Sei que não é das coisas mais legais do mundo, mas confesso um prazer bizarro quando meu pai queima a língua, ainda mais quando a opinião contrária era a minha, como nos casos da Albânia, do Fidel, de que o Guga só ganharia aquele Roland Garros de 97 e mais nada, que o Senna ganharia muito mais títulos que o Piquet e assim por diante; a última "queimada" foi em dupla comigo, pois eu também não acreditava que o Ronaldo jogaria bem a Copa de 2002.
Uma bem bacana tem a ver muito mais com implicância embasada em preconceito bobo do que com teoria, mas ele dizia que desde o Barbosa, tinha certeza que negros não podiam jogar no gol. Eu observava que era mesmo bem raro de ver um negro no gol, mas aí, na Copa de 82, eu achei que o goleiro de Camarões catou muito, mas aquele escorregão no gol do Grazianni que classificou a Itália, e depois um verdadeiro frango num amistoso Europa x Resto do Mundo, fez meu pai soltar a frase, quase como se estivesse bufando:
- Goleiro Preto...
Até que o Goiás arrumou um goleiro preto na inesquecível campanha de 83, e já no trajeto pro Serra Dourada pra estréia dele, meu pai foi agourando, ganhando adeptos de sua teoria entre nossos convivas, lembrando umas atuações desastrosas de um tal de Lubumba em tempos mais remotos. Mas o cara pegou tudo, sobrevivemos a um magro 1 x 0 gol do Gílson Jáder graças a suas milagrosas defesas (você acha que eu fui ler em algum lugar esses dados? Sim, sou meio doente.), mas meu pai ainda insistia em falar "Sei não, goleiro preto..." No próximo jogo, que passou pela televisão, meu pai acrescentou: "Além de preto, é gordo, olha lá!". Mas assistimos a mais uma atuação magnifíca dele, que foi aos poucos, ajundando o Goiás a um inesquecível e um inédito Quinto lugar no Brasileiro, eliminando o Corinthians da Democracia, do Sócrates, Casão, Biro-Biro, Zenon e Ataliba. Tá, ele não conduziu sozinho o Goiás, mas houveram jogos em que o Goiás ganhou de 1x 0 ou empatou em 0x0, que bem poderiam ter acabado em goleada para o outro time - no caso, o outro time do Grupo era o Flamengo da Santíssima Trindade de Andrade-Adílio-Zico, que empatou no Maraca conosco em 2x2 e perdeu no Serra por 2x1, lembro até hoje de ouvir com meu pai pelo rádio o locutor berrar "Éééééééééédison faz mais um milagre! Éééééééééédison tapinha na bola! Espetacular Ééééééééédison!" (na verdade era uma coisa meio Sílvio Santos: Éééééééédisoannnnn), enquanto o Cacau entortava os melhores laterais do mundo em suas inconstantes movimentações pela direita e pela esquerda, e fuzilava o FIllol em dois gols que ainda guardo no meu Salão Nobre da memória!
A gente simplesmente acreditou que o Goiás poderia, sei lá, quartas-de-final contra o Santos... empatamos em 0x0 no Serra com o Édison pegando um pênalti (roubado) do João Paulo; e em 2x2 no Morumbi, com uma atuação que vendeu o Luvanor pra Itália, o Cacau pro Corinthians e o Zé Teodoro pro São Paulo, mas como o Santos tinha vantagem, paramos por ali com a sensação de dever cumprido e demos um salto financeiro e de estrutura frente aos outros times do Estado, tornando-nos absolutos - Vila Who?
Encontramos o Édison no Shopping tempos depois, e eu apontei ele pro meu pai; olha, o cara tava com uma roupa, MAS UMA ROUPA, que eu até compreendo o comentário do meu pai: "Além de preto e gordo, ainda é viado (e era, de fato)!". Mas se você perguntar pra ele, quem foi o melhor goleiro que já jogou no Goiás, eu sei qual vai ser a sua resposta, pois é idêntica à minha.
E só pra finalizar (rapaz, me deu uma saudade ao escrever isso aqui!), ontem, quando o Dida soltou a bola nos pés do Uruguaio, liguei pro Coroa, que nem falou alô, meio que adivinhando quem estava do outro lado:
- Pelo menos contra o Uruguai, eles podiam evitar colocar goleiro preto, né?
A Laura, particularmente odiou esse dia, mas eu disse que não descansaria enquanto não fizesse, fui lá e fiz: tomei meio ácido e fui pra uma Rave em Piracicaba. Tomei meio ácido e um Ecstasy, na verdade, pois tavam rolando uns estragados com o meu bróder dealer e ele disse que eu precisava experimentar um pra ver se era falso ou verdadeiro, pois eu nunca tinha tomado e o efeito sobre mim seria mais eficaz de se comprovar, isso ou aquilo. Sei que ele me falou pra ficar por perto e procurá-lo se tivesse "batido", mas pouco depois disso (umas 6 e meia da manhã), eu ouvi a galera dele conversando sobre um churrasco que começaria logo mais e atravessaria todo o domingo, aí deu!
Entrei numas que precisava ir pra Sorocaba de qualquer jeito, arrumei uma carona pra Rodoviária e fui. Em Sorocaba, fui a pé pra casa da mãe da Laura, mas acho que em determinados trechos eu dei umas corridas, principalmente nas descidas. Parei na Doceria da minha Tia e ela achou estranho eu abdicar de todas aquelas delícias e tomar 4 garrafas de água enquanto batíamos papos, altos papos, eu estava a finzaço de bater papo e na Rave não dava, o pessoal meio que falava os nomes uns dos outros e desatavam a dar muita risada, faltava sequência. A Lau não curitu minha aparência, e eu queria conversar, tava aceleradaço! Em CNTP a Laura já não é de muito papo, me vendo daquele jeito (dxô falar, dxô falar, dxô falar, putaqueopariu, que sede!), acabei sozinho na piscina, tentando atravessar a duchona gorda sem me molhar (isso a Lau falou que foi engraçado de ver do quarto dela, eu pulando de um lado pro outro da ducha), até me ver completamente molhado pelas tentativas anteriores e sem condições de avaliar, "agora que tinha pego a manha", se estava conseguindo.
Na mesa do almoço, a Flávia falou alguma coisa sobre boi pegando fogo e eu comecei a rir como os meus companheiros de rave, e como a Laura mandou que eu parasse, acreditei que, por alguma razão, se eu apertasse meu braço bem forte, a crise passaria, mas aí piorou, pois todas as pessoas da mesa começaram a rir muito mais que eu...
E a música do Nando Reis com isso? Bom, depois da minha brincadeira na ducha, eu deitei nas espreguiçadeiras com o discman e fiquei ouvindo aquele disco pela primeira vez, mas parei na segunda música: "fala sobre All Star, eu tive vários All Stares, esse tênis era legal! Acho que vou comprar um All Star..." Fiquei com essa idéia e a música do Nando fixas na minha cabeça, não ouvi outra coisa durante a semana toda, depois acaberi virando um dos maiores fãs do ex-Titã, só por ele ter cantado sobre alguma coisa que tinha tanto a ver com meus queridos Anos 80!
E comprei um All Star, depois de quase 10 anos! E bastou essa experiência lisérgica. E o Ecstasy, provavelmente era o verdadeiro, coisa que esqueci de avisar pro cara...
Se eu tentar te explicar a parada, corro o risco de você torcer o nariz pra mim e pensar que se trata de mais um "testezinho de RH", o que não estaria assim, tão distante da verdade se eu não fosse tão entusiasta. Mas o fato é que isso ajuda de uma certa forma se você souber utilizar, eu mesmo passei a conviver bem melhor com a Laura quando compreendi onde ela se encaixava dentre esses perfis.
Segundo o teste, eu sou EXTREMAMENTE: influenciável, entusiasta, aberto, impulsivo, emocional, persuasivo, falante, sedutor, sensível, deliberativo e de fácil trato.
Diz também que eu sou um pouco: atrevido, decidido, otimista, flexível, sincero, meticuloso, preciso, questionador e polido.
Sou quase nada: competitivo, estável, paciente, equilibrado, cuidadoso, modesto, racional, lógico, consistente e perfeccionista.
E por fim, o que não sou, e deveria desenvolver como características: diretivo, confiante, aventureiro, incansável, persistente, de iniciativa, forte, previsível, analítico e curioso.
Tudo isso tem todo um método e uma conclusão interessantíssimos, mas infinitamente mais interessante é o fato de que as características da Laura são quase exatamente o oposto das minhas, apesar de isso resultar numa mistura bacana pra casal. Legal também é que você começa a fazer o teste mentalmente com os outros, e imaginando como agir para conseguir o que quer com eles, ou não os irritar, não intimidar, como agir em caso de stress, as frases que ele gosta de escutar, o que não dizer em hipótese alguma... sei lá, cada um perde seu tempo como quer, e se você quiser realmente saber mais a respeito, Tio Christian é o verdadeiro Mestre Jedi nessa arte!
Eu acho que sou um dos caras mais compreensivos da humanidade... consigo compreender uns bebaços cantando "Grandola Vila Morena" na Torre, no mesmo dia em que, ungido pelo bálsamo da magnanimidade, compreendi o companheiro Toloi dançando Bon Jovi com alegria esfuziante na pista. Tudo bem, eu não consigo compreender um rapaz ganhar uma corrida só com a Sexta Marcha, mas veja só, eu compreendo que pessoas o idolatrem. Eu compreendo o Carnaval de Salvador, a Capoeira e o Candomblé, compreendo tanto que mantenho a maior distância possível. Compreendo as músicas sertanejas, tem gente que gosta, fazer o quê? Compreendo o Jazz e a Música Clássica, que meu intelecto reduzido impede de apreciar, mas fico pensando nas pessoas que SÓ gostam de Jazz e Música Clássica... além de ser extremamente divertidas em festas - como bem disse Nick Hornby -, me parecem pessoas totalmente desprovidas de vida sexual, sabe? Olho praquela salinha de Jazz & Música Clássica que tem na Saraiva, parece um aquário de seres assexuados, o último ali que deu uma trepada deve ser do tempo em que se tomava Emulsão Scott pra ficar forte.
Mas eu não compreendo o D2. Não mesmo. Será que precisa de uma dose cavalar de carioquismo, muito mais maconha do que eu já vi na vida, malandragem, falta de apêgo ao trabalho 8-18 e boçalização de uns 45 pontos de Q.I.? Quem mandou ver Big Bróder?, direis, mas por quê o D2?
13- Judy In The Dreams Of Horses - Belle and Sebastian / 21 - Where The Streets Have No Name - U2
Até por ter deixado explícito meu vício em shows, não é de se estranhar que outras músicas entrem aqui pelo fato de eu tê-las visto "ao vivo", como as duas desse post, que tem essa semelhança e uma diferença crucial entre elas, separadas por quase 4 anos.
"Where The Streets Have No Name" foi o ponto alto do show do U2 na minha opinião, e se alguém, nos dias que o sucedeream, viesse me dizer que eu ainda assistiria um show melhor, pensaria que se tratava de um doido varrido. Hoje, eu poderia dizer, num ataque de soberba, que não me faz muita falta ter ido a esse show, o que não passa nem perto da tangente da verdade. O show foi do caralho, com toda o lance de pegar avião em Goiânia, metrô pra casa da minha prima, que nos recebeu com uma hospitalidade ímpar, a balada de sexta com esqueminha pré-agendado pela prima hospitaleira, chegar no Morumbi antes das 3 da tarde, a companhia acima de tudo, as minas de BH recusando nossas "barrinhas" de tarde, e implorando por elas depois do show... tudo bem que foi muita função só pra ver um show, mas acho que esse era o espírito! Foi uma grana que eu não poderia nem sonhar em gastar, mas era esse o espírito! E no dia em que eu cheguei em Goiânia, minha namorada terminou comigo sem muito motivo a não ser o fato de que ela tinha deixado de gostar de mim. Mas a memória do show do U2 foi predominante naquele início de 98, e eu até poderia pensar numa música deles pra embalar a minha fossa, mas pouco tempo depois eu fui pra Sorocaba e tudo já estava prestes a mudar pra sempre!
Eis que em outubro de 2001 eu estava morando em São Paulo, mais precisamente a uns 15 minutos de onde seria realizado o show do Belle and Sebastian, que eu pretendia assistir se algum cambista fosse complacente com meu bolso. O show foi espetacular, de uma forma diferente em quase todos os aspectos em relação ao do U2, mas foi mais cativante! De lá pra cá, sempre que eu penso em "banda favorita", me vem o nome de Belle and Sebastian e a lembrança da banda sorrindo surpresa ao ver o público entoar alto o refrão de "Judy in The Dream of Horses", uma das últimas do show. Terminado o show, a gente comeu no insuperável Fifties e dormiu em casa, diferentemente do que aconteceu no U2, nos Rolling Stones (dentro do carro, pois tinha um cachorro Highlander na casa cujo cheiro era algo indescritível, insuportável e inesquecível), ou mesmo no R.E.M., com toda a mão de obra pra voltar da Cidade do Rock, e depois ainda voltar do Rio. Esse show do Belle and Sebastian foi uma das "quedas de ficha" acerca de morar em sampa de verdade, como um dia eu escrevi que aconteceria com o Daniel na "Sombra de um Sorriso..." E a tristeza acaba sendo só uma questão de sonhar que está roubando cavalos, afinal.
Ok, a banda acabou, Ti. Nada como uma Yoko Ono pra separar dois parceiros, e apesar do egoísmo dos fãs dos Beatles, é só olhar o bem que ela fez pro Lennon. Quem é Beatle ou Yoko aqui nessa história? Ninguém, é pura linguagem figurada de quem já deveria estar dormindo. Vou dar-me por muito satisfeito por "saber" escrever e com meu arroubo da época, ter te conduzido à compra da sua primeira guitarra.
E eu empresto pra você e pra Blue uma música que muito me ajudou nos meus já remotos tempos de namoro à distância:
Eu queria ter uma bomba
Cazuza
Solidão a dois, de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralizante qualquer
Pra poder me livrar
Do prático efeito
Das tuas frases feitas
Das tuas noites perfeitas
Solidão a dois, de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em homicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Eu queria ter uma bomba
Um flit paralizante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Meu mundo que você não vê
Meu sonho que você não crê Eu queria ter uma bomba
Um flit paralizante qualquer
Pra poder te negar
Bem no último instante
Shows! Conheço gente viciada em drogas (leves e pesadas), novela, futebol, compras, chocolate, coca-cola, vídeo game, etc... eu sou viciado em shows! É lógico que um showzaço de estádio como foram U2, Rolling Stones e R.E.M. são a "heroína" de todo o contexto, mas além desses eventos serem bastante raros e caros, consigo manter meu vício a base de shows pequenos, caseiros, prosaicos, improvisados. E isso vem desde o "Território Brasileiro", em Goiânia, quando muita gente me perguntava por que diabos eu gostava tanto de Laia Vunje? Porque era o que tinha pra gostar, em última análise, apesar de já termos, à época, MQN e Pai Tomé (embrião da Barfly); e eu ia em todos, ia em tudo! Desde os 12 ou 13, como o Pescoço dizia, de Luiz Caldas pra cima, a gente ia em qualquer coisa que tocasse no Rio Vermelho. E o lance do "Território" tinha mais a ver com minha vontade de participar da coisa toda, naquela esperança de que Goiânia ainda seria assim, uma espécie de Seattle...
E aqui em sampa, poucas chances eu teria de participar de qualquer coisa, quanto mais da "coisa toda", mas aí veio o Ludov com sua atitude de me dar vontade de ter uma banda, suas letras sobre o cotidiano e a simpatia dos integrantes, tudo isso fez com que eu me sentisse integrado, mesmo sem estar. Os shows pequenos, improvisados, o EP "Quixotesco", as impressões em comum nos blogs amigos, tudo isso culminando nas palminhas sincronizadas em "Princesa"... era como se o EP que eu comprei, o ingresso, a opinião positiva, tudo isso era um empurrão decisivo pra banda ganhar (como de fato ganhou) um prêmio da MTV.
E aí eu saí de um show do Ludov numa quarta-feira e sentei num bar pra beber com dois integrantes da banda. Outra banda (Wonkavision), que pra mim veio "Via Ludov", e também ocupou espaço decisivo na minha estante e preferências, com direito a lanche pós show na padoca do lado da FunHouse, o que pra mim bastou pra que eu me sentisse no direito de me achar plenamente inserido no contexto.
"Princesa" representa um pouco do epílogo dessa minha carreira de frequentador de shows, o que talvez coincida com a sempre adiada entrada na vida adulta, com tudo a que tiver direito, inclusive admirar a simplicidade bucólica das letras do Ludov e lembrar, não só de todos os shows que assisti, como também daquela banda que eu nunca tive.
Eu já tinha ouvido a expressão "Não deveria ter saído da cama", mas não é o caso, eu simplesmente soube, no exato momento em que acordei, como seria o Domingo de Páscoa: a comida da minha sogra no almoço estaria inacreditavelmente deliciosa, assim como o ovo de chocolate recheado com doce de leite que minha tia fez pra mim; a Laura iria inventar um filme qualquer pra assistir bem na hora do jogo, e o próprio jogo seria bem meia-boca, extremamente propício praquela tradicional cochilada domingueira; o Robinho começaria no banco, mas quando entrasse, também não faria grande coisa; os jogadores reclamariam do calor de Goiânia, a mágica do Ronaldinho não apareceria, nem o futebol do outro Ronaldo. Eu me empanturraria de chocolate até arrumar afta na ponta da língua, sequer encostaria nas "Incríveis Aventuras de Kalaier and Clay", pegaríamos trânsito na volta, o telefone do Christian estaria na caixa postal, o Alan seria eliminado com uma votação não muito acachapante e eu teria insônia, o que resultaria numa segunda-feira cocô. Como essa. Boa semana pra você também! Assim:
Segunda: Conseguir dormir. Terça Insana, no Avenida Clube. Jogo da Seleção na TV (quarta-feira). Show de lançamento do Ludov no Blen-blen na quinta, e Castelo Branco na sexta, com a esperança que os finais de semana não sejam mais tão curtos - e olha que esse ainda teve um dia a mais!
Dá saudade de Goiânia na Páscoa, pois lá, eu me lembro que o feriado começa já na quinta! E quando eu trabalhava num escritório de advocacia, a quarta já emendava... lembrei de Goiânia também por isso, além de ter sido aniversário do Pescoço e os Klu-Klux-Klan coloridões de Goiás Véi terem aparecido na primeira página da Folha. Acho que alguém já tombou essa procissão no Patrimônio das Coisas Inúteis da Humanidade.
E até agora, acho que eu só dormi nesse feriado, enquanto a Laura assistia os "Antes" (do Amanhecer e do Pôr do Sol), mas além dos 4 outros filmes que faltam (Os Intocáveis, O Homem que Matou o Facínora, Réquiem Para Um Sonho e Abaixo de Zero), surpreendeu minha pretensão ao trazer as mais de 500 páginas de "As Incríveis Aventuras de Kavalier and Clay, que provavelmente vai voltar intocado pra sampa, depois da Mega-Gibada com Malhação de Judas amanhã e o joquinho da Seleção + bode + almoço de domingo.
A minha música favorita do Travis é "Flowers In The Window". Travis é a banda favorita da Laura, e não tem uma única pessoa do meu círculo de amizades, do Ti ao Azamba, que não curtiu quando eu mostrei.
Mas essa música tem uma coisa... "is it because i lied when i was seventeen?" é a minha cara, e me lembra de "Camila, Camila", que eu adorava num tempo em que eu imaginava se quando estivesse com 17 anos abaixaria minha cabeça pra tudo - ou então se haveria um tempo em que eu me lembraria dos meus 17 anos, algo assim. Mas, puxando pela memória, essa foi a última banda que o Pescoço me aplicou de verdade, numa coletânea que ele gravou e me deu de presente de Noivado, o que foi a experiência mais careta que já vivenciei (o noivado, não o presente. Foi careta, mas foi legal). Na verdade, não rolavam aplicações messiânico-catequéticas, tipo "escuta isso aqui", ou "você precisa ouvir tal coisa", normalmente eu ouvi uma música que ele colocava nas festas antes dos convidados chegarem e perguntava de quem era; depois dele fazer suspense e repetir "ra-rááááá" por muitas vezes, depois me mostrava a capinha.
Mas voltando à última aplicação (que também continha Coldplay e Train dentre as "novidades"), lembro que na sequência fomos pra Ubatuba e a Lau me mostrou a música do Travis no disco, que nos apaixonamos de cara! E eu falei que gostaria que ela tocasse no meu casamento! Foi a primeira vez que me manifestei nesse sentido.
Depois disso, eu meio que me senti apto a descobrir meus discos sozinhos (o que não é 100% verdade), mas devo agradecer ao "Yoda-Rock" por tudo o que eu consegui me tornar em termos de gosto musical, pois sem a convivência com ele, provavelmente seria um fã ardoroso de Oswaldo Montenegro, Beto Guedes, Caetano Veloso e Zé Ramalho. Outro dia, li a Danuza Leão descendo a lenha no Renato Machado por ele ter escrito um livro sobre vinhos, pois - segundo ela - quando eram casados, ele não sabia diferenciar nem cerveja de guaraná antártica. Eu não entendo qual o problema em pessoas evoluírem, adquir conhecimento de alguma forma, em alguma fonte, mudar determinadas opiniões, quebrar alguns paradigmas e, conforme o caso, dividir com os outros. Por acaso a Danuza nasceu sabendo tudo sobre vinhos, ou os céus se abriram e de uma luz fortíssima emanou toda a informação que ela precisava? Não sei se a analogia ficou boa, mas é como o Tiago disse pra Fernanda: alguns conhecimentos estão ali, é só você ir buscar e, de repente, até ter conclusões mais brilhantes que o antigo detentor.
"And it all boills down to the same old thing
just yin and yang
or a couple of pipe dreams"
Teria a ver com a bola levantada pelo Paulo F. ontem sobre as comodidades da tecnologia, mas é um pouco além.
Um amigo do escritório me perguntou qual era a maior distância compreendida entre dois pontos, e disse que era aquela percorrida por nós entre o Motel e a casa da menina, com o que eu concordei com ressalvas (tenho teorias acerca do trajeto de IDA ao motel, o que não vem ao caso agora), pois vim a conhecer A MAIOR DISTÂNCIA ENTRE DOIS PONTOS:
Chego em casa, tomo banho, leio o jornal, me sento no sofá de frente pra TV, pego o controle remoto, e nada! Mais uma vez, a Laura desligou a TV... por alguma razão que me foge completamente, ela foi lá e apertou o maldito botão! Então, torna-se inatingível e inalcansável a distância entre o sofá e o botão da TV, restando-me esperar do céu alguma resposta satisfatória...
Essa é da Fernanda, claro! E você pode estar pensando que essa música é da Madonna, mas essa é a exata razão pela qual ela entrou na lista e vou explicar mais adiante, pois agora eu só posso dizer que dentre todas as pessoas do mundo, eu escolheria a Fer pra escrever um Manual de Instruções do Randall, e a expressão é bastante apropriada no caso, pois ela vivia dizendo que eu não existia, que era "de brinquedo". Tudo bem que a Flávia (não a irmã da Laura) descreveu com precisão no Orkut os meus hábitos mais estranhos, como não atender o telefone nos horários dos meus programas favoritos e dar o devido feedback após uma noite de vexame dos verdadeiros amigos, mas a La Guevara, Sin Perder La ternura.
A Fer era a minha melhor amiga e a distância acabou com isso, por mais que a gente se abrace por toda uma eternidade quando se encontra ou eu ligo pra ela ao ver o Nando Reis tocar "Sangue Latino" no DVD que acabei de comprar. Mas fica a memória de um tempo em que a gente se reunia na casa dela, comprava um vinho doce horroroso, se embriagava e falava, falava, falava... numa dessas noites, ela disse que estava lendo um livro fantástico que o namorado havia emprestado, e ela queria muito que eu pudesse ler, apesar de estar em inglês; ela falou durante horas sobre High Fidelity e sempre repetia que eu ia amar esse livro.
Noutra noite, enquanto a gente estava ouvindo o "Stonewall", tentávamos descobrir qual música era mais legal: "If You See Him Say Hello" ou "If Tomorrow Never Comes", aí ela me mostrou "Old Friend" e como eu estava num período pós pé na bunda, achei foda pra caralho, principalmente a parte do "you´ll do it again!"... com o disco no repeat, começou a tocar "Cherish" e eu disse que nunca tinha ouvido essa música com a Madonna, aí a Fer falou:
- Eu já, mas quando ouvi com o Renato Russo, eu esqueci.
Na hora, eu soube que era uma puta frase com enorme potencial, mas quando eu comecei a namorar a Laura, compreendi tudo! Eu voltei das férias em Sorocaba dia 10 de janeiro de 2000, depois de 15 dias seguidos com a Lau, nosso recorde! Mal pisei em Goiânia e já sabia o que eu queria da minha vida, mas bastou eu ver a minha velha amiga e ela disse:
- Você vai embora daqui por causa dessa menina, já tou até vendo!
Na hora, eu achei maluca e sem muito sentido essa previsão, embora fosse tudo o que eu mais queria na vida. Eu não tinha o Stonewall, ela me deu na minha festa de despedida em Goiânia, e escreveu na dedicatória que era um disco ímpar para uma pessoa idem, que tinha encontrado seu par. E o post é pra Fernanda, assim como a música desse disco ímpar que não é "Cherish", mas era a nossa cara, há muito tempo atrás numa Galáxia muito, muito distante...
"Everytime I've lost another lover, I call up my old friend
And say let's get together, I'm under the weather
Another love has suddenly come to an end
And he listens as I tell him my sad story
And wonders at my taste in men
And we wonder why I do it, And the pain of getting through it
And he laughs and says: "You'll do it again !" And we sit in a bar and talk till two
'Bout life and love as old friends do
And tell each other what we've been through
How love is rare, life is strange
Nothing lasts, people change
And I ask him if his life is ever lonely,
And if he ever feels despair
And he says he's learned to love it
'Cause that's really a part of it
And it helps him feel the good times when they're there
And we wonder if I'll live with any lover,
Or spend my life alone
And the bartender is dozing
And it's getting time for closing
So we figure that I'll make it on my own
But we'll meet the year we're sixty-two
And travel the world as old friends do
And tell each other what we've been through
How love is rare, life is strange
Nothing lasts, people change"
- Qual é mesmo o nome da rua, Randall?
- É... esqueci, mas sei que você pega a Inácio e vira na Harmonia.
- As ruas da Vila Madalena tem uns nomes legais, né? Harmonia, Purpurina...
- Na verdade, só Harmonia e Purpurina são nomes mais diferentes, o resto é igual aos outros bairros.
- Como você é chá-tô (jeito sorocabano e lindo de pronunciar as palavras)!
- Aspicuelta!
- O quê?
- O nome da rua que tem que virar, é Aspicuelta!
- Tá bom...
- É a próxima, olha ali na plaquinha!
- A rua chama Aspicuelta mesmo...
- E você achou o quê?
- Que era mais uma daquelas palavras que você fica falando: Zauski Nadalson, Baraueras, Ienes Pirulaits, Ocsi Mihause, Lirous Quitimirous, Larauanas Quititiuaras... O que é uma Aspicuelta?
Sei que esse já é o segundo post iniciado a partir do nome de uma rua na Vila Madalena, mas aproveitando o gancho da pergunta da Laura, e lembrando aquele texto do Veríssimo que o Kako sempre cita, eu estou em dúvida se Aspicuelta é o nome de um órgão genital ou instrumento ginecológico. Diz aí, Comentarista!
Eu ia dizer que meu tio é uma figura, mas os 4 irmãos do meu pai são figuraças, então só posso dizer que esse meu tio é MUITO mais figura que os outros.
Certa feita, eu e o Pescoço ainda bem pequenos e passando a tarde na casa da minha vó (eu, porque efetivamente morava lá; ele, porque costumava ficar lá de tarde enquanto minha tia trabalhava, isso num tempo antes do advento da Mariana), quando esse meu tio figura acordou (sim, dia útil, era de tarde mesmo, mas era um tempo em que a ARENA mandava e desmandava no país, sendo meu avô um dos caciques do estado e a relação EMPREGO X COMPARECIMENTO AO TRABALHO não era algo tão cartesiano assim) e depois de ler o jornal na sala enrolado na colcha de piquet e fumando, foi pro quarto e começou a gritar:
- Cadê minha má-conha?!?!?!?!
A gente escutou, e já sabia que maconha não era uma coisa legal (tanto no sentido jurídico, quanto no sentido de "bacana"), e nos assustamos em ouvir aquela palavra em casa, seria o equivalente a ouvir BUCETA, CARALHO gritados no meio de uma missa (depois de escrever, me pareceu uma idéia fascinante!), mas nos intrigou muito MEU TIO ter relações com maconha.
- Mãããããe! Cadê minha má-conha, PORRA? - O palavrão piorava as coisas, óbvio - Tava aqui no meu armário, a maconha que eu comprei com o meu dinheiro, MEU DINHEIRO (foi legal da parte dele frisar isso, porque, realmente, apesar dele "trabalhar", minha vó ainda dava uma grana por fora pra ele, regalia que os outros irmãos não experimentavam e ninguém soube me explicar porque ele tinha esse direito), maior muca, tinha uns camarãozão no meio...
- Tinha não, João Bosco, era só umas folhinhas que pareciam orégano e uns galhos esquisitos, joguei fora mesmo!
Enfim, a história não terminou bem, nem tampouco foi o último "trabai" que meu tio deu pra minha vó, mas o que ficou desse dia, foi que, eu e o Pescoço, sempre que estamos procurando alguma coisa pela casa, costumamos falar "Cadê minha má-conha, porra?", independente se for sapato, caneta, um disco, etc... a Laura odeia, claro, principalmente se estiver dormindo e o seu marido, atrás dos sapatos, começar a gritar "Cadê minha má-conha, porra?" pela casa. Como ela já estava acordada, fiquei repetindo mesmo depois de ter achado, e quando fui contar a origem da expressão, ela me chamou pelo nome de uma pessoa que sempre repete histórias, mas eu sei que fingi ter saído, fechei a porta, esperei uns 2 minutos quietinho dentro de casa e soltei "cadê minha má-conha, porra?".
E por mais que isso seja um comportamento que eu odiava no meu pai, estou com muita vontade de ligar agora em casa e, quando ela atender, eu dizer:_______________
Eu até tentei criar um fotolog, mas como eles aparentemente ainda me odeiam, resolvi usar meu bom e velho blog pra registrar o meu Saint Patrick´s Day:
Leu o Álvaro ontem? Eu achei de uma crueldade extrema ele dar a notícia de um livro sobre um cara cuja principal obcessão é juntar os 4 Smiths de novo. "How Soon Is Never" é o título, e ele até adiantou uma história do personagem principal querendo carcar uma menina e diz pra ela que se chama Ian Curtis e tem uma banda chamada Joy Division - e o xaveco funciona! O que me lembra aquela crônica do Veríssimo em que dois velhinhos conversavam e diziam que, com as meninas de hoje, você nem precisa mais do Vinícius, basta escrever um soneto dele e dizer que é seu, pois elas não fazem a menor idéia de quem seja Vinícius de Moraes, é só uma questão de eliminar o intermediário.
Essa notícia precisava MESMO ter saído logo quando tenho um bróder a postos pra comprar um? A dúvida é se peço ou se espero por meia eternidade até alguém no Brasil ter a boa vontade de traduzir, aí eu me lembro dos livros do Coupland e me calo com a boca de feijão.
Tem também o Álvaro da semana passada, ainda mais cruel, dependendo do prisma que se usa pra analisar. Tudo bem que o foco eram os Hunter Thompsons Wannabes, mas se ele fala de gente escrevendo em blogs, inclusive citando trechos de seus próprios romances, acho que a carapuça tem o meu número! "Quem não lê nada, não pode escrever", até aí eu concordo, a proporção pra alguém querer escrever um livro talvez seja, sei lá, de 200 pra 1. Se você ainda não leu 200 livros, não se atreva a escrever um livro, e eu escrevi meus primeiros antes de ler 200 (acho), mas não é de surpreender que a medida em que fui lendo mais, eu fui melhorando.
É por isso que vou dar um tempo. Não do blog - ainda -, mas de escrever livros. Terminei o "Não Caem do Céu, Daniel", e a incerteza sobre o seu futuro é a mesma que rondava meus primeiros romances em Goiânia, fica a sensação de que nada mudou, e lá se vão 12 anos desde que comecei com isso. Eu queria até estabelecer um Deadline, tipo um ano, ou então só depois que eu terminar "O Tempo e o Vento", o novo da Donna Tartt, aquele do Salman Rushdie e "As Aventuras de Kavalier Clay" que o Seth Cohen daria pra Anna e pra Summer na sua caixa com o DVD dos Goonies... mas vou só esperar, mexer bastante no que já escrevi do meu último romance, ESPERAR OS FEEDBACKS DO MEU CONSELHO DE NOTÁVEIS, e ver se pinta mais uma idéia sobre a qual valha a pena escrever, sem essa de viajar em roteiro de filme ou peça de teatro.
Eu lembro que queria ser jogador de futebol ou trapezista quando crescesse...
Acho que eu nunca fiquei tão cansado nesses meus trabalhos no findie, mas suspeito que a razão seja o excesso de "eventos" durante a semana... o lado bom é que a Laura também trabalhou, então estamos podres juntos. Sei lá se é lado bom, mas eu queria falar sobre minhas irritações, pois nosso evento se chama Workshop, ou, numa abreviação, WS. Eu não suporto mais ouvir as pessoas falando Workshoping! Deu! Aprende a falar! É a mesma birra que eu tenho de quem fala Johnny Deepp (dip), colocando um "e" a mais, ou Keanu Rivers. Eu achava que o pior de tudo era Harry PoRter, mas tem gente que pronuncia tipo Erri Porter! E por mais que você corrija essas pessoas, elas continuam se achando no sacrossanto direito de falar errado. Uma coisa é a minha vó falar Danandrévis e John Vâine, outra é a galera que estudou inglês nas escolas se permitir certas liberdades idiomáticas - e olha que não estou nem falando de pronúncia!
Voltando a falar sobre Workshop, a gente tava tirando sarro dos gaúchos, que chamam o evento de Work, naquela mania deles de abreviar tudo, como dizer que "nesse findi, vai fazer o rancho no super". Aí descobrimos que eles chamam lição de casa de "tema", apostila de "polígrafo", e, quando muito atrapalhados, se dizem "atucanados". Um bróder me perguntou se em Goiás tinha alguma expressão bizarra e eu só me lembrei de "acordei com a vó atrás do toco", que equivale ao "ovo virado", e ele me disse que em Piraju, os pontos turísticos tinham nomes engraçados, como a "Pedra que Voa", o "Arvrão" e a "Ponte que Treme". Eu disse que ele só precisava explicar a primeira, a menos que as outras não fossem uma árvore grande e uma ponte que tremia, mas ele foi além e disse que esse ponto turístico era uma ponte no meio de duas montanhas, e quando um caminhão apontava na ladeira, já começava a tremer muito, e eles ficavam lá na ponte, esperando isso acontecer... incrível, não? Mudamos o foco do sarro e perguntamos se a equipe do Discovery já tinha ido a Piraju estudar essa fenômeno da natureza, mas nas internas, ele me explicou que eram todos moleques, "Cannabis Ativamente" aditivados e de férias, foi quando eu compreendi totalmente "A Ponte que Treme"! É tão ruim quando a gente deixa de achar graça nessas coisas... até esquecemos de perguntar qual era a do Arvrão e da Pedra que Voa.
Trainspotting é um filme louco, cheio de imagens fortes, drogas de montão e atores bacanas, eu assisto e fico no maior astral!
Réquiem por um Sonho é um filme louco, cheio de imagens fortes, drogas de montão e atores bacanas, mas me bate a maior deprê quando termina.
Ambos são bons, mas... lembro do capítulo sobre o "Frankie Teardrop" e uma música do Teenage no 31 Canções, e acho que tem mais ou menos a ver. Não quero ver-ouvir-ler coisas como "Frankie Teardrop", e "Réquiem Por Um Sonho" é um desses exemplos, a despeito de ser sensacional.
Como na vida de um modo geral, aqui no blog uma coisa sempre leva à outra... por quê essa minha, digamos, devoção ao Santo Padroeiro da Irlanda? Tem muito menos a ver com o fato de que padres irlandeses, muito antes de atrapalhar brasileiros em maratonas olímpicas, num distante e remoto passado, comiam moças incautas em Pirenópolis, e calhou de uma dessas moças ser a vó do meu avô. Só me falta o tal padre ser um dissidente oriundo da Irlanda do Sul, mas não vem ao caso, pois o real motivo da minha empolgação vem de "Sobre Ontem à Noite...", o filme que, junto com "O Mundo Anda Tão Complicado", incutiu em mim a idéia de relacionamento e morar junto (pronto, assim elimino mais uma das 31 e tá mais que explicada a razão dela na lista). Tem uma cena muito, muito, muito foda no dia de Saint Patrick, e a Fer sempre implicava comigo, que eu sempre assistia "Sobre Ontem à Noite" com qualquer menina que eu começava a namorar (eu assisti com ela, durante nosso rápido lance que acabou por estreitar nossos laços de amizade e quando a Laura foi pra Goiânia pela primeira vez, ela assistiu, apesar de ter dito que havia visto em algum corujão), e deve ter uns 5 anos, no mínimo, que eu não assisto esse filme, pois com o advento do DVD, esse filme sumiu das prateleiras... e do Submarino, Americanas, DVD World, tudo!
Até que uma alma maldosa fez questão de sussurrar no meu ouvido o endereço da Amazon, aí foi só digitar o título em inglês e pronto! Foi quase mágico! Mas não se compara com o que apareceu quando eu rolei a página e apareceu "clientes que compraram esse filme também levaram":
Gatinhas e Gatões (Sixteen Candles) Clube dos Cinco (The Breakfast Club)
Namorada de Aluguel (Can´t Buy me Love)
Alguém Muito Especial (Somekind Wonderful)
Garota de Rosa Shocking (Pretty in Pink)
Coloquei os títulos em inglês por que, caso o Christian os encontre (especialmente os que estão em negrito) numa das lojas em Frisco ou NY, teremos que nos comunicar urgentemente!
Mas sobre comprar DVDs, reconheço que a coisa meio que se transformou num vício desagradável, pois outro dia recebi o e-mail terrorista de Pré-Venda da TV Pirata e tava dizendo pra Laura que não sabia se comprava, se os programas continuariam legais depois de tanto tempo, ou se seria melhor preservar minhas memórias... aí ela encarnou o Seth Cohen e perguntou se eu conhecia um advento fascinante do final do século passado, chamado Locadora de Filmes, e nessas ocasiões eu acho que criei um monstro.
Eu ia começar o texto com o título daquela música sensacional dos Smiths, "Theres a Light That Never Goes Out", com a idéia de traçar uma metáfora com o que acontece quando a gente se reúne, e o assunto nunca é ruim (ou nunca termina), mas aí pensei que logo iam achar que era mais uma das 31 Canções e ignorá-lo passando direto.
Mas é isso mesmo o que acontece, de repente eu me vejo conversando com pessoas do caralho, sobre os principais assuntos do mundo e mesmo as mais diferentes opiniões são ouvidas, respeitadas e devidamente rechaçadas, mas nesse meio tempo, a gente se diverte muito! Ontem, por exemplo, o Roger, que é um cara que eu curto e admiro práca, disse que jamais assistiria "O Casamento de Romeu e Julieta" simplesmente por duas razões: Tem a Luana Piovani e é sobre futebol! Compreendo, apesar de que consigo pensar em toda uma sorte de Top 5 em que "futebol" e "Luana Piovani" possam coexistir numa boa, mas eu também não estou muito a fim de assistir o filme, pois foi inspirado num conto horroroso do Mário Prata, aí já tem um que defende o Mário Prata e outro que lembra que tem 3 músicas do Los Hermanos na trilha sonora...
Foi uma daquelas noites que pareciam fadadas a não terminar nunca (isso não soou bem, mas a minha intenção é dar uma conotação bacana), e pra variar eu tive que ir embora enquanto as conversas boas ainda dominavam o ambiente, mas eu ainda tinha pequenas obrigações a cumprir com os ingleses aqui da empresa que estão nos visitando; quem dera todas as obrigações fossem como a de ontem, pois fui pra casa pensando que o salmão grelhado no molho de creme de maracujá do Koy merece ser tombado por algum patrimônio histórico-cultural-gastronômico, e hoje ainda tem o St Patricks! Com os ingleses! Que apesar de terem meio que adotado a Laura como intérprete e "PTO", hoje irão "work light" e não sabem se vão mesmo nos acompanhar... posso dizer que (mesmo tendo assistido vários filmes com o Hugh Grant e o Ewan McGregor) só depois de muito tempo eu consegui compreender que ele queria dizer "work late"... tenho que parar com esse meu megalopoliglotismo, pois outro dia, por preguiça de ver o dicionário, mandei um e-mail pra Central da Argentina pedindo o "ENDERECIO" do cara! E a Laura também disse que eu não sou o melhor dos incentivadores do turismo no Brasil:
- Do you know Salvador?
- Yeah.
- And it´s nice?
- No.
- No????? Why?
- I don´t know why... maybe is because they have a terrible music, and a stupid kind of fight, with a idiot music also; lazy people, bad service, but really, really, really bad...
- It´s seems like Jamaica?
- With an even worse kind of music and an even worse kind of Bob Marley, Carlito Marrón, do you know? Go to Floripa in your days off!
Sinceridade, saca? Eu não ia arriscar e mandar pra Bahia (onde tudo pode acontecer, como na solidão da cabine eleitoral) um casal cujo cara torce pro Arsenal e que a Laura, depois de ficar bróder da mulher, abriu toda uma possibilidade de hospedagem em Londres.
16 - Inbetween Days - The Cure / 24 - Love Vigilantes - New Order / 29 - Rent - Pet Shop Boys
São músicas dos anos 80, minha Década favorita! São as minhas músicas favoritas dessas bandas, extremamente atuantes na época, mas que competiam pela minha preferência em pé de desigualdade com as bandas de Rock Nacional, principalmente Legião, Titãs, Engenheiros e Paralamas. Sim, eu preferia isso a The Cure, New Order, Smiths, Stone Roses... assumi, pronto! Mas a medida em que o tempo foi passando, a coerência e o bom senso fizeram-me o favor de enxergar a luz e posso dizer que hoje, tudo está em seu devido lugar. "Rent" frequentava minhas fitinhas de fossa (junto com coisas tipo "If You Leave", "Sunday Morning" e "With or Without You"), "Inbetween Days" foi escolhida pra encerrar meu primeiro livro "de verdade" e sempre me lembro daquelas passagens como se de fato tivessem existido ao ouvi-la, e "Love Vigilantes" conseguiu despertar meus instintos assassinos, quando vi o Dado Dolabella cantando sua versão em português - não canso de repetir o Lucio: "por muito menos, os Ingleses declararam Guerra à Argentina!".
E aproveito essa menção pra encaixar aqui algumas músicas e bandas mais injustificadas - o termo certo seria "imoladas" -, como: "Bring On The Dancing Horses" - Echo and The Bunnymenn; "Darklands" - Jesus And Mary Chain; e "Wave of Mutilation" - Pixies, que eu ouvi ao vivo - via celular - de Curitiba.
Não imaginei que falaria isso tão cedo, mas essas aí representam a classe "Músicas do Meu Tempo".
São músicas do primeiro semestre de 2003... quer dizer, foram gravadas, lançadas e talvez executadas à exaustão em outra época, mas são músicas que pertencem ao meu primeiro semestre de 2003. Um período atribulado, pra dizer o mínimo, onde eu conheci pessoas, lugares, músicas e bandas com uma velocidade assustadora, assim, quase do nada! Eu diria que se o meu casamento não tivesse alicerçado em bases tão fortes, tudo ali seria um caso a se pensar...
Como num dia no começo de abril, em que encontrei o André na casa dele e fomos pro O´Malleys pro Grande Encontro. Muita gente, figuras que apareciam do nada e sentavam na nossa mesa, um carinha dançando New Order de calça social e regata como se fosse lambada, e a Futura Cansei de Ser Sexy dizendo "Eu faria a Angelina Jolie agora, fácil"! Alguns segundos de silêncio entre eu, o André e o Fefas, talvez abrindo um parêntese na cabeça pra imaginar aquilo, só sei que no dia seguinte encontrei - como que por milagre, coisa típica da Sensorial, onde eu também achei o primeiro do Stone Roses e o "Big Red Letter Day" do Buffalo Tom - o "Pinkerton" por um preço levável. "Pink Triangle" tava lá, o refrão me faz lembrar até hoje daquele dia, e eu fico mais feliz por saber que aquilo ali, de uma certa maneira, foi o Marco Zero de um Casal Sensacional que se formou alguns meses depois...
E pouco mais de um mês depois desse Grande Encontro, eu me casei! No dia do casamento, pouco antes de ir buscar o Tiago na casa dele pra gente se aprontar no Hotel (coisa de Best Man, americanóidismo e tale coisa), passei no DJ pra deixar os meus discos que tocariam na festa logo mais. Ele tinha saído pra montar o som da festa, A MINHA FESTA DE CASAMENTO! Me lembrei de quantas e quantas vezes eu fiz isso, quantos casamentos, aniversários e despedidas eu não tinha ido com o Pescoço montar o som de tarde pra depois comer uns cheesbúrgueres no Mc, sentados na carreta do som. Enquanto eu esperava o cara, tava tocando "Fake Plastic Trees"... olhei no relógio, era 4 e alguma coisa, a Laura deveria estar fazendo "massagem, risagem, reflexo e otras cositas más" (sim, eu já ouvi Zeca Baleiro), algo como a inexorabilidade bateu, mas eu não estava confuso; não tive o freak out de noivo no dia do casamento, tava bem tranquilo, só não tinha a menor idéia de como seria depois que a gente voltasse de Buenos Aires. Mas nessas horas, é sempre bom ter a Trilha Sonora Correta!
O projeto está a cada dia tomando forma, e às vezes eu entro no site e fico só olhando, imaginando o que pode vir a acontecer... que site? O da Muro, editora minha e do Paulo F, que lançou o meu Clichê de Verão e espera uma visita sua pra fazer umas compras ou simplesmente dar sua opinião (se você já tem o livro, claro). Se você clicar em cima do logo ou da capa do livro aí do lado, cai direto lá, mais fácil que empurrar bêbado em ladeira, como se diz na minha terra.
Porém, se você escreve, acha que o que escreve merece ser lido por outras pessoas, mas não tem conseguido fazer com que isso aconteça, mande seu material pra gente, que o nosso, ã-rã, "Conselho Editorial" avaliará com carinho e rapidez seus originais, e quem sabe você também não será mais uma marretada no muro? Ok, no more metáforas, entre no site, entre em contato, faça acontecer! Eu e meu sócio (acionista majoritário) estamos esperando.
A melhor música de rock n roll de todos os tempos, basta?
Ok, eu entendo sua opinião diversa e pode ficar com seu "Dark Side of The Moon", "Starway To Heaven" ou qualquer "obra prima" tocada por virtuoses e seus solos intermináveis, gosto não se discute (e aqui nem é uma questão de gosto, mas de opinião). Mas nenhuma outra música faria com que eu, meu irmão e o irmão da Laura (o Ti) pulássemos abraçados e berrando o refrão no dia do meu casamento, ante a cara feia da Laura e a expressão horrorizada das tiazinhas dela em idade provecta, torcendo para aquilo acabar logo (e acabou, depois dessa música ainda tocou "Song 2" e aí ela cortou meu barato, anunciando o jantar, o que culminou no meu lindo discurso about Tribalistas e Trilha de Novela. Vendo hoje, tenho que dar razão a ela, mas a sensação de pular na pista com meu irmãozinho de verdade e meu irmãozinho in law foi algo que nunca vão conseguir tirar de mim, nem mesmo a apatia das pessoas que só dançam algo que seja cantado pela Ivete Sangalo).
Mas a grande razão dessa música figurar na lista já foi dita e redita aqui (curioso? Vá ao primeiro mês de funcionamento desse blog e leia o episódio), e remonta aos meus tempos de roadie do Pescoço, particularmente num dia em que haviam vários conhecidos numa festa e ele resolveu tocar uma música do disco do bebê com a nota de dólar. O efeito foi indescritível e eu pedi Ramones na sequência, e a trindade "I wanna be sedated" - "KKK Took My Baby Away"- "Pet Sematery" foi igualmente bem recebida na pista, todas elas em versão "ao vivo" e antecedidas pelo tradicional "one, two, three, four!". Da galera que estava nessa festa, uns 3 caras passaram a me chamar de "Ramones", e um deles também se formou em Direito. Indescritível a sensação de entrar na sala da OAB de Goiânia pro sagrado café e ouvir o Beto Japa dizer: "Fala, Ramones!" (era melhor ainda se eu estivesse de gravata!).
Semana passada, enquanto voltávamos do teatro, eu e o Christian falávamos como são fascinantes alguns aspectos da "vida cultural" de São Paulo, e essa semana é o exemplo perfeito disso:
- Hoje, lançamento de "Calcinha no Varal", da Sabina Azuategui, no Canto Madalena, e podem dizer o que quiserem sobre os neo hippies da Vila, eu prefiro encarar o aprazível bairro sob uma ótica "meio intelectual, meio de esquerda", e na mesma proporção que me divirto com o bode rabujo do Tio Fefas, discordo do Paulo F quando ele diz que não curte a aura do lugar. Eu viveria fácil na Vila Madalena se ganhasse os 750 mil do meu plano de capitalização e pudesse ter uma renda de 7 paus e pouco por mês... me matriculava no vestibular pra Letras ou História na USP no dia seguinte!
- Amanhã, lançamento do livro do Hiran no Milo Garage, onde lancei meu livro e, aparentemente, uma semente... será a primeira obra com um prefácio que eu escrevi, ainda não sei o que o Maurício fez com o "Vida Nova" dele.
- Quinta, Saint Patricks Day! Vou honrar minha descendência irlandesa tomando uma Guiness ou uma Newcastle em algum dos Pubs daqui, ainda não sei se dá pra ser no meu tradicional O´Malleys ou em algum outro alternativo. Será que vai ser dessa vez que consigo embebedar a Laura, tirando-a da zona de conforto e fazendo com que ela arrisque alguns passos de Sapateado Irlandês? Ainda vou comemorar um Saint Patrick´s Day com meu pai e o Padrinho Rock´n´Roll, de preferência numa sexta-feira!
Houve um tempo na minha vida em que eu acordava às 5:20 da manhã pra tomar um ônibus fretado na Marginal de Sorocaba às 5:50, chegando em Sâo Paulo às 7:05, pra tomar outro ônibus e chegar no meu trabalho 15 pras 8. Quase 3 horas diárias entre acordar e chegar na sua mesa, e uma existência que não merecia ser chamada de vida, sem contar o trajeto de volta, com todo o stress de sair antes do horário no trabalho e rezar pra que tudo colabore pra chegar na hora de pegar o ônibus. Se perdesse? A maior função até a Barra Funda e não gosto nem de lembrar. Sem falar na (compreensível) "cara boa" que a Laura estampava toda vez que tinha que levantar pra levar até o ponto, era horrível sob todos os aspectos. Isso durou um mês, depois eu consegui vaga num fretado que saía meia hora mais tarde, e a nova perspectiva de 30 minutos a mais de sono foi assustadora!
O lado bom? Sim, devo reconhecer que havia um lado bom, pois eu nunca ouvi tanta música nem li tantos livros quanto nesse período em que provavelmente bati todos os recordes negativos de inclusão social - quem me conhece sabe que nunca fui chegado à misantropia, mas é que a perspectiva de ficar berrando e jogando truco não me atraía quanto meus livros e discos (e nada mais), além do quê, a excessiva atenção devotada a um filme do Jackie Chan que passou no primeiro dia me fez crer que não sairia nada dali; pessoas que reclamavam do ar condicionado e curtiam filme dublado, compreensível minha opção "Casa no Campo", certo? E num desses dias, logo de manhãzinha, eu tava escutando uma coletânea de Acústicos da MTV que comprei num balaio da FNAC por causa das versões de "Somebody to Shove" e "Don´t Look Back in Anger" e apareceu uma canção que eu achei lindíssima! Era uma historinha, e eu adorava músicas que contavam histórias desde "Eduardo e Mônica", deixei o aparelho no repeat e tentei memorizar a letra. Falava sobre um Verão de 69 que deveria durar pra sempre e o verso "aqueles foram os melhores dias da minha vida" ficou na minha cabeça.
Quem cantava aquilo? Era bonito pra cacete, e não tive dúvidas no meu palpite: BRUCE SPRINGSTEEN! Era só uma questão de saber em qual disco estava aquela música e comprar, aproveitando que eu não tinha nenhum disco dele. Cheguei no escritório e já fui perguntando prum bróder que provavelmente saberia me responder:
- Qual disco do Bruce Springsteen tem aquela música assim (dei uma cantadinha)?
- Canta de novo? (cantei) Parece "Summer of 69"...
- Isso! Eu ouvi numa coletânea da MTV de Acústicos, bem bacana.
- Você tem certeza que é Bruce Springsteen?
- Por quê?
- Porque a música é do Bryan Adams...
Era definitivo: eu gostava (e muito) de uma música do Bryan Adams! A Laura poderia, enfim, levar os discos dele pra nossa casa, mas eu fico imaginando o dia em que poderei olhar pra trás e dizer "Those were the best days of my life". Ainda acho que está meio longe, pois a cada dia que passa, os atuais tem sido (de longe) os melhores dias da minha vida!
Terminei de ler 31 Canções ontem, às duas da manhã. Li quase numa sentada só, e, como eu esperava, não se trata de um livro sobre canções. E fiquei impressionado como penso de maneira semelhante a ele com relação a algumas coisas (Pink Floyd, Lojas de Disco, pessoas que acham que nada de bom foi realizado na música de 35 anos pra cá, etc), mas em certas ocasiões tive a impressão de já ter lido aquilo em algum lugar, ou escutado opinião semelhante, talvez, o que me leva a crer que meu conjunto de experiências na área de apreciação musical está quase podendo ser comparada à dos personagens dele, e sei que isso não é algo 100% bacana.
Sem querer traçar qualquer tipo de comparação, os meus últimos posts não são sobre canções, e se não fosse pelos títulos em negrito (ou pelo fato dos posts terem títulos), tal fato poderia até passar despercebido. Pelo número de comentários, dá pra perceber que o assunto não está agradando muito, mas o fato é que a experiência me tomou de uma tal maneira, que agora eu quero ir até o final, como se fosse uma espécie de "linha editorial" ou algo que o valha, sob pena de ir perdendo, pouco a pouco alguns leitores que não suportam ouvir falar tanto dessa tal Música Pop.
20 - What a Wonderful World - Joey Ramone
No final de 2001, depois de mais uma ida infrutífera ao posto do INSS do Eldorado, dei minha sagrada passada na Saraiva, e já estava saindo quando vi num dos balcões destinados aos "Lançamentos" o livro daquele cara... tinha lido sobre o cara numa Folhateen e, morando em Sâo Paulo há menos de 3 meses, descobri que haviam outras pessoas da minha idade que escreviam, e (guardando as proporções de talento e capacidade) escreviam coisas parecidas com as que eu escrevia! Descobri a página dele na internet, mandei meus contos achando que seriam publicados e nunca tive resposta dos e-mails enviados. Aí desencanei, até um dia descobrir "Um Adolescente Nos Anos 80", uma série que ficava escondida no site, e aí resolvi escrever um conto em homenagem a ele, pela maneira como a escrita dele revolveu algumas memórias e necessidades de escrever e escrever e escrever! Meu conto foi publicado, e recebi um e-mail agradecendo a homenagem, pouco antes da Folha mencionar o lançamento de seu livro "num futuro próximo".
E foi esse livro que eu vi na Saraiva: "O Clube dos Corações Solitários"! Comecei a ler no trem a caminho do escritório, e só o prefácio já me deu esperanças de um dia, ver meus livros publicados. Mandei outro e-mail pro cara, falando sobre a sensação causada nos homens quando um HOMEM pisou na Lua, realizando, vicariamente, alguns sonhos de toda uma raça (mesmo aqueles que, como meu pai, torciam com fervor de Copa do Mundo pelos Russos na Corrida Espacial). E esse e-mail virou capa do editorial da TXT Magazine, onde ele dizia que, apesar de toda uma série de coisas ruins, Joey Ramone berrava por cima de um muro de guitarras que "era um mundo maravilhoso", e essa parte eu não tinha entendido (não tinha sacado a relação entre o vocalista dos Ramones com a música do Armstrong), mas também não imaginava que, a partir dali, um dia poderia me ver como amigo daquele que viria a se transformar no meu Escritor Favorito.
Ok, corta pra 2004, alguma data entre outubro e novembro, dez pra sete da manhã, uma chuva torrencial e muito sono, uma situação incompatível com a minha nova condição de morador de São Paulo, não tendo mais a necessidade de acordar em horários idiotas. Mas acontece que o meu amigo estava empenhado em se transformar no novo criador das aulas de ciclismo indoor da empresa que cria as aulas que a minha empresa licencia no Brasil, e isso pode não fazer o menor sentido pra quem não é do ramo, mas equivalia à chance de tentar a vaga do Álvaro Pereira Júnior no Folhateen, ou se candidatar a guitarrista substituto da sua banda favorita, ou montar uma editora pra lançar livros de forma semi-independente e por aí vai. Mas independente disso, um amigo meu estava envolvido numa tentativa de realizar um sonho, e como diz a Paulinha, amigos meus só fazem coisas sensacionais, ainda que seja a maior merda do mundo, o fato do cara ser meu amigo credencia-o a isso. Eu já tinha feito alguma aula de ciclismo indoor? Não. Eu gosto de aulas de ciclismo indoor? Não necessariamente. Mas fui lá fazer essa aula quase de madrugada, eu queria, de alguma forma, fazer parte desse projeto e se desse certo, ser uma das pessoas a merecer agradecimentos... e lá pela metade da aula, com minha língua já pendurada pra fora, veio a luz: uma versão esquisita, mas extremamente empolgante de "What a Wonderful World", na inconfundível voz do Joey Ramone! Tudo fez sentido enquanto eu pedalava com o fôlego renovado, desde o comentário do André no editorial da TXT que usou meu e-mail, até a chegada do homem na Lua, lançamento de livros, realização de sonhos (ou o singelo ato de sonhar) e prazer vicário.
30 de Abril de 2003, véspera de feriado, fiquei em sampa na "Saudosa Maloca", casa da empresa que eu dividia com outros colegas de trabalho, redescobri o ICQ e varei a noite conversando pela internet pela primeira vez, hora com a Blue, hora com a Ni. Meu roomate Robinson chegou e começou a montar suas aulas que daria numa convenção importantíssima, resolveu abrir Bohemias e assim fomos, até o sol raiar. Entrementes, eu aproveitei que o "Clichê de Verão", apesar de pronto na minha cabeça, ainda não tinha nem passado da metade no papel. Aí eu terminei o livro nessa noite tão cheia de acontecimentos, enquanto o "Yankee Hotel Foxtrot" tocava repetidamente no notebook, e sempre que chegava em "Kamera", a gente meio que cantava o refrão ou lembrava de pegar outra cerveja. Novas amizades, um novo livro, novas formas de comunicação e relacionamento... 1 de maio, 16 dias pro meu casamento, 17 pros meus 30 anos, eu tenho a humildade e coragem de dizer que, naquela época, ainda não estava pronto pra tudo isso. Acordei "Weezer" e tarde nesse dia, querendo estar em Curitiba pro primeiro CPF, vi meio dormindo o River ganhar de virada do Corinthians, rolou um pequeno e engraçadamente barulhento "PT" da Paulinha no apê da Marina, novas perspectivas do universo lesbiquinho, e uma jam do MQN e Walverdes cantando "Classe Média Baixa Records" fechando a noite! E no meu quartinho nos fundos da "Saudosa Maloca", dormi ouvindo "Kamera" no repeat...
Provavelmente eu já tinha ouvido essa música antes, mas a vez que realmente me chamou atenção foi num programinha da Globo em janeiro de 89, se não me engano: "Shop Shop". Era estrelado com uma galerinha jovem que depois fez Vamp, Top Model e assim por diante, com essa música de trilha.Lembro da Carol Machado subindo a escada rolante e essa música tocando, ao mesmo tempo em que o prédio do Le Clerk era o local onde a galera se encontrava naquelas férias, e, claro, eu tinha ali uma menina que eu era afim. E fiquei afim dela muito tempo, mas não rolou nada. Quer dizer, no meu Baile de Formatura em Direito (exatos 8 anos depois), onde eu fiquei uns 2 camelos e 3 coqueiros pra lá de Bagdá, a gente se encontrou e... aparentemente, a gente se beijou. Sou totalmente contra esse papo de amnésia alcoólica, mas foi o caso. E se uma amiga em comum não confirmasse o fato pra mim, continuaria achando que não rolou nada. Mas eu só fiz um link com esses fatos quando tava montando a lista, e me lembrei de onde (e porque) gostava tanto dessa música...
11- Torch Singer - Buffalo Tom / 12 - If I Can´t Change Your Mind - Sugar
As duas estão juntas - e na sequência - de propósito, pois elas tem a mesma razão de ser nessa lista: faziam com que eu me sentisse poderoso! Eu me sentia dono dessas e de algumas outras músicas, algo como "músicas que só eu conheço". Nem preciso assumir frivolidade, isso já está mais que denunciado no próprio ato de fazer essa lista, dito isso, vamos adiante: eram músicas que o Pescoço me aplicava, e quando eu girava meu compasso pra uma esfera sem a presença dele, eu meio que me comportava como o detentor das informações que conduziam à descobertas como essas, como o telefone pessoal do Pepe Escobar ou do Fábio Massari, e o detalhe é que simplesmente TODO MUNDO gostava dessas músicas quando eu mostrava; daí a surgirem pedidos pra gravar fitinhas era automático, e nunca entrava numas de dramas de consciência pelo autêntico papel de farsante que eu desempenhava. Eu ainda me dava ao luxo de ter uma versão acústica de "If I Can´t Change Your Mind", com direito a dizer, com a maior naturalidade, que era a banda do ex-líder do Hüsker Dü, e, logicamente, fazer cara de espanto/blasé/indignação/piedade, quando meu interlocutor perguntava "Quem"? Hoje em dia, eu vivo num mundo em que as pessoas que me rodeiam seriam capazes de dizer a árvore genealógica dos integrantes do Hüsker Dü, e o B-Sides do Sugar pode ser encontrado por 7 pilas na Sensorial e cercanias, onde você encontra a já citada versão acústica. Mas se eu fosse você, moveria céus e terras pra poder ter, na sua estante, os discos "Coper Blue", do Sugar, e "Big Red Letter Day", do Buffalo Tom.
"Listas assim são sempre polêmicas"... Palavras do Ti, e eu pronto pra discordar, pois acho que LISTAS, de um modo geral, podem causar polêmica, mas essa lista, especificamente, não teria porque. Sim, pois era a minha preferência, e achando isso, não conseguia encontrar uma brecha pra Dona Polêmica entrar. O máximo que poderia acontecer seria alguém discordar comigo, dizer que eu tenho um gosto de merda e que não entendo de música, mas e daí? Eu não falei que era uma lista das melhores músicas... disse que era uma lista das minhas 31 músicas!
E aí eu me dei conta que esqueci "Darklands"! Já estava conformado de ter deixado de fora "Sad But True" e "London Calling", bem como achei meio normal que "Love Will Tears" ficasse de fora, por já ter uma do New Order - seria enforcado pelos puristas por essa declaração -, mas essa música que dá título ao disco mais afudê do Jesus and Mary Chain não poderia ter ficado de fora!
Isso por que eu ainda não tinha me dado conta de ter esquecido "Bring On The Dancing Horses", do Echo & The Bunnymenn, o que só me dei conta quando lia, em casa, a compilação do excelente "Rio Fanzine" e vi uma entrevista com o Master Ian, e tenho que concordar com o Ti, pois tou morrendo de vontade de encher de porrada esse cara que listou 31 Canções e teve a audácia de deixar as terras escuras e os cavalos dançantes de fora!
Assim como essa, haverão outros casos em que a música escolhida para integrar o cânone não seja a minha favorita da banda em questão. Com relação ao Stone Roses, banda que cometeu o melhor disco de todos os tempos, a minha música favorita disparadamente é "She Bangs The Drums", mas a escolha de "Made of Stone" ocorreu - como na maioria dos casos - pela capacidade que tem de, nos primeiros acordes, me trazer imediatamente uma lembrança! Como o dia do meu casamento foi um dos dias mais marcantes da minha vida, é disso que eu estou falando ao mencionar essa música... eu tinha acabado de cumprimentar o Tio Fefas, que com um sorriso largo, disse que nunca havia cumprimentado um noivo ao som de Manic Street Preachers, o que me deixou mais que feliz! Descendo a escada, me dei conta da música que tava tocando e na parte mais conhecida, comecei a cantar e olhei lá pra baixo, onde o Júnior, meu outro convidado com pendores Rockers, dançava sozinho essa música, e me vendo, me apontou e fez aquele gesto com o punho fechado que significa "Do Caralho!". A opinião da maioria sobre o meu casamento foi de que as músicas foram muito ruins, mas momentos como esse e alguns outros me convenceram exatamente do contrário, embora hoje eu ache que faria tudo diferente, pelo bem geral do senso comum da ordinariedade mediana.
27 - Losing My Religion - REM
Não, não é a minha música favorita do REM. Sim, é a música mais "carne de vaca" deles, tanto que muita gente deve imaginar que a função dessa música é simplesmente anteceder "Mr Jones" naquele momento "flashback ma non troppo" da balada. Mas eu tenho 3 palavras pra você: Rock In Rio! Depois de ver o Beck sentadão no gramado (no caso, eu estava sentado no gramado, não o Beck) e Foo Fighters, conseguimos nos esgueirar (você já se esgueirou?) até uma excelente posição pra ver a banda que me fizera percorrer toda aquela odisséia. E que show! Tocou minha música favorita ("Man On The Moon") e o final com "It´s The End Of The World" foi apoteótico, mas quando "Losing My Religion" pediu passagem, foi como se houvesse uma descarga elétrica nas 250 mil pessoas naquele fim de mundo de logo ali depois de Jacarepaguá, foi uma daquelas situações em que eu, literalmente, me esqueci do mundo! Tem um filme muito tosco, bizarro e horrível, em que um negão grita pros asseclas dele "Who´s The Master?", e num determinado momento, as pessoas do filme brilham, tipo adquirem uma aura; foi mais ou menos isso o que eu vi na Lau e no Túlio McQuade, que nos encontrou por acaso e viu o show inteiro com a gente. Se alguém quiser me vender uma substância psicotrópica, basta me dizer que a sensação é a mesma de estar no show do REM no Rock In Rio na hora em que eles tocaram "Losing My Religion"!
Por quê 31? Porque foi o mesmo número que o Nick escolheu pras canções dele, porque é a minha idade e porque sim. E vai ser só uma lista, sem comentários por enquanto, que deveria se chamar 31 Canções de Rock. Ah, e como em toda a lista que eu faço, não haverá ordem de preferência.
1- Suedehead - Morrisey;
2- All Star - Nando Reis;
3- Every Breath You Take - The Police;
4- Smells Like Teen Spirit - Nirvana;
5- Kamera - Wilco;
6- Fake Plastic Trees - Radiohead;
7- Made Of Stone - Stone Roses;
8- O Vencedor - Los Hermanos;
9 - In Theese Arms - Bon Jovi;
10 - O Mundo Anda Tão Complicado - Legião Urbana;
11- Torch Singer - Buffallo Tom;
12- If I Can´t Change Your Mind - Sugar;
13- Judy In The Dreams Of Horses - Belle and Sebastian;
14 - Summer Of 69 - Bryan Adams;
15 - Yellow - Coldplay;
16 - Inbetween Days - The Cure;
17 - Cherish - Renato Russo;
18 - Let´s Spend The Night Together - Rolling Stones;
19 - Princesa - Ludov;
20 - What a Wonderful World - Joey Ramone;
21 - Where The Streets Have No Name - U2;
22 - Runaway Train - Soul Asylum;
23 - Im My Life - Beatles;
24 - Love Vigilantes - New Order;
25 - Pink Triangle - Weezer;
26 - Reel Around The Fountain - The Smiths;
27 - Losing My Religion - REM;
28 - Born Slippy - Underworld;
29 - Rent - Pet Shop Boys;
30 - About You - Teenage Fanclub;
31 - Why Does It Always Rain On Me? - Travis.
Talvez eu até explique o porque de cada uma aí na lista, incluindo as bizarrices já detectadas, mas se isso ocorrer, pode esperar um método randômico. Já imagino o Pescoço rindo ao ver sua "marca" na maioria das músicas escolhidas, mas eu realmente não sei o que seria da minha "autobiografia musical" se não tivesse convivido tanto tempo com o meu "Yoda-Rock".
Não só por que eu sou o maior fã dela, mas outro dia, numa das nossas rápidas conversas no "messenger" sobre "Trainspotting", ela me disse que o homem ideal, na concepção dela, seria assim, uma mistura de Mark Renton com Ferris Bueller e eu achei essa brincadeira amalgamante sensacional! Tanto que fiquei conceitualizando acerca da mulher ideal e não conseguia tirar da minha mente as imagens da Angelina Jolie e da Nicole Kidman em amplo e selvagem intercurso, então foquei na verdadeira mulher ideal, que é a Laura: uma mistura da Minie Driver em "Gênio Indomável", com a Meg Ryan em "Harry e Sally", e um nadinha da Helen Hunt em "Mad About You".
O Christian é, obviamente, uma mistura isenta de drogas do Sick Boy com o Vincent Vega. O Meu pai é o Comandante Vasco Moscoso de Aragão combinado com o Wood (da tira do Angeli, Wood & Stock). O Paulo F é um sério candidato a Arturo Bandini + Cardan, e o Ti é (com antecipadas apologias pela pretensão) um Seth Cohen Randallizado.
Eu? Bom, ainda trilhando o caminho da pretensão, do "esse-blog-é-meu-escrevo-o-que-eu-quiser", e tendo um componente Rob Fleming bastante marcante, sou dividido em 5, sendo os 4 além do já citado: Melvin Udall (Jack Nicholson em "Melhor é Impossível), o Eric Stoltz em "Alguém Muito Especial", o Matt Damon em "Gênio Indomável" (só na parte indomável e revoltadinha, excluindo-se a genialidade, como eu fiz com as drogas ao citar o Chris), e o Ethan Hawke em "Antes do Amanhecer", tudo com um temperinho Woody Allen nas respostinhas e neuroses.
Imagine o seu pior temor, aquele recôndito, atávico, quase kármico! Ou por analogia, imagine que você tenha medo de música axé, e como tratamento, te colocam no meio de um daqueles blocos hediondos, com aquela roupa ridícula, usando droga de careta (aka lança-perfume) e percorrendo distâncias obcenas ao som de "vampiro", "chiclete", "garrafinha", "cordinha"...
Eu tenho medo de dentista. Medo não, pavor! Pânico. Fujo deles, sinto arrepios de medo quando, da rua escuto aquele barulhinho de motor e ao chegar num consultório, o próprio cheiro já me deixa meio cagando de medo. Mas a Laura colocou as coisas de uma maneira que eu não conseguiria mais dizer "Não", e no sábado, ao invés de descansar depois de uma semana intensa de trabalho, fui eu às 9 e meia da manhã pra cadeira de dentista, pra sair 4 horas depois, com 6 picos de anestesia, inclusive uns no céu da boca, e dois dentes a menos (no caso, os do ciso, que precisavam ser arrancados de qualquer jeito, mas eu precisava de um preparo psicológico pra assimilar a notícia!) e uma incrível falta de vontade perante a vida de um modo geral. É que eu sou assim, meio contra maus tratos e atitudes desumanas, e por mais que exista o espírito "foi ruim, mas foi bom" por trás de tudo, eu não consigo, por mais que me esforce, pensar dessa forma. Posso dizer, depois que meus dois cisinhos inocentes foram arrancados com o auxílio de uma espécie de pé-de-cabral dental, que meu trauma só aumentou, e que estou com um final de semana a menos na vida, pra descontar em algum lugar aí.
De resto, foi o preconceito da Laura contra filmes em outra língua que não o inglês, sem o selo "by Hollywood" ou atores conhecidos, que a impediu de curtir "O Declínio do Império Americano", o que me leva a crer que terei de encontrar uma fenda no tempo pra, além de assistir meus Woody Allens, ver "As Invasões Bárbaras". E acabou que nem deu pra falar com o Giba nem com o Ti, o fazer nada converteu-se em não fazer nada sentindo dor, e o Palmeiras ainda resolve ganhar na hora errada.
Bom começo de semana pra você, pois a minha não terminou ainda.
A minha primeira reação indignada foi quando fiquei sabendo que o Jim Carrey iria estrelar o remake de "Quanto Mais Quente Melhor", mas depois de "O Mundo de Andy" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", acho que até dá pra ele encarar o papel do Tony Curtis.
Mas pecados dessa natureza continuam a ocorrer impunemente, é Simone cantando "Será", Cássia Eller assassinando com requintes de crueldade "Sgt Peppers" e "Smells Like Teen Spirit" e o pior de todos, que me deu vontade de me inscrever em alguma dessas instituições de terrorismo fundamentalista, que foi quando a Ivete Sangalo cantou "Anna Julia" - e fatos como esse são meio que responsáveis por vários narizes torcidos quando menciono a banda.
Voltando para o ramo do cinema, vemos aí, em fase adiantada, o projeto da "Fantástica Fábrica de Chocolate" sendo refilmada, com o Johnny Depp no papel do velho Willy Wonka, o que eu, provavelmente, não vou conseguir evitar. Da mesma forma, já é possível ver o trailer de "Febre de Bola", que algum oligofrênico fronteiriço transformou num filme sobre BEISEBOL! Sim, aquele jogo cretino que só americanos, cubanos e japoneses vêem alguma graça, algo totalmente distante da adrenalina a mil nas veias como nos jogos de futebol, e diametralmente oposto ao que o autor quis passar.
E aquela idéia de fundamentalismo não se torna algo tão fora de propósito... principalmente, se no final das contas nos vermos livres da Ivete Sangalo! E faço minhas as palavras do Forastieri sobre a Regina Casé, apenas adaptando que o entretenimento no Brasil só terá alguma salvação no dia em que assassinarem a Ivete Sangalo!
Pouco importa o que se diz, ou o que se quer dizer. O importante é COMO DIZER!
Esse é o meu nick no Messenger hoje, e olha que meus nicks tem dado uma certa polêmica! Polêmica... são dias polêmicos os que vivemos...
Mas aproveito o gancho do nick pra falar do Nick, o Hornby, O Cara! Será que quem fala que o Takeda imita Nick Hornby já leu algum livro deles? Bom, já fui acusado de imitar o Takeda, mas como dizia o Chaplin quando questionado se era judeu: "não tenho a honra"! Admiro ambos, muitíssimo, e junto com Torero, Machado & Veríssimo, fecham a minha Top Five de Escritores, por critérios estritamente pessoais e até pouco literários.
Se tem uma coisa que o André tem em semelhança com o Nick Hornby, é a maneira totalmente oriunda do coração, sem escalas, como falam das coisas que gostam! Ver o André falando de "Be My Baby", do Lennon, do Grêmio, de Porto Alegre ou do Caio Fernando Abreu, dá vontade de sentir isso também! Como não dá pra usar uma tricolor de preto, azul e branco do time que deu o Felipão pra nós e pro mundo, você acaba procurando aqueles "Morangos Mofados" há muito esquecidos na estante, janta no restaurante que o cara indica em Porto Alegre e injeta Lennon na pele!
E agora vem o Hornby falar de 31 Canções... não importam as canções, ainda que "Your Love Is The Place Where I Come From" abra o livro, num texto belíssimo e totalmente à altura da música, que me remete ao show e assim por diante (sim, tenho o livro em inglês, mas minha inépcia me impediu de aprender a ler nessa língua, assunto já explanado á exaustão por aqui). Tem Nelly Furtado, que eu escuto pela Laura; Santana, que eu simplesmente não suporto; e outras coisas que não concordo. Mas os textos valerão a pena, assim como quando li "Febre de Bola" sem conhecer nada de Campeonato Inglês e hoje sou Arsenal roxo, de camisa oficial, e cachecol (comprado em Highbury) na sala da minha casa!
Somos homens na faixa dos 20 e muitos e dos 40 e poucos, com alguma dificuldade de amadurecimento e de assumir determinados compromissos, como disse um cara aí que mal resenhou o livro, mas isso não chega a ser assim, um grande problema. 31 Canções está nas livrarias, e se sua vida está precisando de algumas palavras escritas com o coração, vale a pena o investimento!
Não existe viagem perdida até a Praça Roosevelt, mesmo que a única explicação pra chegar lá que você detém é a que seu amigo atrapalhado deu: "você vai pela Consolação, chegando na igreja, você vai entrando, tem umas ruazinhas, e o teatro é numa Rua Fininha, nem parece teatro".
Dica: se você estiver por aquela região, e sua mulher perguntar o que é aquele castelinho bonitnho chamado "Kilt", finja de desentendido ou diga que nunca viu aquilo. Isso evita cotoveladas e maiores explicações.
Mas chegamos, meio de carro, meio a pé, mas o importante é que chegamos ali, primeiro na banquinha de livros, onde um "Clube dos Corações Solitários" por 15 pilas me coçou a mão, pois desde que dei o meu back up pro Fefas, estou só com um. Mas achei, enfim, o Graálico "Bagana na Chuva", e como o autor estava ali tomando uma cerva, fui pegar sua assinatura, mencionando logo o nome de quem tinha me dado a dica de que encontraria esse livro lá:
- Randall? Ah, você é o amigo do Paulo F, o autor do outro livro lá! Cadê os livros? Traz aí pra gente vender depois!
Orgulho, vaidade, pecadilhos perdoáveis naquela garoa, enquanto ele assinava o livro, pouco antes de sabermos que não ia ter espetáculo. Não ia? É, não teria... o carinha lá explicou alguma coisa relacionada com a influência dos ventos alíseos do Nordeste sobre o ciclo de reprodução das samambaias, mas nada esclarecedor.
Bom, pelo menos estava com o meu "Bagana"...
Aí resolvemos ir comer, estávamos do lado do Bixiga, que tal uma massa? Se eu sei chegar no Bixiga? Mas é claro! Entra ali, pega a Consolação, segue aquela placa, putz, era pra ter entrado tudo à direita... ah, por aqui tem o Mestiço, comida tailandesa... Não? Então... isso, sobe a Angélica até o final, isso, entra aqui, contorna, Rebouças? Como assim, Rebouças? Ah, vamos aproveitar que já estamos aqui e vamos no Kabong (pontos com a Laura, muitos pontos!), é só descer, vai embora, toda a vida, vai, vai, vai...
- Randall, aquilo é o túnel da Mãe do Supla, se a gente cair nele e você vier com papo que "ali no Morumbi tem um restaurantezinho", vai tomar porrada!
Master Tisha estava agressivo, mas algumas voltas depois, chegamos! E não tem como ser ruim ali, com o nome do prato que poderia ser batizado em nossa homenagem: eu, Lau e Christian, transformando em mágica uma terça-feira que poderia ter terminado com a broxada de um espetáculo cancelado. Chope Red Ale de fabricação caseira, por que fui esquecer a máquina digital? E conhecendo meus limites, fiquei por aí, só no chope. Final: Tequila 1, Christian Zero. E poderia mudar umas palavrinhas pra adaptar Louis Armstrong e Bryan Adams, mas você nem precisa entender isso, dormi feliz com a minha vida!
Mesmo que seu findie seja movimentadaço como o anterior, ou modorrento como o que passou, a segunda-feira parece sempre igual. Seu plano pode ser descansar, gandaiar, ou se dedicar a terminar de ler "Trainspotting", sempre vai ficar a sensação de frustração; ou por não ter conseguido ler sequer meia página, ou então por simplesmente ter passado aquele evento que você aguardava tanto.
Aí é segunda-feira, oito e meia da noite, você enfim chega em casa e quer fazer um monte de coisa até meia-noite, dentre elas, ler o jornal, ver novela (hábito nefando recentemente adquirido), Big Brother (hábito nefando sazonal), terminar de ler "Trainspotting", dar uma passeada com o cachorro, jantar, ajudar com a louça, ficar de bobeira com a Laura na cama... você dorme! Antes das onze horas, com um monte de coisa pendente no campo da diversão & relaxamento.
Segunda-feira é diz de almoço melancólico, saudosista, impaciente, pessimista... a situação não é ruim, mas poderia estar muito melhor, a conta insiste em não fechar no final do mês, seu time é cada vez mais um lixo, e evitamos olhar as fotografias da gente com 18 anos, pra não ter que perguntar praqueles carinhas se somos o que eles esperavam.
Acho que já é hora de olhar em volta e ver o que eu posso fazer pelas pessoas, independente do que elas fizeram por mim. Mas ainda bem que já é terça-feira!
Febre Alta é uma singela homenagem ao escritor inglês Nick
Hornby, autor de FEBRE de Bola e ALTA Fidelidade, dentre
outros.
Randall fez 30 anos, e depois de uma curta temporada em São Paulo,
casou e mudou-se para Sorocaba, que insiste em chamar de Manchester.
Hoje, voltou para São Paulo e vai à pé para o trabalho. Ainda é advogado
e quer ser escritor quando crescer.
Randall escreveu Além das Portas, Clichê de Verão, e Não Cai do Céu, Daniel.
Atualmente, tenta finalizar
seu quarto romance, Pizza Fria.
Randall acredita: em John Lennon, que o primeiro dos Stone Roses
é o melhor disco de todos os tempos, que é meio Jedi e que sua vida
está sendo escrita pelo Nick Hornby.
Randall ouve: de Los Hermanos a Belle and Sebastian, e todas as
variações permitidas em lei.