na estante dos "não-lidos", e isso nem é pela qualidade dos livros, mas por um medo talvez infundado da perda de foco. Acho que todo o meu tempo livre tem que ser dedicado a escrever, mesmo de saco cheio, mesmo sem inspiração, mesmo sem o tal do tempo livre... fico sentado em frente ao note, coloco o Moby ou Wonkavision pra tocar (não me peçam pra explicar a combinação, apenas registre-se a companhia deles na produção desse livro) e releio o que escrevi, faço correções, emputeço-me com erros primários (ainda não me conformo por ter esquecido a origem da expressão "Erro Crasso", alguém pode me ajudar?) e de repente sai alguma coisa. Livros de contos tem me ajudado, como a Antologia Bêbada adquirida na Mercearia ou a Coletânea de textos da Clarah, que, aliás, tem me ajudado bastante! Não se trata de influência ou algo do gênero, mas admiração pela maneira de escrever, como ela própria classificou, "por esporro". Me agrada a agressividade das frases, e mesmo sem querer fazer igual, vejo uma nova e interessante maneira de fazer.

Mas já pensou no 31 Songs? Nick Hornby e algumas músicas do caralho sendo dichavadas pelo cara com a prosa mais bacana da última década?

postado por: Randall Ferreira Neto 10:05 AM Comments:

Preciso dar o braço a torcer, pois nunca haverão de me acusar de jamais mudar de opinião:

O Kaká foi determinante para o resultado do jogo do Brasil ontem!

Até quando, meu Deus?

postado por: Randall Ferreira Neto 8:53 AM Comments:


Quarta-feira, Novembro 17, 2004

Se tem uma coisa que a Globo consegue fazer com uma qualidade mínima, é minissérie. Mas não são todas que eu gosto, e como elas sempre passam tarde, algumas eu perdi e muita gente falou bem, como "A Muralha" e "Memorial de Maria Moura". Essas séries cometem deslizes, pois assim como o Torero jamais imaginou que escreveria um personagem que seria interpretado pelo Humberto Martins, seria mesmo o Tarcísio Meira a melhor opção para o célebre Capitão Rodrigo, aquele que nos pequenos dá de relho e nos grandes dá te talho? Se bem que a minha memória mais fidedigna do Tarcisão seja como o mais notório corno de todos os tempos, aka Euclides da Cunha, berrando "a porrrrrrrrrrra do sargentão" pra uma Vera Fischer morena, pecado gravíssimo!

E o texto já está ficando grande, pois eu queria mesmo era falar de "Anos Rebeldes", que revi recentemente. Sem entrar no mérito da qualidade, verossimilhança, nem tampouco estabelecer QUALQUER link com o impeachment do Fernando Affonso, eu só queria dizer que ali estão retratados, com perfeição, todos os tipos da época: o revolucionário por vocação; o mezzo revolucionário, que pedia pro pai segurar a barra e pagar as contas, que ele ia ali mudar o mundo; a individualista absoluta; o cara que achava Ditadura um negócio ruim, não concordava e tal, mas precisava ir trabalhar, encher as latas, ralar, sabe? A esse parece que era destinado um ódio ainda maior por parte dos "revolucionários" do que aos próprios militares. Ele era chamado de Pequeno burguês! Havia também o reacinha, que parecia realmente acreditar que os comunistas representavam o perigo, e se recusava a aceitar que se torturava e matava gente no Brasil. Tinha o reaça-mor, o mau caráter de carteirinha, que se deliciava em ver neguinho torturado e quase babava ao pronunciar a palavra COMUNISTA! E tinha o alienadão... a vantagem de ser o alienadão é que ele não concordava com violência de espécie alguma, seja em forma de tortura, ou através de sequestro de embaixador. E, sobretudo, não se emocionava com aquela musiquinha chata do Geraldo Vandré. Aliás, como bem disse o Galeno genialmente interpretado pelo Pedro Cardoso: "Queeeeeeee Geraldo Vandré..."

Quem eu seria, se vivesse naquela época? Se fosse realmente escolher, preferiria ser o alienadão, mas acho que acabaria sendo uma mistura do que pior existia entre o revolucionário e aquele que não tem cojones de por a mão na massa, vai pro trabalho bater ponto... ainda prefiro o alienadão, afinal de contas, "Sabiá" era muito mais bonita e eles, apesar de tudo, ainda são os mesmos e vivem como os próprios pais, guardados por Deus e contando o vil metal.

postado por: Randall Ferreira Neto 10:12 AM Comments:


Terça-feira, Novembro 16, 2004

Antes, só uma amiga muito querida tinha lido o que eu escrevia no meu livro novo (que está sem título, e na minha comunidade do orkut eu peço sugestões. Por enquanto, prevalece "Não Caem do Céu, Daniel"), depois passei o que já existe ao meu editor, quiçá futuro sócio Paulo F. Aos poucos vou recebendo os feedbacks de ambos; ela disse que está gostando muito, ele disse uma coisa que eu nem tenho coragem de publicar!

Outro dia a Laura perguntou do livro novo e eu disse que era só ela abrir o notebook e ler, estava tudo lá. Ela foi até a mesa, perguntou quanto eu já tinha escrito e decidiu esperar um pouco mais, pra ter uma noção melhor da história. E perguntou:
- Será que alguém gostaria de ter essa oportunidade que eu tenho? De simplesmente abrir o notebook e ver o que você andou escrevendo? Seu livro novo...

Não soube responder, mas não sei se é legal ir lendo algo que não terminou, sem saber o que virá depois, nem quando virá. Duro mesmo é escrever sem saber se vou conseguir fazer com que as pessoas leiam...

postado por: Randall Ferreira Neto 12:42 PM Comments:

Que a posteridade saiba e me cobre no devido momento, que houve um show do Nada Surf aqui em Sampa e nesse dia, eu dormi pouco depois das 9 da noite. Trabalho alucinante no sábado e obrigatoriamente entediante no domingo, tanto que houve tempo para algumas reflexões históricas, como quando passamos a dissertar a respeito da matéria de capa da Revista da Folha: "O que fazer quando o vibrador surge na relação?" Dentre algumas respostas indignadas, coube ao meu amigo dar o devido pitaco com o costumeiro senso de humor:

- Se ela levar o vibrador pra cama, eu levo o controle remoto da TV e tudo bem.

Mas o melhor momento de criação coletiva a partir do ócio e da obrigação de permanecer num lugar por determinações superiores foi quando começamos a relatar casos de tiques nervosos bizarros e alguém pensou alto:

- Já imaginaram um Big Brother só com esses caras esquisitos, com tiques escrotos? Já pensaram o sucesso que seria o Freak Brother?

É se contentar com pouco sim, admito. Principalmente se alguns dos seus amigos foram assistir o Wonkavision num show afudê, segundo eles.

postado por: Randall Ferreira Neto 10:12 AM Comments:


Sexta-feira, Novembro 12, 2004

Ano passado, numa hora dessas, eu tava em Porto Alegre... mais precisamente, bundando a toa pela Feira do Livro, adquirindo o raríssimo "Auto-exílio dos meus Headphones", uma coletânea de crônicas do Kledyr e o novo da Cláudia Tajes, uma boa surpresa. Jantinha no Barranco, pessoas lindas ao redor, uma cidade do caralho, tris e bahs pra todo o lado, a visualização de um futuro onírico como dono de uma livrariazinha num lugar bem bacana de lá. Bairros com nomes sonoros tipo Bom Fim, Tristeza, Moinhos de Vento... disseram que eu tinha um jeito de magrão, uma vez na vida fui MAGRÃO! E ainda achei o CD com a Trilha do Houve Uma Vez Dois Verôes, raríssimo como gato brodô na época.

Porto Alegre foi tão legal que me preparou para um dos piores cenários que enfrentei desde que a gente casou, se você for aos arquivos febrealtinos, vai perceber. Mas passou e eu não quero mais nem pensar nisso, já enterrei algumas pessoas envolvidas nisso naquela época. Esse ano não tem Porto Alegre, ao contrário disso, estarei trabalhando durante todo o findie. Mas outros anos virão e a cidade continuará lá me esperando pra me aquecer na velhice... esse 12 de novembro é diferente, pois mesmo sem saber de onde vem a calma, ela nos faz companhia em Sampa e a Laura acabou de me ligar dizendo que nunca esquecerá esse dia. Portanto, se algum dia vierem os Escafanbloguistas, que eles saibam que, em 12 de novembro, após 40 dias aperfeiçoando seus talentos e funções "do lar" o grande amor da minha vida recebeu uma proposta legal de trabalho, e SOBRETUDO, foi oficialmente aceita por uma orientadora no Mestrado na USP!

E pensar que o dia começou com você manchando uma das minhas camisas favoritas, hein Lau? Capaz que até a mancha vai sair, pelo jeito... e como diria O Cara: "Não se afobe não, que nada é pra já..."

postado por: Randall Ferreira Neto 3:10 PM Comments:


Quinta-feira, Novembro 11, 2004

Joana e Joaquin definitivamente vetados, mas a cada dia eu venço algumas barreiras e alguns nomes além de Caio e Marina passam a ser aceitos como opção. Pra menina, Sofia e Manuela passaram a ser oficialmente nomes candidatos ao conclave, mas pra menino, nenhum foi aceito. Arthur foi vetado por que ela disse que o nome ficaria horrível sendo pronunciado pelo povo dela com sotaque de Sorocaba, mesma razão pela qual Bernardo dançou. Mas diz aí: Bernardo não é o nome de alguém que vai se dar bem e ganhar muita grana na vida? Doutor Bernardo, fala sério! É nome de quem vai ter motorista, mordomo e 12 óculos!

No almoço entramos nessa de analisar nomes e descobrimos, dentre outras coisas, que não adianta, Edgar é nome de cafajeste. Melissa é nome de perva. Maurício é de alguém que sempre vai trabalhar pros outros e Christian, segundo meu próprio amigo que tem esse nome, é de gente arrogante, que odeia ser contrariado, acha o nome maravilhoso (vive sugerindo que pessoas em vias de ser pai coloquem o nome no filho de Christian e não compreende eventuais recusas) e tem um apego quase sobrenatural pelo "h" no meio do nome, tendo verdadeiros ataques de pelanca se alguém escreve sem. Foi uma descrição bacana e eu não sei dizer sobre Randall. Eu não gosto. A Laura dizia que era legal até o dia em que disse que poderíamos colocar esse nome no nosso filho, mas aí ela disse que não é tããããão legal assim. Até aí tudo bem, meu nome é diferente, pra dizer o mínimo; mas eu não mereço ver um e-mail de um cliente que começa assim: "Caro Dr. Run Down..."

postado por: Randall Ferreira Neto 4:15 PM Comments:

Quando eu li "Feliz Ano Velho", descobri que queria escrever um livro; o que é totalmente diferente de querer ser escritor (ao menos na minha cabeça é). Dito isso e lembrando aquilo que o André escreveu sobre mim e o Los Hermanos, eu diria, observando o Ludov mais atentamente no show de ontem, que eles são o Marcelo Rubens Paiva do Rock Nacional.

Pra bom entendedor...

E a Mercearia São Pedro é um lugar que foi injustamente mantido escondido de mim por todo esse tempo, não só pelo clima, pelos frequentadores, os livros espalhados, o caráter de mecenas dos proprietários e o lanche de carne assada com queijo. É por tudo isso e a oportunidade de ter reencontrado a Mel-X, além de compreender que, dentre todas as bandas existentes, só mesmo o Wonkavision poderia escrever "A Garota Mais Afudê do Mundo"!!!!!

postado por: Randall Ferreira Neto 8:55 AM Comments:


Quarta-feira, Novembro 10, 2004

Como bem disse o Riq Freire, foram anos e anos de briga entre o Brizola e o Dr Água Espraiada, que produziram imagens terríveis sobre o Rio de Janeiro e que criaram essa idéia de Bósnia que muitos de nós temos da cidade, e nos recusamos a acreditar que o Rio de Janeiro continua lindo - e continua, claro! Se bem que é preciso mais do que ser portador da Síndorme da Paranóia Adquirida pra achar que estará na exata trajetória de uma bala perdida, mas, quando é a pessoa mais importante da sua vida que vai sair da Barra da Tijuca em pleno rush, pegando linha amarela, vermelha, fúcsia, grená, brodô (que é raríssima!), tudo o que você quer é esperar ela chegar em casa. Ajudaria se ela ligasse no meio do caminho, mas não dá pra exigir que alguém rompa grilhões com princípios tão sólidos, né? Meu Caverninha deve chegar em torno de meia-noite, e pra aliviar o stress, ansiedade e angústia da espera, vou ver o Ludov de graça no Sesc Pompéia, vamos?

postado por: Randall Ferreira Neto 10:18 AM Comments:


Terça-feira, Novembro 09, 2004

Eu acho o maior barato trocar idéias com as pessoas sobre suas religiões e crenças, tanto que outro dia acharam que a recepcionista iria me cobrir de pancada do tanto que eu fiquei perguntando sobre Umbanda pra ela - coisinhas básicas, como diferença entre "santo", "entidade" e "cabôco" e porque fecham um olho e falam esquisito quando baixa o que quer que seja na pessoa.

Mas o que eu mais curti foi quando um amigo meu falou que, segundo a crença dele, vai rolar uma treta fortíssima no período previsto no livro das Revelações e depois, uma galera que for do bem pacaralho vai ser salva e conseguir a tal vida eterna. E entre os que passarem, um sequência de 3 frases será bastante comum:
- Ufa, ainda bem que eu estou aqui.
- Nossa, VOCÊ por aqui?
- Caramba, não acredito que Fulano não conseguiu vir pra cá!

Interessante, né?

postado por: Randall Ferreira Neto 4:33 PM Comments:

A cada dia eu me convenço mais do caráter absoluto de determinadas obviedades, como por exemplo, que TUDO na vida é uma questão de ponto de vista, ou prisma de observação. Depende das circunstâncias que te rodeiam num determinado momento da sua vida, em que somos forçados a fazer uma avaliação. O termo e o fato em si da lendária "Vitória de Pirro" é o que mais próximo chega do que eu quero dizer, mas na falta de exemplos corriqueiros, vou dar o de um colega meu daqui da empresa, que veio de Porto Alegre pra São Paulo por que queria "mais", pretendia acelerar a carreira e a vida. Por outro lado, o irmão mais novo dele foi pra Floripa, pois já não suportava mais o stress de Porto Alegre.

Falando na cidade mais afudê do Brasil, acho que vou comprar o acústico dos Engenheiros, sabe? O André me disse nas internas que ouviu e tá lindão, mas nem é por isso que vou comprar; talvez seja um agradecimento pelo papel que os discos amarelo e vermelho tiveram na minha vida. Só não precisava da Clarinha cantar junto com o Alemão, né? Lembro como se fosse hoje de quando ele compôs uma musiquinha pra sua pequena "princesinha Clarabólica" na época em que eu ainda ia nos shows deles no longínquo Rio Vermelho.

"Ei mãe, eu tenho uma guitarra elétrica. Durante muito tempo isso foi tudo o que eu queria ter..."

postado por: Randall Ferreira Neto 1:26 PM Comments:

Tinha lá o notebook que minha cunhada Horácia tão gentilmente emprestou para que minha produção literária não parasse, mas desde os primórdios da Casa 20 eu relutava em utilizá-lo, por causa de um pequeno defeito que ele apresentava - solucionado por uma junta de amigos, de Roger Jo a Dimba - e que acabou reduzido a uma mera idiossincrasia fácil de reverter.

E ontem eu fiz algo que só tinha feito pra finalizar o "Clichê de Verão": escrevi sem parar, mesmo com o sono atrasado e com um insuportável barulhinho nos teclados (este amenizado pelo Moby, que foi substituído pelo John e depois pelos Wonkas). Escrevi e fiquei feliz com o resultado, desliguei o computador morto de sono e pensei que, a continuar assim, uma promessa feita no ano passado tem grandes chances de ser cumprida, ainda que com outro título!

postado por: Randall Ferreira Neto 8:54 AM Comments:


Segunda-feira, Novembro 08, 2004

Sabe aquela coisinha insignificante, que os outros acham uma besteira do tamanho do mundo, mas que você detesta? E detestando, a cada vez que ela aparece, esse sentimento evolui para um ódio indizível e fúria mortal? Assim é toda quarta ou quinta feira, quando abro a minha caixa de e-mails e vejo uma mensagem da Anzu falando alguma coisa sobre a programação. Primeiramente, me irrita saber como eles conseguiram meu e-mail. Depois, eu fico pensando que, de alguma forma, eles me confundiram com as pessoas que frequentam aquele lugarzinho: playboys ou metidos a playboy, com suas camisas de manga dobradas segundo a última tendência. Me incomoda a pretensa assepsia do lugar, a música bunda que impera por lá e os preços exorbitantes, mas se você me perguntar por que já fui lá, direi que era uma velha promessa à Laura. E fui pra poder falar tudo isso com conhecimento de causa, claro. E depois de apagar sem ler vários e-mails, comecei a pedir para eles pararem de mandá-los, mas parece que a coisa entrou para o terreno pessoal, e por mais que eu seja grosso, mal educado, irônico, ameaçador e desesperadamente aflito, eles continuam a me mandar esses e-mails sobre o último lugar na face da Terra onde eu tenho vontade de estar.

E me incomoda mais ainda quando os playboys com as camisas dobradas segundo a última tendência vão aos "meus" lugares, como a FunHouse. Sua presença nesses lugares talvez se justifique por que ele lê a Vejinha ou o Guia da Folha e vê um "lugar onde toca rock", ouve um boato aqui e outro ali, e acha que vai chegar ali abafando, pedir um uísque com energético e ouvir Charlie Brown, Linkin Park e Pink Floyd (não que ele curta Pink Floyd, pois só conhece "Another Brick in The Wall", mas sempre ouviu as pessoas dizerem que Pink Floyd é rock).

Sei lá, o mundo tá uma merda, o Bush ganhou de novo, o Palmeiras entrou na briga pelo título definitivamente, temos uma meta insana pra bater aqui na empresa, tenho dentista logo mais, enfim, mil motivos reais com o que me preocupar e vou encanar com os Vila Olímpia Boys? Pois é, e ainda me dá vontade de cobrir de porrada os sujeitos, acredita? Violência Tarantiniana pra cima dos sujeitos, pegar pela cabeça e dar uma joelhada de Muai Thay, chutar a boca no chão e arrastar o cara pra fora do lugar. E antes que você me pergunte, as Patricinhas da Vila Olímpia não aparecem por lá, ou, se aparecem, tomam o cuidado de se vestir conforme o lugar...

postado por: Randall Ferreira Neto 12:48 PM Comments:

O Ti tocou num assunto que eu tava pensando mesmo em abordar hoje, que foi a estréia dos Aspones (a Laura não sabia o que significava a sigla) na sexta-feira. Eu achei genial e não sei se vão conseguir manter o nível elevadíssimo da estréia, como tudo o que acontece nesse segmento da emissora. "Comédia da Vida Privada" começou espetacularmente, depois foi decaindo, repetindo o ocorrido com TV Pirata; já com "Os Normais", eu acho que ocorriam oscilações, sendo que a maioria era bacana, com alguns espasmos de genialidade e uns poucos dias ruins.

Eu mesmo já fui um Aspone por quase 3 anos, na Telegoiás, quando meus tios tinham uma empreiteira que fazia mutretas por lá numa prodigiosa época pré-privatização e num dos contratos estava previsto que a empreiteira contrataria gente pra trabalhar dentro da Telegoiás. Eu entrei numa dessas e ninguém se importava muito com a minha produtividade, rendimento ou retorno para a empresa, então acabei no final indo parar numa função pitoresca, pois meu chefe era duma igreja aí dum Quadrangular do Caralho de Asa e quando assumiu um cargo meio de Grão Vizir por lá, pediu para que eu redigisse o discurso (TESTEMUNHO) dele. O cara gostou tanto, que me passava tudo quanto era testemunho dos "irmãos" dele, me contando um breve histórico do figura e eu criava a história dramática dele pra ser lida no templo. Depois dei aulas de redação pros filhos dele e aproveitei pra criar o Miguel (que viraria Fred).

E essa minha experiência possibilita identificar e reconhecer certas situações extremamente comuns no ambiente de funcionalismo público, como achar que "Chefes" são entidades que se reúnem secretamente com pautas que giram em torno de "mil maneiras de se ferrar um subordinado apenas pelo mero prazer do mal". Tem também o lance de fingir que trabalha e sabe Deus por quê rola essa coisa de ESTABILIDADE... aliás, a maioria das pessoas que eu conheço que resolvem fazer Concurso Público, usam a Estabilidade e a Aposentadoria Confortável como justificativas mais relevantes que os atronômicos salários. Quer dizer, tudo o que você quer é ir trabalhar num lugar onde pode ser um profissional de bosta que seu empregador NÃO PODE te mandar embora? Beleeeeeeeza! Ah, eles ainda fazem GREVE...

postado por: Randall Ferreira Neto 10:35 AM Comments:


Sexta-feira, Novembro 05, 2004

- Oi, eu vim fazer umas fotos com o Caio, ele está?
- Não, não está...
- É que ele queria fazer umas fotos minhas, um lance assim nu artístico, sabe? Você também é fotógrafo?
- Sou fotógrafo.
- Que bom!
- Não que eu seja propriamente um fotógrafo, mas eu curto muito fotografia, é... sempre tive álbum e uma vez, ganhei uma xereta de aniversário.

Pra quem não sabe, "xereta" era uma míni-câmera fotográfica muito popular quando eu era moleque e tinha meio que a intenção de seduzir as crianças ao universo da fotografia. Eu ganhei uma xereta do Padrin, que era fotógrafo, propriamente fotógrafo e transava uns nus artísticos, uma vez eu e o Pescoço achamos no laboratório dele nos fundos da casa da minha vó uma coletânea de peitos sensacionais. E o texto foi retirado do penúltimo ato de "Trate-me Leão", sendo que o não-propriamente fotógrafo era o Djamil, interpretado pelo Luís Fernando Guimarães, fácil de imaginar, né?

"Quero ver você escovar os dentes e te ouvir dizer que o papel acabou. Quero sentir o que você sentir quando em cada dia pintar a hora triste do dia. Quero dividir com você o meu único lençol de solteiro" - Essa foi a declaração de amor feita por "Quem Fica" a "Quem Parte", no ato com o nome destes dois personagens e que termina assim:

- Não vai não. A gente viveu tanto tempo junto.Horas, semanas, meses, anos. E agora, você vai embora com um pessoal que você nem conhece. Você não tem medo?
- Quando eu tô com medo, eu tenho medo de tudo. Mas agora eu não tô com medo de nada. Sei que você me ama muito. Mas, quando eu entrar naquele ônibus, eu começo uma nova história. pode se preocupar com o que vai acontecer comigo. Mas, por favor, aproveita o happy end.

Sei que andei excessivamente Asdrúbal essa semana, mas aqui eu acho que fecho meu tributo aos caras, aquela saudade que o Renato Russo descreve em Índios e que pouca gente consegue entender - talvez só aqueles que tenham certeza que nunca viram e nem verão um show da banda favorita.

postado por: Randall Ferreira Neto 12:12 PM Comments:


Quinta-feira, Novembro 04, 2004

Tenho um amigo com pavor de analogia, e um sujeito eruditíssimo amigo do meu brother Neto diz sofrer de "metáforofobia" - ainda bem que esse cara que se recusa a ler traduções nunca vai correr o risco de chegar perto dos meus textos.

Eu sou chegado numa boa metáfora, e aqui, logo abaixo da entrevista legal do Jardel Tarantino você vai ver uma que beira a perfeição.

No começo do blog eu escrevi que se abacaxi fosse tão fácil de descascar quanto mexerica, seria minha fruta favorita, e isso, dependendo da turma, do clima e das substâncias ingeridas, pode ter várias interpretações. Eis que no mercadinho estrategicamente localizado entre o trampo e a minha casa, vendem abacaxi DESCASCADO! Sim, ele vem inteirão, até com o espinho, mas sem a casca, é só levar e cortar. Contei isso aqui no serviço e a maioria riu da minha preguiça, mas uma colega foi além e disse que a perfeição seria se vendessem MEXERICA DESCASCADA, mas nisso, todo mundo concordou que seria o cúmulo - até eu, que se alguém fosse fazer um Tótem em homenagem à preguiça, teria minha cara lá. Mas hoje, tempos depois desse lance do abacaxi, essa minha amiga chegou com um pacote do Pão de Açúcar e disse que tinha lembrado de mim no supermercado: era uma daquelas bandejinhas com 4 mexercias DESCASCADAS. Bacana demais isso de singelos atos em função de uma lembrança, dá um negócio bom na gente, saber que pensaram em você...

Aí lembrei que, mesmo sem saber, tinha feito quase a mesma coisa no sábado, quando comprei uma coletânea de contos do Leminski, pensando na Maíra. Comprei pra mim, pois meu altruísmo não é assim tão nobre, mas pensando em emprestar pra ela antes mesmo de ler - já é um desprendimento, vai?

É uma pena que nem sempre existe algo assim a mão pra gente concretizar o pensamento em alguém - metaforize se quiser!

postado por: Randall Ferreira Neto 11:01 AM Comments:


Quarta-feira, Novembro 03, 2004

"Quem Tem Um Sonho Não Dança", do Guilherme Bryan, mexe de novo nas minhas memórias lá dos anos 80, mas vendo de fora e bem depois, vejo o preço que paguei por ter morado em Goiânia, que equivale a ficar totalmente de fora de um monte de coisa que aconteceu na minha década querida e que eu nem sonhava. Às vezes eu dou um F.Fwd no livro quando começa a falar muito de artes plásticas e pichações de muro, mas quase não vejo o tempo passar quando o tema é a efervescência cultural de Pinheiros e Vila Madalena, a origem das primeiras bandas do rock nacional e, claro, o teatro, quando movemos o foco para o Rio e aparece com o merecido destaque "Asdrubal Trouxe o Trombone". Saí na segunda e consegui achar a íntegra de "Trate-me Leão", editado pela Objetiva, e passei o feriado tentando imaginar aquela peça sendo encenada na minha cabeça. Conseguia visualizar o Luis Fernando Guimarães falando: "Deixa comigo que eu trato com o síndico! Meu pai é síndico, meu avô era síndico, entre síndicos me criei, entendo a pampa de síndico!" ou "Tou te sacando, viu? Tou entendo qual é a sua comigo... só por que eu sou alto, louro, forte, bonito e com a maior pinta de quem vai ganhar grana na vida, assim até eu!". Ou o Evandro Mesquita dizendo que na segunda seu velho vai lhe arrumar um excesso de contingente pra ele sartar fora do exército, mas que no momento não quer entrar numa de amor, está mais pra uns carinhos variados...

E eu aqui, com minha gravata e meus sonhos de ter vivido tudo isso um pouco mais de perto, sem ter que assumir que meu primeiro contato com aquela genialidade toda foi ver a Blitz no Chacrinha e o Luís Fernando em "Vereda Tropical".

Sorry, Beckett, mas eu estarei sempre "Esperando Asdrúbal"...

"E não me manda ir a luta que eu não gosto que fiquem me mandando ir à luta, tá? Vá á luta você!"

postado por: Randall Ferreira Neto 11:08 AM Comments:


Segunda-feira, Novembro 01, 2004

4 shows do Los Hermanos num ano? Sim, e cada um diferente do outro, mas arrisco dizer que esse último foi o melhor. Mesmo com o trânsito de saída de feriado conspirando contra, e a Berrini travada por causa do debate do Serra com a Mãe do Supla, depois o retorninho do Transamérica travado por causa das Portas do Século 21 no Credicard Hall. Cheguei em cima e cruzei com a Vanessa do Ludov na minha frente ali na fila, numa boa. Depois troquei uma idéia com ela e as amigas na outra fila:

- Então, pode ser que o Mauro esteja procurando vocês? Pois é, ele tá na frente da bilheteria parecendo meio perdidão.

Depois de ser útil à sociedade e ganhar o sorriso que o Paulo F costuma dizer que vale os shows, fiz minha pose ali, sozinho. O bom é que nesse Tom Brasil, se a casa não estiver muito cheia, você põe o cotovelo no balcão do Bar e ainda fica com uma excelente visão do palco, o que durou até ele, inacreditavelmente, cantar "Santa Chuva", pois depois eu fiz algo que há milhões de anos não fazia: fui lá pra frente, primeira fila, cotoveladas, manifestações de histeria hiperbólica, devoção... eles estavam descontraídos, o Bruno saiu de sua zona de conforto e contou como conheceu sua futura esposa antes de dedicar a música da "fila do pão" pra ela.

Termina o show e as pessoas à minha volta talvez me confundem com algum amigo:
- Você também estuda na PUC, né?
- Não, já me formei.
- Ah é, quantos anos você tem?
- 31.
- Pô, cê é mó velhão, hein?

É... mó velhão. Com esposa, cachorro, aluguel, condomínio, probleminhas de saúde e ninguém da minha idade ali por perto.

Demorei só 15 minutos pra chegar em casa depois que resolveram me entregar o carro, que delícia!

Mas eu nunca tinha me tocado que todos os Los Hermanos são mais novos que eu... mó velhão...

"Deixo tudo assim.
Não me importo em ver a idade em mim,
ouço o que convém. Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
quando vem dizer que eu preciso sim
de todo o cuidado.
E se eu fosse o primeiro a voltar
pra mudar o que eu fiz,
quem então agora eu seria?"

postado por: Randall Ferreira Neto 2:03 PM Comments:




Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre outros.

Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo, casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester. Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado e quer ser escritor quando crescer.

Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel. Atualmente, tenta finalizar seu quarto romance, Pizza Fria.

Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida está sendo escrita pelo Nick Hornby.

Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as variações permitidas em lei.










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